Pastoral Juvenil Latino-Americana apresenta carta a participantes da 1ª Assembleia Eclesial

“Reconhecer e valorizar o protagonismo dos jovens na comunidade eclesial e na sociedade como agentes de transformação” é um dos 12 desafios pastorais apresentados nas conclusões da 1a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, que será encerrada no domingo, 28, com missa às 14h (horário de Brasília) no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe.

Desde o dia 21, estiveram reunidos na Cidade do México cerca de cem pessoas, entre bispos, padres, diáconos, religiosos e leigos e outras mil, de modo on-line, em diferentes partes do continente americano.

Na conclusão dos trabalhos da Assembleia, no sábado, 27, a Pastoral Juvenil Latino-Americana apresentou uma carta a todos os participantes, na qual os jovens afirmam que “aqui nos sentimos acolhidos, ouvidos e chamados a uma maior incidência. Esta Assembleia nos dá uma grande esperança e nos enche de alegria por tudo o que o Senhor nos dá neste tempo, é um grito do Espírito e uma grande possibilidade de revitalizar a Igreja Latino-Americana e Caribenha”.

Também é lembrado o momento difícil pelo qual passam os jovens na América Latina e Caribe, afetados pelo desemprego, pobreza, migração, exclusões, violências, dificuldades para acesso à educação, falta de oportunidades e de políticas públicas, cenário que foi agravado diante da atual pandemia.

Na carta, os jovens pedem mais espaço nas esferas de decisão e de discernimento da Igreja e lembram que dos mais de mil participantes da Assembleia, 82 são leigos e jovens com menos de 35 anos de idade.

“Não somos uma parte isolada da comunidade, somos membros da comunidade e que, como disse o Papa Francisco: ‘a juventude não é uma sala de espera’ (Missa final da JMJ do Panamá 2019)”, apontam em um trecho da carta. “Os jovens estão presentes com uma visão crítica e construtiva para exigir e trabalhar por espaços, para processos reais e concizados, mas acima de tudo para que sejamos protagonistas e gerados de dignidade e inclusão”, consta em outro trecho. Na carta há ainda uma lista de pontos a serem levados em conta.

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‘Viver na unidade que é igual a sinodalidade’

Aos 35 anos, o advogado brasileiro Alan Faria Andrade Silva, mestre e doutorando em Direito pela PUC-SP, integrante da Economy of Francesco, membro da Comunidade de Vida Cristã – CVX e da Paróquia São Luís Gonzaga, na Região Sé, foi um dos participantes da 1a Assembleia Eclesial e é um dos que assinam a carta da Pastoral Juvenil Latino-Americana.

Silva participou ativamente de todo processo de escuta da Assembleia Eclesial, realizado de abril a agosto deste ano. “Isto ocorreu devido ser integrante e fundador da Red latino-americana da Economia de Francisco. Neste sentido, nós jovens da Economia de Francisco na América Latina, nos comprometemos em realizar e difundir o processo de escuta, principalmente com os temas relacionados a econômica, questões sociais e ambientais”, explicou ao O SÃO PAULO, o advogado que também foi delegado da Comunidade de Vida Cristã como um dos animadores e difusores do processo da Assembleia entre as comunidades.

O jovem conta que durante a realização da Assembleia na última semana, reuniu em um grupo de WhatsApp leigos, leigas, religiosas/os, padres, diáconos, padres e bispos para um amplo diálogo e foi mediador de um dos grupos de trabalho do evento, o qual reuniu, de modo on-line, outras assembleistas do Brasil, Peru, Argentina, Uruguai e México. “Pudemos ter momentos ricos de partilha de vida e experiências concretas com Deus/Jesus Cristo”, assegurou.

Silva avaliou que por ser um processo inédito na Igreja, a 1a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, teve acertos e erros, mas que o mais importante é que as reflexões iniciadas não se encerrem com a conclusão do evento.

“É preciso caminhar e continuar. E não perder de vista que nossa missão como cristão é anunciar Jesus Cristo de Nazaré e o seu Reino em toda Pátria Grande com auxílio da Virgem de Guadalupe/Aparecida. O anúncio de Jesus de Nazaré passa pela experiência individual e comunitária com Ele na dimensão trinitária e depois sair em missão para transformar nossas realidades concretas em algo que aquilo que Ele nos interpela, seja na dimensão religiosa/espiritual, social, econômica, política e ambiental. O batismo não nos serve para nosso ego e conformo emocional, o anúncio de Jesus é profético, concreto e transformador das nossas realidades”, afirmou.

Alan Faria Andrade Silva ressaltou que o magistério do Papa Francisco a todos convida “a viver na unidade que é igual a sinodalidade. Por mais que a sinodalidade seja um termo e uma proposta nova, a unidade sempre foi algo presente, tanto no Judaísmo quanto no Cristianismo. Mas também há o respeito a diversidade e peculiaridades do nosso povo latino-americano e caribenho, como nossas línguas, construções históricas, culturas, sofrimentos e alegrias. Outro aspecto muito forte na Assembleia, da minha parte, é alegria de estarmos juntos. Mesmo sendo on-line, como é bom saber que existe um irmão ou uma irmã de fé no México, na Nicarágua, na Guatemala etc. Estamos unidos em Jesus Cristo com o mesmo ardor missionário para sair pelas ruas e cantões para anunciar”, concluiu.

Fonte: O São Paulo

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