“Vida espiritual é vivida, às vezes, como alívio, mas não leva ao encontro com os outros”, diz Papa em Evangelii Gaudium

Por Rosinha Martins| 27.11.2013| Essa é uma das expressões do Papa Francisco na sua primeira exortação apostólica lançada esta semana. No documento o papa chama a atenção de toda a Igreja: padres, religiosos, religiosas, leigos a uma verdadeira vivência cristã. Como esta se dá? Através da conversão, da saída em missão, dizendo não a uma economia da exclusão, dizendo não à idolatria do dinheiro, dizendo não a um dinheiro que governa em vez de servir, dizendo não à desigualdade social que gera a violência e dizendo sim ao desafio de uma espiritualidade missionária.

De acordo com Francisco, muitas vezes leigos engajados e até mesmo as pessoas consagradas tem uma vivência espiritual que causa um certo alívio, mas que “que não leva ao encontro com os outros, ao compromisso no mundo e a paixão pela evangelização. Assim, é possível notar em muitos agentes evangelizadores – não obstante rezem – uma acentuação do individualismo, uma crise de identidade e um declínio do fervor. São três males que se alimentam entre si”, afirma.

Para um dos vaticanistas mais respeitados da atualidade, o estadunidense, John Allen Jr, a “Alegria do Evangelho” é como o sonho de Martin Luther King: “I have a dream” of Francis. “Os sonhos podem ser coisas poderosos, especialmente se articulados por líderes com a capacidade real de transformá-los em ação. É o caso do discurso pronunciado há 50 anos, o famoso “I have a dream” de Martin Luther King, e que parece ser a ambição da audaz Exortação do Papa Francisco”, explica. (documento na íntegra)

Francisco encerra sua exortação com uma riquíssima prece a Maria, a quem ele chama de Estrela da nova evangelização.”É o Ressuscitado que nos diz, com uma força que nos enche de imensa confiança e firmíssima esperança: «Eu renovo todas as coisas» (Ap 21, 5). Com Maria, avançamos confiantes para esta promessa, e dizemos-Lhe:

 

Virgem e Mãe Maria,
Vós que, movida pelo Espírito,

acolhestes o Verbo da vida

na profundidade da vossa fé humilde,
totalmente entregue ao Eterno,
ajudai-nos a dizer o nosso «sim»
perante a urgência, mais imperiosa do que nunca,
de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus.

Vós, cheia da presença de Cristo,
levastes a alegria a João o Baptista,
fazendo-o exultar no seio de sua mãe.
Vós, estremecendo de alegria,
cantastes as maravilhas do Senhor.

Vós, que permanecestes firme diante da Cruz
com uma fé inabalável,
e recebestes a jubilosa consolação da ressurreição,
reunistes os discípulos à espera do Espírito
para que nascesse a Igreja evangelizadora.

Alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados
para levar a todos o Evangelho da vida
que vence a morte.
Dai-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos
para que chegue a todos
o dom da beleza que não se apaga.

Vós, Virgem da escuta e da contemplação,
Mãe do amor, esposa das núpcias eternas
intercedei pela Igreja, da qual sois o ícone puríssimo,
para que ela nunca se feche nem se detenha
na sua paixão por instaurar o Reino.

Estrela da nova evangelização,
ajudai-nos a refulgir com o testemunho da comunhão,
do serviço, da fé ardente e generosa,
da justiça e do amor aos pobres,
para que a alegria do Evangelho
chegue até aos confins da terra
e nenhuma periferia fique privada da sua luz.

Mãe do Evangelho vivente,
                 manancial de alegria para os pequeninos rogai por nós.
                                                    Amém. Aleluia!

 

 Dado em Roma, junto de São Pedro, no encerramento do Ano da Fé, dia 24 de Novembro – Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – do ano de 2013, primeiro do meu Pontificado.

[Franciscus PP]

 

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