Missionários fazem curso de iniciação no Brasil

Por Tereza Brasil | 23.03.2016| Missionárias e missionários recém-chegados do exterior participam, desde o dia 2 de fevereiro, da 115ª edição do Curso de Iniciação à Missão no Brasil, do Centro de Formação Intercultural (Cenfi), organizado pelo Centro Cultural Missionário (CCM), em Brasília (DF). O curso tem duração de três meses e atende missionários enviados por congregações, dioceses, entidades ou organizações, para a missão no Brasil. O estudo possibilita aprendizagem e escuta ao chamado de Deus.

A 115ª edição reúne 21 missionários de 14 países: Albânia, Índia, Polônia, Romênia, Nigéria, Honduras, República Democrática do Congo, Coreia do Sul, Filipinas, Congo, Costa do Marfim, Vietnã, Colômbia e Argentina.



O curso é feito de forma integrada, em que os missionários estudam a língua portuguesa, a sociedade e a Igreja no Brasil; fazem estágio em casas de famílias; interagem com a realidade local e trocam experiências a partir da vivência em comum. O curso favorece também a adaptação por meio das relações fraternas.

Para o secretário executivo do CCM, padre Estêvão Raschietti, o curso do Cenfi é um tempo muito especial que o missionário deve reservar para si. “Aprender a língua portuguesa e conhecer os costumes e aspirações do povo brasileiro; se despojar de sua cultura sem arrancá-la; rever suas visões de mundo para melhor se colocar diante dos novos apelos; realizar um verdadeiro mergulho na nova cultura sem deixar de carregar os valores de sua própria cultura como bagagem que vem para enriquecer o próximo”, explica o padre.

O espaço de tempo para uma primeira inserção, o choque cultural, o desprendimento do mundo de origem, a aculturação e a adaptação em um novo ambiente variam muito de pessoa a pessoa. “Por isso, é preciso respeitar os ritmos de cada um e de cada uma, dar tempo e espaço para que as pessoas vivam essa passagem de maneira serena, sem excessivas cobranças, sendo acompanhadas pelos coordenadores do curso no que for possível e oportuno”, destaca padre Estêvão.

No decorrer do curso, há encontros periódicos em que os missionários são acompanhados em grupos pela coordenação, onde se avaliam o processo de aculturação, a adaptação ao ambiente da casa, a participação do curso e o entrosamento com o grupo.

Lee Yunjo, que assumiu o nome de irmã Anastácia, das Irmãs Missionárias de Maryknoll na Coreia do Sul, acredita que existem várias maneiras para responder ao chamado de Deus. “A minha resposta a esse chamado é fazer missões relacionadas às transformações que acontecem em culturas distintas, e fazer o amor de Deus mais visível e palpável.”

Compartilhar o amor de Deus, segundo irmã Anastácia, é a resposta mais precisa sobre o que é ser missionário: “Já trabalhei em diversos países antes de chegar ao Brasil, e cada lugar tem sua particularidade, mas tudo é regido pela graça divina.”
Sobre o Ano dedicado à Vida Consagrada recém-encerrado, irmã Anastácia diz ter sido um período para renovar sua vocação, assim como para avaliar seu compromisso com a missão. “Renovei a promessa batismal que fiz e pude discernir mais profundamente o meu compromisso.”

O CCM acolhe também o padre Joseph Kouadio, natural da Costa do Marfim, onde esteve parte do ano passado no serviço de animação vocacional e também passou por Roma, Itália em missão no Pontifício Instituto das Missões Exteriores (PIME).

Partilhar a alegria do evangelho em qualquer lugar e situação tem sido a resposta ao chamado do Senhor. Padre Joseph assim resume seu compromisso com a missão. “O que me mantém fiel à vocação é o amor e a graça de Deus que não faltam em minha vida mesmo nos momentos mais difíceis, em que a saudade aperta. É a motivação para compartilhar a Boa Nova que alegra o meu coração.

“

Natural da Polônia, Tomasz Bojdo, o leigo ligado à Ordem dos frades menores capuchinhos, foi estudar na Itália e lá conheceu um grupo de missionários brasileiros. A partir desse encontro, surgiu o desejo de ser missionário no Brasil. Tomasz trabalha com o grupo de jovens formado pelos capuchinhos de Assis na Itália, Ragazzi Missionari (Ra.Mi) e com eles fez a experiência de visitar a Amazônia e conviver com a população ribeirinha.

“Amar o próximo”, essa é a diretriz que define a vocação de Tomasz: “O convívio que tive com a comunidade do Alto Solimões (AM) me trouxe a certeza de que não importa onde você esteja, o que vale são as pessoas e suas necessidades.”

O curso tem possibilitado, aos missionários e missionárias, momentos de aprendizagem e escuta ao chamado de Deus. Eles afirmam que têm vivenciado uma caminhada consciente e dispostos a assumir um profundo processo de discipulado.

Desde sua criação em 1972, já passaram pelo curso, 4.300 missionários estrangeiros. Nisso, há muitos que são acolhidos pelas suas congregações e comunidades religiosas.

Publicado no Informativo SIM das POM, n. 1 – janeiro a março de 2016.

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