PORQUE A VIDA É TROCA

Lauro Daros

A vida é troca. O universo é troca. Dar e receber; receber e dar. Quando a troca é justa, há equilíbrio, há harmonia, há coerência. Troca justa é uma energia que vai e vem… que vem e vai… sucessivamente. Energia que gera mais energia. Energias que se multiplicam. A vida é troca.

Se eu sou maduro, troco: dou e recebo, recebo e dou. Esse ritmo justo faz a vida fluir harmoniosamente. No amor, por exemplo, há troca justa, há doação mútua, há reciprocidade.

Se eu sou imaturo, não troco, apenas recebo, igual a filhote de passarinho de biquinho aberto para a ração. Se sou imaturo, além de não trocar, tiro à força, com roubo, corrupção, traições, mentiras, chantagens emocionais. Se sou imaturo, também sou desonesto, dou  menos do que recebo. Engano, minto, saboto, fujo, não cumpro com meus compromissos.

Continuamente recebo cumprimentos, sorrisos, gentilezas, olhares, afetos, palavras boas, elogios… mas são energias que precisam de reciprocidade. Então é justo que eu retribua. Trocar é coerente. A vida é troca.

Eu quero amigos? Que eu seja amigo. Eu quero que as pessoas venham a mim? Que eu vá às pessoas. Eu quero ser amado? Que eu comece a amar. E que eu comece primeiro amando a mim mesmo. Se eu me amo, amar o outro é fácil, simples, consequente.

Se eu cuido da saúde física, mental, emocional, espiritual, em troca sinto bem-estar, paz, alegria e todas as energias de que preciso para viver com qualidade e nobreza. A vida é troca. Não há milagres. Aliás, milagres existem, sim, mas é preciso suar muito para que aconteçam.

Muitas vezes reclamo que a vida é triste, difícil, injusta. Mas estou apenas colhendo o que semeei. São escolhas. E se eu continuar semeando aquilo que sempre semeei, continuarei colhendo o que sempre colhi. A vida é troca.

Às vezes, não dou nada, mas exijo tudo. Direitos e deveres, por exemplo. Sim, eu tenho múltiplos direitos sociais, mas também múltiplos deveres sociais. Deveres sem direitos, ou direitos sem deveres, é uma situção de desequilíbrio, de desarmonia, de distorção.

Eu pago impostos e espero receber em troca os benefícios sociais a que tenho direito e de que preciso. Isso é justo, isso é harmonia. Se os benefícios não vêm, há desarmonia. E se eu sonego impostos e exijo benefícios sociais, é injusto, é desequilíbrio. Sociedade e eu, eu e sociedade nos protegemos, nos promovemos, nos respeitamos. São trocas justas, necessárias, coerentes. A vida é troca.

O salário mínimo, por exemplo, é uma troca injusta. Eu trabalho com seriedade, dentro das leis, mas recebo abaixo do que mereço e preciso. O contrário também é certo: se eu trabalho o mínimo e quero receber o máximo, é troca injusta, é incoerente.

O Planeta está com problemas sociais e ambientais? É porque eu não estou sabendo cuidar. Não posso reclamar de Deus. É troca justa.

Eu quero viver num mundo melhor e mais belo? Que eu faça a minha parte. Que eu comece por tornar minha vida particular melhor e mais bela. Depois ajudar a minha família a ser melhor e mais bela. E assim por diante. Não tem outro jeito. A vida é troca.

Eu quero um bom emprego, quero viver bem? Que eu faça a minha parte. Que eu invista na profissão, com disciplina, com força de vontade, com entrega; e, se for preciso, com sangue, suor e lágrimas. Porque a vida é troca.

Eu quero respeito? Que eu comece me respeitando. Que eu me torne livre, independente. Que eu cuide de minha sobrevivência, que me responsabilize pelas escolhas, que não me vitimize. Então merecerei respeito. A natureza dá o exemplo: o pássaro, no tempo certo, despede-se do ninho para sempre… e construirá o seu próprio ninho no tempo certo.

Quero o respeito da família, dos parentes, dos amigos? Então que eu faça trocas justas. Que eu dialogue, que me comunique, que faça visitas, que ofereça ajuda nas necessidades e também que eu aceite a ajuda deles, que eu use palavras gentis e promotoras, que não critique, não julgue, não condene, não faça fofocas.

E se eu ajudar alguém sem o compromisso da troca é paternalismo/maternalismo. Paternalismo/maternalismo é troca injusta. É desarmonia. É como se eu dissesse ao outro: você é tão insignificante, tão inútil, tão coitado, que não tem nada para dar. Mas a vida rejeita o paternalismo/maternalismo. A vida é justa. Acomodar-se, anular-se e esperar pelo outro, pela sociedade, pelo partido, pelo governo, por Deus é condernar-se ao patamar da mediocridade e da pobreza.

Deus é justo. E se eu souber trocar de forma justa, a vida se tornará extremamente maravilhosa. Eu colherei os melhores frutos. E terei frutos suficientes para mim e para partilhar em abundância.

Trocar é alegria, é prazer, é nobre. Há nobreza em contribuir comigo mesmo, com o outro, com a sociedade, com o Planeta, com o Universo. Viver em vão, desperdiçando tempo e energias, reclamando, choramingando, criando problemas para mim e para o outro, ser rabugento, ranzinza, não amar e não ser amado/a… é um facasso completo e um desastre existencial.

Isso tudo é real, não é ilusão. Se errar é humano, acertar também é humano. Basta que eu queira e tenha força de vontade; basta que eu viva com consciência, que eu busque o autoconhecimeto e descubra que todas as luzes e energias para a vida plena estão dentro de mim, incluindo a inteligência, a criatividade e a imaginação, e sempre na relação com o semelhante, com a natureza, com o Universo, com DEUS.

Porque a vida é troca!

 

 

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