Parece que nós, brasileiros e brasileiros, não aprendemos com a história. Já tivemos duas boas oportunidades para aprender que quando um candidato à presidência da república se apresenta como o moralizador da sociedade, capaz de limpar sozinho tudo que lembra sujeira, sendo o varredor da corrupção e da preguiça, como prometeu Jânio Quadros, ou sendo o caçador dos marajás corruptos e corruptores, como alardeou Collor de Mello, deu no que deu: perda rápida do mandato.

Não aprendemos, e por isso estamos vivendo em outro tempo marcado por dúvidas bem fundamentadas de que o governo eleito não tinha e não tem legitimidade moral para montar um governo julgador da sociedade, um governo que despreza a própria Constituição para negar a liberdade de organização e de iniciativa da sociedade civil em nome de estancar práticas ideológicas que estão mais em suas mentes desequilibradas do que na realidade da vida. Que despreza a Constituição para colocar em risco de genocídio final os povos indígenas ao entregar o cuidado dos seus territórios aos grupos minoritários que, no Ministério da Agricultura, querem se apropriar deles para aumentar ainda mais o seu poder de únicos senhores da terra e de geradores de um tipo de progresso que sacrifica florestas e rios para multiplicar a extração de minérios, a produção e venda de energia e de produtos agropecuários envenenados.

Com essas e outras práticas, a pretensão do governo atual é a de ser o julgador da sociedade, que seria imoral em quase todas as suas práticas, e por isso precisaria ser limpada pela ação de um governo limpo, que julga, decide e age em nome de algum deus. Só que é um governo que, ao mesmo tempo, não consegue apagar o passado, ligado de muitas formas às práticas violentas, exploradoras e criminosas das milícias que infernizam a vida das comunidades populares do Rio de Janeiro. Aos poucos, mas até bastante rapidamente, muitos que foram envolvidos, mais uma vez, nas promessas de um governo moralizador comandado por moralistas, estão se perguntando: teremos, mais uma vez, um fim precoce de governo?

Amigas e amigos, mais do que em partidos e em propostas ideológicas e moralistas, precisamos centrar nossa atenção na continuidade e na qualidade da vida. A política e os governos só têm sentido quando cuidam bem e promovem, com a participação do povo, a vida das pessoas e da Mãe Terra.

            Ivo Poletto, do Fórum MCJS

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