Padre Ezequiel Ramin a caminho da beatificação

Em ato presidido por dom Bruno Pedron e com a presença da equipe que vai ouvir as testemunhas, iniciou-se o inquérito diocesano sobre a vida e o martírio do padre Ezequiel Ramin, missionário comboniano, no dia 1 de abril, em Ji-Paraná, Rondônia.

Trata-se da primeira ação formal, com prévia autorização da Congregação para a Causa dos Santos, visando o reconhecimento do martírio do padre Ezequiel, pela Igreja. As testemunhas serão ouvidas nos próximos meses pelo Tribunal Eclesiástico composto pelo delegado Episcopal, padre Jorge Miguel Pereira Brites, o promotor de Justiça, padre Johnnis Marthis Parteli, e o notário, Patrícia de Oliveira Lima. O Postulador da causa, é o missionário comboniano, padre Arnaldo Baritussio.

Vindo da Itália, padre Ezequiel dedicou a sua vida a Deus e ao povo como missionário além-fronteiras, enviado a trabalhar em Cacoal (RO), em 1984, no início da colonização de Rondônia. Encontrou uma realidade muito dura: indígenas que perdiam suas terras e morriam pelas doenças; famílias de imigrantes de todo o país que chegavam a cada momento iludidos de que encontrariam terra para construir suas vidas; fazendeiros que se apropriavam das terras pelo uso da violência através de pistoleiros; e inoperância do Governo.

Tocado por essa dura realidade, o missionário comboniano realizou o trabalho pastoral de visitar e acompanhar as comunidades que se iniciavam, tendo presente também a questão social, tal como afirmam os documentos da Igreja de que a evangelização é anúncio do Evangelho e promoção humana. Tinha como predileção os indígenas e camponeses sem terra. Essas pessoas relatam que padre Ezequiel ia ao encontro delas e as acolhia com muita alegria e simplicidade, e por isso, ainda têm muito carinho por ele.

No dia 24 de julho de 1985, a pedido de mulheres que temiam pela vida de seus esposos, padre Ezequiel foi até a Fazenda Catuva para convencer os homens que queriam ocupar a fazenda para que saíssem das terras evitando o conflito, que era eminente. Os pistoleiros fortemente armados haviam chegado de outros lugares, a mando dos fazendeiros, para cuidar das terras, que antes pertenciam aos indígenas. Caso permanecessem nas terras, poderiam ter um fim trágico, como aconteceu tantas vezes no nosso Brasil. No retorno, o padre Ezequiel sofreu uma emboscada e foi morto com muitos tiros. Tinha 32 anos de idade. Seu companheiro, Adílio de Souza, conseguiu escapar por graça de Deus e é quem relata o ocorrido, como testemunha ocular.

“A vida e entrega do padre Ezequiel nos inspira a sair de nós mesmos, a amar os irmãos, e a sonhar um mundo novo onde todos possamos ser felizes e solidários, em harmonia com toda a Criação. Seu seguimento a Cristo até o fim nos questiona, e faz brotar nos nossos corações o desejo de ter o Senhor como o centro das nossas vidas e a servir os irmãos como o Mestre nos ensinou com sua entrega na cruz”, afirma padre Rafael Gemelli Vigolo, missionário comboniano, vice-postulador da causa da beatificação do padre Ezequiel.

Tendo sido considerado já há muito tempo expressão eminente de amor pelos irmãos ao ponto de doar a própria vida (cf. Jo 15,13), padre Ezequiel Ramin foi inserido na lista daqueles que o Povo de Deus considera dignos e merecedores de uma atenção particular e de um cuidadoso inquérito. Em virtude desse processo que se inicia, padre Ezequiel Ramin recebe o título de Servo de Deus.

“Pedimos ao nosso Pai Misericordioso que ilumine as mentes e guie os passos da equipe que leva adiante este exigente processo de discernimento e abençoe as testemunhas que relatarão a vida e morte do padre Ezequiel, para que cheguemos a um bom término, segundo a vontade de Deus”, conclui padre Rafael.

Com informações dos missionários Combonianos.

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