“A missão entre os excluídos é o que renova a Vida Consagrada”, afirma padre Edson

Por Rosinha Martins| 03.05.14| Alianças em vista da missão. Esse é o assunto que reúne em Brasília, desde o dia 01 até o dia 04 de maio, cerca de 200 religiosos e religiosas, de todas as regiões do Brasil e das Regionais da CRB, em Brasília para aprofundarem o tema.

O grupo contou no dia de ontem com a colaboração do missionário do Verbo Divino e superior provincial da Província Brasil- Centro, o padre Edson Castro da Silva que tratou da intercongregacionalidade na sua dimensão profética.

“Procurei enfocar a questão profética, não só o profetismo oficial mas o profetismo mais popular mais democrático, mais inspirado na inclusão”, disse o assessor. Para o padre Edson, o profetismo oficial, embora tenha uma força profética de denúncia, de transformação da realidade social, está marcado pelos contra-valores da sociedade do seu tempo e é excludente e patriarcal.

Para o assessor, o  profetismo a ser vivenciado pela Vida Consagrada deve ser aquele vivido por Jesus, o profetismo do encontro, relacional,  embora este lhe tenha custado muito, haja vista o caso da mulher Sírio-fenícia que explicita bem este conflito.

Padre Edson afirmou também que a intercongregacionalidade é uma forma diferenciada de viver o carisma do Espírito. “Estamos caminhando para uma época, um momento histórico em que os diferentes carismas não só se encontram mas também estabelecem laços de parceria para sermos mais proféticos numa sociedade necessitada de um profetismo renovado”, relatou. Segundo ele, as formas com as quais a Vida Religiosa viveu até então os carismas, não responde mais às necessidades históricas deste tempo.

Apontou ainda, uma série de desafios que a Vida Religiosa enfrenta e deve enfrentar em vista das alianças que deseja fazer e para cumprir a sua missão na Igreja e na sociedade: as novas gerações, a formação de formadores, a missão intergentes e interpauperis e o investimento na pessoa humana.

As novas gerações

De acordo com padre Edson, a intercongregacionalidade comporta muitos desafios, e entre eles o desafio da geração abaixo dos 40 anos. “É uma geração mais habituada à experiência do subjetivismo, do individualismo e como congregações temos que investir mais nessa geração com  cursos, seminários, programas congregacionais e intercongregacionais para despertar neles este valor novo que é a vivência da intercongregacionalidade”, acenou.

Diferentes gerações na Vida Consagrada – sinônimo de complementariedade

Ainda segundo o assessor, a geração que participa deste seminário, mais marcada pela terceira idade, é a geração do sonho, que mantém o paradigma da transformação, situada no contexto do Evangelho de Jesus e desde este evangelho,  quer transformar a época  atual. “Não é que a outra geração não sonhe, mas é um sonho que está mais ao alcance da própria pessoa.  Essa geração tende a empurrar as novas gerações a partilhar do mesmo sonho. Não são gerações que se excluam mutuamente, mas que se complementam. Uma muito aberta envolvida num sonho utópico de uma sociedade diferenciada e outra que tem um sonho mais ao sabor da época que vivemos”, ponderou.

O Espírito nos leva a beber do mesmo poço

A Vida Religiosa precisa entender – segundo Edson – que o carisma é do Espírito e por isso não se perde e por ser partilhado pelo Espírito as congregações podem partilhá-lo com os demais. “É o Espírito que nos conduz para isso, nos empurra a beber do mesmo poço. O outro me complementa e ao me complementar me faço uma pouco mais humano”, afirmou.

Investir na pessoa humana

Padre Edson disse não ter dúvidas de que é necessário investir na pessoa humana. “Patinamos na vida religiosa, hoje, não por causa dos grandes sonhos, das grandes utopias, porque isso mantemos de alguma maneira, mas a pessoa do religioso/a pode estar num processo interno de profundas inquietações  que precisam ser trabalhadas.  Enquanto não trabalharmos o ser humano, a juventude que vem tão quebrada dos seus lares, de suas, famílias, torna-se difícil sonhar alto ou o sonho será de um pequeno grupo”.

Formar formadores para um novo tempo

Para investir na juventude é preciso ter formadores à altura, e esse é outro desafio. Ninguém quer ser formador. Porque é um grande desafio lidar com a juventude por ser um terreno desconhecido para quem tem mais de 50 anos. E lidar com um jovem de 16 a 20, não é simples porque são mundos diferentes e até incompreensíveis. Não é só uma questão de formação do formador, mas perguntar se o formador ou a formadora reúne os requisitos necessários de diálogo, de inter-relação, de paciência para ouvir, pois sem isso, pode-se estar muito bem formado, ser um excelente profissional, mas estará sempre distante da juventude. Se o formador não se arrisca ser jovem com os jovens estará fadado ao insucesso. Ser jovem com o jovem, na função de formador e não de pai.

Missão intergentes e interpauperis

Ao tratar da  missão se faz necessário adjetivá-la. Quando se trata de ser missionário onde as coisas estão bem organizadas, um paróquia bem estabelecida, uma casa bem arrumada, se torna muito mais fácil encontrar missionários  disponíveis. Mas se  a missão é  entre os excluídos, o desafio de encontrar pessoas para essas realidades é bem maior. O espírito do comodismo, da cultura urbana do século XXI influencia a muitos. A missão hoje tem que ser vista na perspectiva da missão intergentes e interpauperis, entre aqueles que não tem vez e voz.

É esta missão – entre os pobres – que é o combustível que propicia mudanças fundamentais e substanciais na Vida Religiosa, caso contrário voltamos para o antigo e conhecido processo de aburguesamento.  A missão entre os excluídos é o lugar epistemológico, referencial sobre o qual nos renovaremos como Vida Religiosa.

 Fonte: CRB Nacional

 

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