Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs

A exemplo das Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2019-2023), podemos utilizar a imagem da casa para refletir sobre a Vida Religiosa Consagrada (VRC). As motivações primordiais desta última, da mesma forma que a casa, consistem em quatro colunas, o piso e o teto. As quatro colunas são a Boa Nova do Evangelho, o grito dos pobres e excluídos, o carisma do Instituto e o testemunho no interior da Igreja. O piso e o teto traduzem, respectivamente, a vida comunitária e a espiritualidade.

Sempre com referência à metáfora da casa, as colunas se levantam a partir dos alicerces e de um piso firme e sólido, preparando-se juntas para receber a cobertura. Esta, por sua vez, somente poderá assentar-se de maneira equilibrada se as colunas se erguerem simultaneamente. Quando uma sobe mais que as outras, ou quando retarda o crescimento, não haverá possibilidade de terminar com sucesso a construção. Torna-se imprescindível a harmonia entre colunas, piso e telhado. Em outros termos, a segurança da casa está subordinada à perfeita integração entre o solo onde ela é construída, o suporte e a cobertura.

  • As quatro colunas

Comecemos com a coluna que representa a Boa Nova do Evangelho. A chama inicial da VRC vem, ao mesmo tempo, do apelo e do seguimento de Jesus Cristo. “O verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós” (Jo 1,14). O Pai revela seu amor e sua presença através do Filho. O rosto invisível de Deus ganha luz e visibilidade na pessoa de Jesus de Nazaré. Suas palavras, obras, gestos, bem como sua prática evangelizadora, descortinam para o mundo a imensa misericórdia da Trindade Santa. Após a morte e ressurreição do Mestre, seus discípulos convertem-se em apóstolos e missionários. A sequela Christi – na pobreza, na castidade e na obediência – torna-se o ponto de partida para a resposta ao chamado divino. 

A pobreza é o caminho que desvenda o tesouro escondido no campo (Mt 13,44): uma riqueza imaterial que supera todo e qualquer acúmulo de bens materiais. A castidade torna-se um terreno fértil e fecundo: ao abraçar a causa dos mais necessitados, estes acabam transformando-se em uma multidão de irmãos e irmãs. A obediência é fruto direto da plena liberdade: quanto mais livres dos instintos, paixões e interesses pessoais, tanto mais aberto para colocar as próprias energias a serviço do projeto de Deus. Seguir o Mestre é ter em conta as palavras de Paulo: “Sendo de condição divina, Jesus não se apegou ciosamente a ela, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo, fazendo-se semelhante aos homens. Humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz”. (Fl 2,6-8).

A segunda coluna mergulha suas raízes no solo úmido e escuro do solo. Concentra-se no grito dos pobres, excluídos e errantes da terra. Com efeito, do chão brota o “surdo clamor que brota de milhões de homens e se ergue aos céus”, como alertava o Documento de Medellín, em1968 (DM, cap. 1). E o Documento de Puebla, onze anos mais tarde, continua: “o clamor pode ter parecido surdo naquela ocasião; agora é claro, crescente, impetuoso e, nalguns casos, ameaçador” (DP, n. 89). Semelhante clamor une o céu e a terra, pois encontra repercussão no próprio coração de Deus. É dessa forma que o consagrado ou consagrada faz a ponte entre o sofrimento dos pobres e excluídos, por um lado, e a infinita misericórdia do Pai, por outro. Leva aos porões e periferias da sociedade o rosto resplandecente de Deus e, ao mesmo tempo, ergue aos céus as dores e súplicas que se levantam do sofrimento humano.

Resulta que tanto o chamado vocacional quanto a resposta a ele comportam duas dimensões indissociáveis. Se, de um lado, é o Mestre que toma a iniciativa, de outro, o seguimento leva em consideração a realidade concreta em que vivem grande parte da humanidade. Significa isso que todo “sim” o é contemporaneamente a Deus e ao clamor do povo que sofre. Jesus mesmo já havia prevenido no chamado juízo final (Mt 25,31-46): “Toda vez que fizestes isso a um destes pequeninos, foi a mim que o fizestes”. Como se vê com frequência nos relatos evangélicos, o sofrimento dos indefesos engendra a compaixão de Jesus, fazendo “estremecer suas entranhas”. Por isso, Ele cria o grupo dos apóstolos e discípulos para dar continuidade à sua obra. Essa dinâmica remete ao Livro do Êxodo, onde, na imagem da sarça ardente, se lê que o Senhor “vê a aflição do povo escravo no Egito… ouve o seu clamor… conhece o seu sofrimento… e desce para libertá-lo” (Ex 3, 7-10). 

Ao ver, ouvir e conhecer a situação concreta do povo, Deus desce na pessoa de Moisés, para conduzi-lo livremente à Terra Prometida. Mais tarde virão os profetas, retomando com ênfase e veemência a aliança e a promessa. Semelhante descida – ou abaixamento de Deus que “vem para servir e não ser servido” – se complementará no mistério da Encarnação. A partir deste e da pregação de Jesus, no lugar de Moisés, os apóstolos e discípulos são chamados a emprestar sua energia amorosa e profética aos que se encontram destituídos de vez e voz. Na história da Igreja, e particularmente hoje em dia, os religiosos e religiosas têm um papel preponderante em manter viva a ativa a profecia dos “novos céus e nova terra”.

A terceira coluna toma em consideração o carisma de cada Instituto religioso. Dom de Deus oferecido à Igreja mediante o fundador ou fundadora, o carisma trata em geral de defender a vida e o sentido da mesma onde ela se encontra mais ameaçada. Disso resulta a preocupação e a solicitude pastoral por situações e/ou categorias sociais onde as pessoas se sentem mais frágeis e vulnerabilizadas e onde, por isso mesmo, a caridade evangélica se faz mais urgente e necessária. Por isso é que o conjunto dos carismas religiosos na Igreja comporta uma grande galáxia ou constelação, onde cada astro procura iluminar um labirinto obscuro e obtuso da trajetória humana. Nas pegadas de Jesus e com os olhos fixos nele, a sequela Christi reflete o coração de Deus, o qual, pelo conceito da misericórdia, abraça e reveste de graça a miséria humana, transfigurando-a em caminho de salvação.

Ilumina-o através da oração e da contemplação, tratando de disseminar no interior da Igreja e da sociedade os raios resplandecentes do amor de Deus, os quais aquecem e dão à existência humana um significado oculto, mas infinitamente mais profundo. E ilumina-o através de uma ação apostólica e missionária que difunde a Boa Nova do Evangelho por toda a extensão do planeta. A diversidade e pluralidade dos carismas, por sua vez, ao mesmo tempo que põem em evidencia situações específicas a serem evangelizadas, revelam a riqueza do caleidoscópio imenso que é o amor divino: luzes, cores e tonalidades se fundem para manifestar a glória da criação e o amor salvífico do Criador.

Por fim, vem a coluna do testemunho no interior da Igreja. Seguir mais de perto os passos do Mestre significa, antes de tudo, ir ao encontro das “ovelhas perdidas”, o que logo nos remete à parábola do Bom Pastor. Três tarefas ocupam o pastor zeloso: encontrar bons pastos para o rebanho, defendê-lo do assalto dos lobos e mantê-lo unido. Traduzindo para a VRC e para a Igreja e sociedade: defender os direitos fundamentais à vida e à dignidade humana, combater a cobiça dos opressores e dos tiranos que exploram o povo, garantir que este último mantenha uma convivência fraterna e solidária. Tarefas que, indiscutivelmente, desdobram-se em uma série de atividades ramificadas e capilares.

O testemunho, como se pode notar, adquire distintos e variados aspectos. Estes envolvem não somente a dimensão pastoral e espiritual, mas ainda o compromisso social, político, cultural e ecológico… Compromisso que ganha particular relevância diante de situações cada vez mais injustas, assimétricas e profundamente marcadas pela desigualdade socioeconômica. Nos dias de hoje, a defesa e preservação da vida não pode ignorar a defesa e preservação do meio ambiente – ou seja, a preocupação com a biodiversidade. A exemplo do Papa Francisco, não seria exagero afirmar que, frente à velocidade e à ameaça das mudanças climáticas, todos os religiosos e religiosas, além do seu carisma específico, são convidados a incluir no seu DNA de consagrados a inspiração profética do pobre de Assis. 

Não quer dizer que o religioso ou religiosa, com a respectiva comunidade ou Congregação, deva tomar sobre os ombros o peso de determinada situação socioeconômica ou político-cultural. A precariedade da vida pessoal, familiar, social e política é atualmente um problema cuja busca de soluções diz respeito à humanidade como um todo. Autoridades do governo, organismos internacionais, instituições, movimentos sociais e organizações em geral devem debruçar-se conjuntamente sobre os males que afligem a todos. Mas todo consagrado ou consagrada, no interior de sua comunidade religiosa, tem a missão de acender uma pequena luz onde se faz mais densa a escuridão. Um sinal, um testemunho, um farol que pode alargar os horizontes, apontando outros caminhos e novas alternativas.

 

 

  • O piso e o teto

 

Piso e teto complementam a estrutura da casa. Ambos se comunicam com a ajuda das colunas. Ambos, unindo as paredes, interagem e se complementam para formar o abrigo indispensável a qualquer grupo que desenvolve uma certa convivência: família, comunidade religiosa, grupo de amigos… A casa se torna uma espécie de roupa de quem se quer bem. A roupa da família ou da comunidade. De fato, o amor verdadeiro sempre gera uma intimidade secreta, e esta necessita de um refúgio para proteger-se. Família ou comunidade sem casa é como um corpo sem roupa: nu e exposto a todo tipo de vendaval ou derrisão. Como veremos adiante, toda nudez requer boa dose de privacidade para defender seus segredos e sua dignidade.

 

  • O piso da vida comunitária

 

O piso firme e sólido representa, na casa da VRC, a dimensão da convivência comunitária. Trata-se de um tempo/espaço familiar, confiável e confidencial. Terreno de uma intimidade livre e aberta, sem medo e sem travas. Um lar e refúgio seguro, único lugar onde é possível a privacidade e a nudez total. Não a nudez exposta em praça pública, alvo de chacota, de olhares estranhos e da curiosidade alheia. Mas a nudez revestida de amor e carinho, na qual o cuidado com o outro prevalece sobre a indiferença e a hostilidade. Nesse chão fértil e fecundo, por mais distintas que sejam as “plantas” que aí florescem, o bem querer recíproco deve estar acima das diferenças étnicas, culturais, políticas e ideológicas. O critério de filhos e filhas de Deus supera o critério da eficiência, da produtividade e da meritocracia. O “estar juntos” não representa tempo subtraído à missão, ao contrário, é tempo que a qualifica e enriquece.

Dois conceitos se impõem com força redobrada: a vocação, pessoal e comunitária; e a noção de comensalidade. Numa comunidade harmônica, a vocação, enquanto chamado e resposta ou enquanto dom e busca, passa a ser cultivada por todos e por cada um. O individualismo e o isolamento cedem o lugar à corresponsabilidade. E esta responsabilidade partilhada se aplica seja ao crescimento vocacional de cada coirmão ou coirmã, seja ao crescimento vocacional da comunidade enquanto tal. Longe da concorrência ou competição tensas e conflitivas, não é necessário apagar o entusiasmo do outro para que minha estrela possa brilhar. A chama de cada componente se reproduz e fortalece toda a comunidade. A luminosidade comunitária não se dá pela soma dos esforços pessoais, e sim pela multiplicação e entrelaçamento do empenho comum para vivenciar concretamente o carisma e a missão.

A noção de comensalidade nos transporta à mesa. Nesta, enquanto a comida nutre e reforça as energias do corpo, a presença do outro alimenta e fortalece a comunhão dos corações, das mentes e das almas. O maior tempero da comida passa a ser a presença do coirmão ou coirmã. E quanto mais profunda a relação entre eles, mais saborosa será a refeição. Basta ver como é indigesto comer solitariamente ou em momentos de tensão. Só os animais o fazem sem qualquer problema, aliás, brigam quando um outro se aproxima para disputar o “de comer”. Do ponto de vista humano, a mesa serve de termômetro para medir a temperatura viva da comunidade. Não será exagero afirmar que, na mesa, a comunidade come e se come. Come o alimento, ao mesmo tempo que cresce na intimidade e na fraternidade recíprocas.

É isso que explica a festa. Raramente se vai a uma comemoração festiva apenas para comer ou beber. O alimento e a bebida, não raro, constituem pretexto para uma fome e uma sede bem mais profundas e existenciais: fome e sede de encontro, de partilha, de mútuo intercâmbio. É isso também que explica a prática do Mestre de entrar nas casas e sentar à mesa, inclusive diante do escândalo de muitos, chegando a ser chamado de “comilão e beberrão” (Mt 11, 19). Por isso é que, na convivência humana, muitas vezes a mesa acaba por tornar-se altar, o alimento converte-se em oferta, a refeição se transforma em celebração. Na noite precedente à sua trágica morte na cruz, o Senhor declara de forma explícita: “ardentemente quis comer esta ceia convosco” (Lc 22, 14-20). Depois, durante a refeição: “Isto é meu corpo, tomais e comei; isto é meu sangue, tomais e bebei” (Mc 14, 22-25). A partir de então, a presença de Jesus, o Ressuscitado vivo entre nós, juntamente com a comunidade reunida, faz da refeição uma festa, um banquete, uma celebração que antecipa a alegria do Reino de Deus.

 

  • O teto da espiritualidade

 

A imagem do teto remete à espiritualidade da VRC, lembrando o sol e o esplendor luminoso do céu azul sobre nossas cabeças. Na esteira da sequela Christi, entretanto, a imagem remete de forma especial aos relatos evangélicos da infância de Jesus, não importando aqui o seu grau de historicidade, mas o significado profundo do mistério da encarnação. Estamos diante da família de Nazaré ou, se quisermos, da comunidade de Nazaré. Ali deparamos com a “escola do silêncio e da escuta”: uma fonte privilegiada de sabedoria e de aprendizado. Nascente que, ao longo dos séculos, fecunda e nutre nossa espiritualidade, ilumina e orienta nossos projetos e nossos passos. Dela é que os fundadores e fundadoras de tantos Institutos consagrados extraem as centelhas que aquecem e clareiam nossas almas.

Basta contemplar o presépio e suas personagens principais. Primeiramente José: embora jamais se ouça a sua voz nos escritos neotestamentários, representa o homem certo, sempre no lugar certo, para fazer o que é certo: defender mãe e filho das intempéries da existência e da força bruta dos tiranos. Em outros termos, defender o projeto da salvação. Homem do silêncio, mas um silêncio revestido da Palavra, capaz de escutar os anjos e interpretar os sonhos, enquanto mensageiros de Deus, e por isso mesmo obedecer à sua vontade. De Maria, diz Lucas que “sua mãe guardava e meditava sobre todos esses acontecimentos em se coração”. E, coisa inédita, o evangelista o repete por duas vezes (Lc 2, 19.51). Guardar e meditar – dois verbos que, na escola do silêncio e da escuta, significam interpretar a histórias na perspectiva da fé, com os olhos fixos no plano salvífico de Deus.

Jesus de Nazaré, por seu lado, passa a infância, a adolescência e a juventude praticamente sem dizer palavras. Não se trata do mutismo estéril que é o isolamento e a negação de comunicar-se. Mas o silêncio que perscruta os desígnios indecifráveis de Deus: “Por que me procuravam? Não sabem que eu devo ocupar-me das coisas de meu Pai”? (Lc 2, 49) – replica Ele a seus pais, José e Maria, numa das poucas vezes que se ouve sua voz durante esse longo estágio. Depois, a exemplo de João, passará um período solitário no deserto, simbolicamente 40 dias e 40 noites, numa referência aos 40 anos de travessia do Povo de Israel também pelo deserto. De tudo isso, temos uma ideia da espiritualidade da família/comunidade de Nazaré: serão necessárias três décadas na escola do silêncio e da escuta – para fazer germinar a Boa Nova do Evangelho. O silêncio é o terreno propício para o nascimento e crescimento da Palavra viva e criativa, eficaz e libertadora. Somente a Palavra que nasce em tal terreno tem raízes fortes, sábias e profundas, diferentemente das palavras ocas e vazias jogadas ao vento.

Um longo e laborioso silêncio de escuta, de oração, de reflexão e de contemplação. O silêncio que faz amadurecer a Palavra, da mesma forma que o tempo faz amadurecer o fruto. Do ponto de vista da VRC, em meio às crises que se sucedem, faz-se cada vez mais evidente que essa escola do silêncio e da escuta é a verdadeira oficina da Palavra. Oficina de Nazaré como oficina da Boa Nova! Aí ela se forja, ganha forma, conteúdo e significado. Se, como consagrados e consagradas, somos chamados a ser homens e mulheres da Palavra, antes é preciso ser homens e mulheres do silêncio e da escuta. Quem não é capaz de silenciar e colocar o ouvido à escuta do Pai e dos irmãos, tampouco será capaz de dizer algo novo e criativo. Ao contrário, em geral estará condenado a repetir a si mesmo e aos outros. E com efeito, não faltam papagaios nos institutos religiosos e na Igreja. Numa rima muito simples, quem não reflete se repete.

Retornando brevemente ao carisma específico de cada Instituto, bem como ao conjunto da VRC, o desafio está em fazer com que ele se torne, hoje aqui e agora, Boa Nova para os pobres e excluídos. Numa sociedade cada vez mais frenética, apelativa e rumorosa, como aprender na escola do silêncio e da escuta a traduzir o carisma não num ruído de palavras (plural), mas na Palavra viva, ativa e criativa (singular)? Renovação, redefinição, reestruturação, refundação, recomeço – não faltam os “re” em nossas avaliações e planejamentos. Falta talvez uma volta à dupla fonte do carisma e do Evangelho, do Mestre de Nazaré e do fundador ou fundadora. Na nascente, como sabemos, a água costuma ser mais pura, límpida e cristalina. Na escola do silêncio e da escuta, somos hoje desafiados e interpelados a interpretar os “sinais dos tempos”, no sentido de traduzir o respectivo carisma no contexto da “modernidade líquida” (Zygmunt Bauman), com a feliz expressão da “fidelidade criativa”.

Conclusão

A conclusão é que a casa da VRC permanecerá sempre inconclusa. A conexão das colunas entre si, e delas com o piso e o teto, comporta um processo dinâmico e dialético, em crescente espiral, e sempre em movimento. A cada membro que passa a fazer parte ou deixa a comunidade, esta precisa recomeçar a obra desde os alicerces. Em outras palavras, na comunidade religiosa não se entra quando ela está pronta. É necessário dispor-se a construí-la num trabalho orgânico e em comum. De outro lado, basta que um dos coirmãos ou coirmãs negligencie sua tarefa contínua de acrescentar um tijolo à construção para que a comunidade se sinta enferma. Daí a relevância de momentos privilegiados de silêncio e escuta, ao lado de uma ativa vivência comunitária. Só assim será possível revigorar, contemporaneamente, a vocação de consagrados e a missão entre os “condenados da terra” (Frantz Fannon).

 

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs – Rio de Janeiro, 26 de novembro de 2019

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