Por Cleymenne Cerqueira|23.04.14| “A missão é a expressão do amor”. Assim, Irmã Inês Creusa do Prado define sua atuação há 28 anos como religiosa da congregação das Irmãs de Jesus Bom Pastor, as Pastorinhas, como são conhecidas.  Ela é uma das participantes da 2ª Semana de Formação sobre “Missão, vida religiosa e envelhecimento humano”, que acontece no Centro Cultural Missionário (CCM), em Brasília (DF).

O encontro, que se estende até a próxima sexta-feira (25), conta com a participação de 47 religiosas, vindas de nove estados do país mais o Distrito Federal. Durante cinco dias, elas refletirão sobre o sentido e o fundamento da vocação à Vida Consagrada frente à elevação da longevidade, fenômeno mundial que, hoje, não tem paralelo na história.

O aumento da população idosa, ou seja, aquelas pessoas com 60 anos ou mais, é acompanhado em contrapartida pela queda no número de jovens com menos de 15 anos. Por isso, estima-se que até 2050, as pessoas idosas representem 21% da população mundial, o que excederá a população jovem pela primeira vez na história da humanidade, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

Como não estão alheias a este fenômeno, as congregações religiosas e missionárias têm o desafio de re-signficar esta realidade em sua missão, pois convivem hoje com o aumento significativo de idosos, em razão das alternativas biomédicas de proteção à saúde e à diminuição de jovens entrando nas congregações.

Por isso, esse momento de formação traz com urgência a reflexão sobre os caminhos da missão hoje diante do envelhecimento humano. É preciso planejar ações que introduzam a preparação de recursos humanos para as instituições religiosas, com vistas à educação e ao atendimento do envelhecimento e da velhice, a fim de garantir cidadania, saúde, inserção social, maturidade espiritual, sentido missionário e proteção a estes idosos.

Na missão do cuidado é preciso escutar e ter paciência, aceitar os próprios limites e os limites do outro. Por isso, pensar o envelhecimento dos religiosos hoje é voltar a atenção para essa bonita fase da vida, oferendo a eles oportunidades de atuação missionária, de trabalho. É garantir a eles um resgate profundo da espiritualidade e possibilitar que sejam missionários onde estão.

“Queremos que eles ofereçam seu trabalho às missões da forma que podem. Não mais com a força, mas com o amor e com seu novo olhar sobre a vida, com orações e maturidade espiritual. Também não queremos que se aposentem antes do tempo”, afirmou padre Sávio Corinaldesi, SX, secretário nacional da Pontifícia Obra de São Pedro Apóstolo, que assessorou o segundo dia de formação, cujo tema foi “A missão hoje e as diversas etapas da vida”.

Para irmã Inês é preciso valorizar o trabalho do idoso e as atividades que realiza, pois embora não possam continuar fazendo tanto, fazem tudo com amor, com cuidado e dedicação. “É importante a valorização do nosso trabalho enquanto missão de cada um de nós, pois a missão é a expressão máxima do amor”.

Padre Estevão Raschietti, SX, secretário executivo do CCM, concorda ao afirmar que para a missão não existe idade. “Se pensa normalmente, que a missão só pode ser realizada por determinados grupos, com determinadas faixas etárias. Esse momento vem na contramão desse pensamento, pois traz reflexões sobre a possibilidade do idoso exercer sua missionaridade”, disse.

Envelhecer

Para a Irmã Elza do Amaral, religiosa da Congregação Divina Providência há 30 anos e que mora em Florianópolis (SC), o encontro permite voltar o olhar sobre o envelhecimento de uma maneira geral, mas acima de tudo sobre o seu próprio envelhecimento. Processo natural, que segundo ela, já começa desde a concepção.

“Há perdas e ganhos durante esse processo. Perdas no sentido físico, da força, da disposição. Mas, ganhos com as experiências vividas, os aprendizados partilhados. Pensar dessa forma ajuda a melhorar a autoestima do idoso, que muitas vezes é tido como um peso”, declarou.

Irmã Inês endossa a fala ao afirmar que o envelhecer permite um novo olhar sobre a vida, um olhar ao passado com a alegria de ver tudo que realizou e aprendeu. De acordo com ela, todo esse processo ensina que as perdas advindas da idade não são mutilações ou deficiências, mas talvez apenas limitações.

“Não é desproporcional. Sempre fiz tudo com amor, mas com mais pressa e mais força. A diferença é que hoje continuo fazendo tudo com o mesmo amor e a mesma dedicação, embora faça menos. Envelhecer é uma fase nova, bonita, de amadurecimento de convicções. Por isso, é preciso encará-la com leveza”, disse.

O secretário executivo do CCM acredita que é preciso possibilitar a participação e a vivência em comunidade para esse grupo. Por isso, ele manda um recado aos idosos e os chama à missão: “Não se sintam como peso, mas doem vida e vejam espaços e novas possibilidades de ação missionária”.

Vida dedicada à missão

As participantes destacaram a experiência de vida missionária de padre Sávio, da Congregação Missionários Xaverianos, que há 52 anos exerce o sacerdócio. Dos quais, 46 vividos no Brasil, onde chegou em 1968, com o objetivo específico dos religiosos de sua Congregação: “viver e anunciar o Evangelho”.

Antes de atuar nas POM, onde está desde 2002 e já foi secretário nacional da Infância e Adolescência Missionária (IAM), o missionário trabalhou nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), na Pastoral Diocesana de Abaetetuba (PA), na Pastoral das Comunidades da Transamazônica (prelazia do Xingu). Ele foi também diretor do Centro de Formação Intercultural (Cenfi), em Brasília, pároco da catedral de Abaetetuba, responsável do secretariado diocesano de Pastoral de Abaetetuba, responsável do Centro de Pastoral da prelazia do Xingu (PA), diretor espiritual de cursilhos no Pará e superior dos Xaverianos no Regional Brasil Norte.

Na Itália, sua terra natal, padre Sávio estudou no Seminário Regional de Fano. Ingressou na Congregação dos Missionários Xaverianos em 1959 e sua primeira profissão dos votos aconteceu em 1960, tendo completado seus estudos em teologia no Instituto dos Missionários Xaverianos e sua ordenação sacerdotal em 15 de outubro de 1961. Seu primeiro campo de trabalho foi na Espanha, onde por seis anos atuou na Animação Missionária.

Dono de um conhecimento vasto na dimensão teológica-missionária, padre Sávio publica artigos em jornais, revistas e sites missionários do Brasil e do exterior.

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