A formação nos documentos do Concílio Vaticano II e nas diretrizes da CNBB

Por Jaime C. Patias| 24.01.14| Os participantes do 2º Seminário sobre Formação Presbiteral que acontece desde o último dia 20, em Aparecida (SP), receberam na manhã desta sexta-feira (24), arcebispo de Brasília (DF) e presidente da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB,  dom Sérgio da Rocha, para refletir sobre a formação nos documentos do Concílio Vaticano II e nas diretrizes da CNBB sobre o processo formativo.

“Deveríamos aproveitar esse período de Jubileu dos 50 anos do Concílio para resgatar seus documentos sobre a formação sacerdotal, em especial, os decretos Optatam Totius e Pesbyterorum Ordinis, que muitas vezes acabam esquecidos”, afirmou dom Sérgio ao destacar desses documentos, alguns elementos para iluminar a formação, o ministério e a vida dos presbíteros. Segundo ele, esses aspectos foram acolhidos pelas Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil (doc. 93 da CNBB), aprovado em 2010.

Em sua exposição, dom Sérgio estimulou os seminaristas e formadores para fazerem uma leitura atenta desses dois documentos que, na sua avaliação, expõem o pensamento do Concílio sobre a identidade e a natureza do padre, bem como sobre a sua formação.

O bispo explicou ainda que o Concílio decidiu promulgar um documento especifico sobre os presbíteros por entender que, “a desejada renovação eclesial depende em grande parte do ministério do sacerdote”. Para dom Sérgio, essa frase teve um significado importante na época e continua atual, pois o processo de renovação conciliar permanece.

“Hoje precisamos dos formadores e dos presbíteros para que essa renovação possa acontecer. Essa é uma grande responsabilidade. Ao mesmo tempo uma esperança, pois a formação tem a oportunidade de contribuir com a mudança”, observou.

Ao comentar aspectos do Decreto Optatam Totius, dom Sérgio mostrou que, logo no início (OT 1), o documento propõe um método próprio de formação sacerdotal adaptado a cada país. “Uma vez que não podem dar-se senão leis gerais para tão grande variedade de povos e regiões, estabeleça-se em cada nação ou rito um peculiar, Plano de formação sacerdotal que há de ser promulgado pela Conferência episcopal, revisto periodicamente e aprovado pela Santa Sé”, afirma o texto.

Em seguida, dom Sérgio apresentou os sete capítulos da Optatam Totius que resumem o pensamento do Concílio Vaticano II, sobre a identidade sacerdotal. O conferencista lembrou que, durante e depois do Concílio, aparecem duas vertentes teológicas: a cristológica e a eclesiológica. Ou seja, “o sacerdote entendido em relação a Cristo e em relação à Igreja. Essas duas tendências, de certa forma se polarizaram. A vertente cristológica se entende na expressão in Persona Christi ou Alter Christus. De acordo com essa visão, o sacerdote tem a função de tornar presente Cristo, Sacerdote, Cabeça e Pastor. Agir em nome dele, configurar-se com Cristo para representá-Lo”, explicou.

“A vertente eclesiológica se encontra nas expressões in persona ecclesia (em nome da Igreja)”, disse dom Sérgio. “Aqui temos o sacerdote na Igreja e perante a Igreja. Contudo, o sacerdote que age em nome da Igreja, age em nome de Cristo, Cabeça e Pastor da Igreja. Não há como dividir essas duas vertentes, pois são duas grandes expressões de uma só realidade”, sublinhou.

A Missão

A essas duas vertentes, dom Sérgio, acrescentou uma terceira. “Trata-se da Missão, também presente na Pesbyterorum Ordinis onde é concebida não como uma alternativa excludente das duas anteriores, mas como integração de ambas”, argumentou. “Diocesaneidade não exclui a missionariedade. É preciso fazer missão nas fronteiras da diocese e além-fronteiras onde há muita gente precisando”, enfatizou.

Em síntese, “Cristo, a Igreja e a Missão são os grandes pilares na vida do presbítero. Essas não são vertentes excludentes, mas complementares”. Lembrou também que Exortação Apostólica de João Paulo III (1992), Pastores Dabos Vobis é o documento que melhor sintetiza essa visão.

A partir disso, o bispo lembrou o “tríplice múnus” do ministério sacerdotal: “o anúncio da Palavra, a celebração e o pastoreio do povo de Deus (anúncio, celebração e guia). Isso é importante para uma formação adequada” disse.

Relações dos presbíteros com os leigos

Ao falar sobre a relação entre presbíteros e leigos, dom Sérgio recordou que todo o batizada, em virtude do batismo, participa dessa tríplice missão, porém sem negar o específico do sacerdócio ministerial que provém da Ordem. “Regenerados com todos na fonte do Batismo, os presbíteros são irmãos entre os irmãos, membros dum só e mesmo corpo de Cristo cuja edificação a todos pertence” (PO 9).

Sobre a opção pelo termo Presbítero em detrimento de outros como sacerdote, dom Sérgio explicou que somente na terceira redação da Pesbyterorum Ordinis o termo é adotado para se referir ao ministro ordenado. “A razão dessa escolha é valorizar o presbítero como membro de um presbitério na comunhão eclesial. O presbítero é visto acima de tudo, como alguém que não vive isolado, mas parte de uma família. O ministério ordenado tem uma radical forma comunitária e só pode ser vivida de maneira comunitária”, completou e fez uma ressalva. “Nem sempre a mudança terminológica implica em mudança conceitual. Mudamos o jeito de falar mais não mudamos as ideias, as práticas continuam as mesmas”, alertou.

Contudo, “há razões para se utilizar o termo presbíteros, mas não existe uma determinação para deixar de utilizar o termo sacerdócio ou sacerdotal”, explicou.

Por fim, dom Sérgio falou das várias etapas do processo formativo segundo as Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil: Propedêutico, filosofia, teologia, ano pastoral e formação permanente que engloba os vários aspectos na vida do presbítero: humano-afetiva, comunitária, intelectual, espiritual, pastoral missionária. Mencionou ainda alguns temas que considera importantes, como o das vocações adultas, formação inculturada, membros das novas comunidades, egressos de institutos e congregações.

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