Santos “Juninos”

Da mesma forma que falamos de “festas juninas”, não seria de todo estranho falar dos “santos juninos”. Em boa medida, aliás, as festas estão associadas a estes últimos. Destacam-se, como mais populares, Santo Antônio, São João Batista e São Pedro. Não são poucas as dioceses, paróquias e comunidades que os têm como padroeiros, como também não são poucas as pessoas que foram batizadas com esses nomes.

Santo Antônio nasceu em Lisboa, Portugal, no final do século XII, sendo contemporâneo de São Francisco de Assis. Mas desenvolveu seu ministério em Pádua, Itália. De início, foi recebido entre os religiosos agostinianos, depois passou para a Ordem dos Frades Menores. Seu projeto de dedicar-se à evangelização na África falhou, tendo sido missionário na França, depois Itália. Considerado como santo casamenteiro, na realidade foi antes um defensor dos mais pobres e abandonados. Daí o pão abençoado, normalmente distribuído no dia de seu falecimento, a 13 de junho, símbolo de sua preocupação com os famintos.

Antônio deixou a herança de um exímio professor de teologia, mas distinguiu-se especialmente como grande pregador. Homem da palavra e do pão! Não um professor e pregador da boca para fora, como hoje se costuma dizer, mas um testemunho de vida cristã gravado na história com caracteres de fogo. Convém ouvir o que ele mesmo tem a dizer: “A palavra é viva quando são as obras que falam. Cesse, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por esse motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas” (Cfr. Sermões de Santo Antônio).

De São João, podemos afirmar que, ao mesmo tempo, encerra o Antigo Testamento e anuncia a abertura do Novo Testamento. Elo de ligação entre a antiga e a nova aliança. De todos os santos e santas da história da Igreja, é o único de quem celebramos, além da morte, também o dia do nascimento, a 24 de junho. Homem do deserto, de vida sóbria e frugal, um profeta à maneira dos antigos representantes do profetismo em Israel. Precursor do Messias, vem com a missão de preparar-lhe o caminho. Diferentemente do Messias, porém, cuja mensagem centra-se na Boa Nova aos pobres, João se expressa com uma palavra dura, rígida e cortante. Um verdadeiro “machado” ameaçando a raiz da árvore que não produz frutos.

Profeta e mártir, representa simultaneamente uma esperança de conversão para os pecadores e um enigma para o rei Herodes. Este não suporta sua voz direta e sem meias palavras. Manda-o prender, para depois decepar-lhe a cabeça. De acordo com os estudiosos, Jesus teria feito parte dos seguidores de João. Após da morte do precursor, o Messias dá início a sua vida pública, anunciando a vinda do Reino dos Céus.

São Pedro, enfim, celebrado a 29 de junho, apresenta-se como líder e o porta-voz em meio aos discípulos do Messias, de forma particular no grupo dos doze apóstolos. Intrépido, irrequieto e sempre pronto a intervir, acaba recebendo do Mestre tanto elogios quanto reprimendas. No final trágico da paixão e morte de Jesus, revela toda condição humana de pecado e fragilidade, mas seguida da capacidade de arrependimento. O próprio Jesus havia-lhe advertido: “antes que o galo cante, tu me negarás por três vezes” (Mc 14,39).

Após chorar amargamente sua falta, porém, a tríplice negação será compensada por uma tríplice confirmação de Pedro como aquele que deverá “apascentar as ovelhas” (Jo 21-1-12). O episódio ocorre num dos encontros entre o Ressuscitado e seus apóstolos. E Pedro não decepcionará. A partir da vinda do Espírito Santo, celebrada no Pentecostes, ele e os demais passam a organizar, consolidar e nutrir as primeiras comunidades cristãs, a Igreja incipiente, espalhando a Boa Nova do Evangelho pelo Oriente Médio, pela Ásia, pelo norte da África e pela Europa, chegando até o coração mesmo do Império, Roma, onde sofrerá o martírio.

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs, vice-presidente do SPM – São Paulo, 24 de junho de 2020

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