Por Rosinha Martins| 11.11.14| Um Celebração Eucarística ao ar livre, marcou o início das atividades do Encontro Rede Eclesial Pan-Amazônica que acontece desde o dia 9, na sede das Pontifícias Obras Missionárias, em Brasília-DF.

Os participantes do encontro iniciaram a Celebração vivenciando um ritual indígena dos povos Kichuas da Amazônia, Equador, Peru e Colômbia. O ritual consiste em se reunir todos os dias no amanhecer, ou antes, para partilhar  os sonhos com a ajuda de alguém que os interpreta.  Se o sonho for bom, se organiza para a luta do dia, se o sonho foi mal, se decide permanecer

na casa, para não correr perigo. Ao mesmo tempo acontece a camachina (lê-se camatina), um momento de aconselhamento dos filhos por uma pessoa mais velha.  Enquanto isso se toma a guayusa – uma espécie de chá – para se enfrentar bem as demandas do dia. É uma bebida que, também,  afugenta cobra e possíveis perigosos.

“A ideia de tomar a guayusa no momento da Celebração é trazer a experiência cultural dos povos da Amazônia e tentar nos integrarmos a eles, como também contar quais os sonhos que, como grupo, temos, em relação à Amazônia, no nosso trabalho como missionários”, disse o missionário da Consolata que atua no Equador, o padre Júlio Caldeira.

O presidente da Celebração e bispo da diocese de San Jose del Guaviare- Colômbia, dom Francisco Antônio Nieto, aproveitou a oportunidade para lembrar que, “como cristãos, infelizmente, temos perdido o sentido dos símbolos, usados com veemência pelos povos amazônicos e cheios de significado”.

Dom Antônio ao  se referir às leituras da liturgia, chamou este momento de escuta da Palavra de Deus de ‘camachina’, lembrando os povos da Amazônia. “Que esta seja a nossa camachina, momento em que  o Senhor nos aconselha. É Ele que nos comunica e inspira nosso coração aos  compromissos que devemos ter em cada momento da nossa vida”, relatou.

Ao mencionar a leitura da carta de São Paulo, ressaltou o convite do apóstolo aos cristãos a serem compassivos e misericordiosos como o Pai Celeste. “Em outras palavras, que valha o critério da caridade, o que significa dizer que seja maisimportante a caridade que a sabedoria, o conhecimento de Deus e o amor ao próximo.

Dom Antônio destacou o entusiasmo vivido nas partilhas dos missionários que atuam na Amazônia e fez uma exortação. “Deus nos convida através da sua Palavra a admirar os nossos povos indígenas com a Sua ternura”. A esta ternura de Deus, o
bispo chamou de ‘finura espiritual’ que, segundo ele, nos ajuda a ler a semente do verbo presente em cada comunidade, em cada povo, em cada pessoa.

Destacou a ausência de Deus no mundo capitalista e a exaltação da ética do ‘máximos’ e ‘mínimos’. “Cada vez que lemos e refletimos sobre esses autores
encontramos em definitivo, que a ética do ‘máximos’, nós a bebemos do Evangelho, a bebemos de Cristo. É ai que nós sentimos os desafios absolutamente novos para a nossa vida”, afirmou.

De acordo com dom Antônio, somos chamados a reproduzir em definitivo, com nossa vida, o sinal misericordioso do amor de Deus que em Jesus Cristo se fez concreto com essa delicadeza e ternura pelas crianças, pelos pobres (…) “Manter a atitude de humildade diante do Senhor, sentir a necessidade de que Ele nos traga esta ‘Camachina’, para vivermos  conforme a sua Palavra.

O bispo concluiu sua reflexão, dizendo que “somos chamados a dar testemunho de uma pertença sempre nova, aprendendo a abraçar Jesus Crucificado para suportar as ocasiões, dificuldades, vícios, agressões injustas que encontramos no decorrer do caminho”.

O Encontro Eclesial Rede Pan-Amazônica se encerra nesta sexta, 12, às 15h.

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