Por Rosinha Martins | 03.06.14| Há quatro anos,  a Igreja do Brasil – CNBB, CRB e Cáritas Brasileira – tem prestado um serviço de promoção humana, psicológica, financeira e espiritual à população haitiana. Muitas famílias, através do artesanato, da criação de animais comestíveis, da plantação de hortaliças, já conseguem dar um novo rumo às suas vidas. Mas a CRB Nacional lança o olhar, agora, para a falta de água, indispensável à sobrevivência.

Direto de Minas Gerais para o Haiti, a possibilidade de amenizar o problema da água ganhou um nome: Ataíde.

Ataíde Mendes de Almeida deixa a cidade de Porteirinha, seus filhos e seus projetos  para partilhar seus conhecimentos com um povo sedento de água. “A água é o bem mais precioso da humanidade. A cada passo que damos, precisamos dela. Deus me deu o dom de construir cisternas e eu tenho o maior prazer de ajudar a quem precisa da água”, disse emocionado.

Em entrevista à Assessoria de Comunicação da CRB Nacional, Ataíde, demonstrou imensa satisfação em poder sair da sua realidade agrícola no norte de Minas para transmitir seus conhecimentos a uma  comunidade fora do Brasil que, segundo ele, tirará muito proveito do aprendizado.

“Abandonei os projetos que tinha para este mês e vou com amor no coração para ajudar um povo que passa necessidades depois de um terremoto, pois sei que se eles tiverem boa vontade para aprender, além de terem água, ganharão um bom dinheirinho para sobreviverem”, afirmou.

Ataíde contou, também, que está levando uma bomba manual,  feita em cano de pvc, a qual doará aos haitianos.

O agricultor ressaltou  que não vai ao Haiti somente para ensinar como se faz reservatório de água, mas ele tem mais um sonho: ensinar aos haitianos a plantar sem usar agrotóxicos. “Levo também cartilhas educativas que orientam como plantar hortaliças sem usar veneno.  Em nossa região, muitas pessoas estão doentes e outras morreram, devido ao uso de muito tóxico na lavoura de algodão e banana. Se temos condições de produzir  orgânico pra que usar veneno?  Às vezes as pessoas tem a cabeça fechada, com a idéia de que tem que usar o agrotóxico  para a plantação e temos que mudar essa mentalidade.  As coisas não são bem por  aí”, alegou.

Entre outras experiências fascinantes, Ataíde relatou que trabalha na roça como vaqueiro e apicultor, mas que foi a constante construção de cisternas  que o ajudou a  melhorar a renda. Por própria conta aprendeu a fazer cálculos, o que permitiu construir cisternas de todos os tamanhos: aberta, suspensa, bebedouros para animais, piscinas e reformas. “Deus me deu o dom e eu busquei aperfeiçoar e fui aprendendo”, frisou. Na  região, Ataíde foi o primeiro a construir cisternas de 80 mil litros de água. Hoje é capaz de construir reservatórios de 500 mil litros para irrigação.

“Estou muito feliz por poder realizar este trabalho no Haiti e por vocês aqui da Conferência, pois sem vocês eu não estaria aqui”, concluiu com brilho nos olhos.

 A situação do Haiti

 Desde o terremoto que assolou o Haiti em 2010, as coisas não mudaram muito, com exceção do trabalho “formiguinhas” de ajuda humanitária que o Brasil (Igreja e Estado) e outros países de boa vontade tem prestado aos haitianos. O governo não tem condições financeiras para recuperar o país. Serviços básicos para a sobrevivência digna das pessoas ficam a desejar: acesso à energia elétrica, água potável e encanada, rede de esgoto, coleta de lixo e correios.

No Haiti, 80%  da população, que  é africana, não tem  acesso a água encanada e rede de esgoto. Para o  fotojornalista Victor Moryama, “a possibilidade do país se reerguer com as próprias pernas já não existe e na contramão deste conjunto complexo de adversidades o haitiano ainda esbanja uma alegria pura e distribui sorrisos lindos a cada esquina”.

Assessora recebe envio,  na sede da CRB Nacional

Uma pequena celebração realizada pelos assessores e funcionários da CRB na tarde da quarta, 02, em Brasília,  marcou o envio da assessora executiva para os projetos missionários da CRB Nacional, Irmã Ivani Brito, que acompanhará os trabalhos de Ataíde, no Haiti.  Eles partiram manhã desta quinta, 03,  para dar início às oficinas de construção de cisternas.  Irmã Ivani conheceu  Ataíde através da internet, em um site que versava sobre o curso de construção de cisternas de placas ministrado por ele na Escola Rural do Rio de Janeiro.

Regras jornalísticas à parte, abandono por um segundo a imparcialidade e peço licença para dizer que não posso conter a minha emoção ao entrevistar pessoas como o sr. Ataíde. Uma certeza tive no final da minha entrevista, com um homem tão simples e tão sábio, tão natural e tão rico, transbordante da bondade que vem do alto. Olhei para os céus, e, em lágrimas  disse: “Sejas louvado Senhor pelos Ataídes do mundo, que saem totalmente de si para dar ao outro um pouco do que tem e tornar esse mundo melhor. Nem tudo está perdido.  Sucesso, Ataíde!

Para conhecer melhor o trabalho do sr. Ataíde, assista o vídeo

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