Islamismo: “Fatos históricos positivos favorecem relações de respeito”, afirma Sheikh

Por Rosinha | 07.12.2015 | Por ocasião dos atentados ocorridos na França e casos de preconceitos relativos às comunidades Islâmicas, narrados pela Imprensa, também no Brasil, a Assessoria de Comunicação da CRB Nacional conversou, por telefone, com o membro fundador do Conselho Superior dos Teólogos e Assuntos Islâmicos no Brasil e presidente do Centro Inter-fé das Américas, o sheikh Houssam Ahmad El Boustani. Ele falou sobre o Estado Islâmico, as relações dos brasileiros com a comunidade islâmica e o significado da visita de São Francisco de Assis ao Sultão do Egito, há 796 anos.

Como o senhor analisa as relações dos brasileiros com a comunidade islâmica após os atentados em Paris?

Sheikh Houssam – Em primeiro lugar, graças a Deus a comunidade brasileira, o povo brasileiro é carinhoso e sabe diferenciar atos de terror e religião. Isso é muito importante. Pessoas de alto nível cultural condenam o criminoso sem cunhar a religião, pois sabem que esta não tem nada a ver com isso.

Então o senhor acredita que os muçulmanos no Brasil não são atingidos por atos de preconceito no momento.

Sheikh Houssam – Graças a Deus, o eco desse ato criminoso não nos tem atingido aqui no Brasil. Não estamos sofrendo nenhum tipo de preconceito, chantagem ou perseguição. A possibilidade de preconceito, graças a Deus, posso dizer, é quase zero.

Mas a imprensa tem divulgado atos preconceituosos de brasileiros em Curitiba- PR, por exemplo, quando mulheres muçulmanas foram atacadas e apedrejadas. Isso não preocupa o senhor?

Sheikh Houssam – A mim não preocupa de jeito nenhum porque são casos isolados. Me sinto preocupado quando alguns órgãos se reúnem para atacar ou perseguir os muçulmanos, o que não é o caso do Brasil. Isso não acontece aqui e nem vai acontecer, acredito. Esperamos que esses fatos isolados, talvez cometidos por ignorantes, não se tornem futuramente um movimento contra a existência de estrangeiros aqui no Brasil.

Houve um encontro entre o senhor e o cardeal arcebispo de São Paulo para firmarem um acordo. De que se tratava?

Sheikh Houssam – Assumimos e assinamos um acordo com o Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, no qual condenamos qualquer prática de violência em nome de Deus, em nome da religião. Cada religião que sofre este tipo de ofensa merece a nossa solidariedade.

Os Franciscanos visitaram a Comunidade Islâmica de Brasília como um ato de solidariedade neste momento de conflitos que atinge o Islam. O senhor o considera importante?

Sheikh Houssam – Sim, porque isso mostra a fraternidade que há entre essas duas religiões. Queremos mostrar que as religiões pregam a paz, o amor. É importante para comunidade destacar esse assunto neste momento exato.

Em 2019, a Família Franciscana se reunirá com a Comunidade Islâmica para celebrar os 800 anos da visita de São Francisco ao Sultão do Egito. O senhor acha que isto representa algo para as relações entre a Igreja Católica e o Islamismo?

Sheikh Houssam – Sem dúvida alguma, acrescenta muito e evita o preconceito religioso entre ambas futuramente. Vocês estão de parabéns por lembrar esses fatos históricos que ajudam no nosso presente e no nosso futuro.

De acordo com os Franciscanos foi esse encontro que abriu as portas para a entrada da Igreja em países muçulmanos como, por exemplo, a presença dos Franciscanos no Egito, na Síria até em Jerusalém. O que o senhor diz a respeito?

Sheikh Houssam – Temos a presença dos Franciscanos na Síria, no Líbano e em vários países árabes devido a esse encontro entre São Francisco e o Sultão do Egito. Isso nos ajuda a ver como os fatos positivos históricos favorecem a relação de respeito entre as religiões.

O que é o Estado Islâmico?

Sheikh Houssam – Se você me pergunta religiosamente,  o estado islâmico não apresenta nada do mundo islâmico. Se você me pergunta politicamente, o Estado Islâmico é criado por alguns governos da região apoiado por governos de fora para difamar a religião islâmica e os muçulmanos do mundo inteiro. Infelizmente quem está sofrendo na mão deles são os próprios muçulmanos. Todos os códigos oficiais muçulmanos , não reconhecem este grupo como Estado e condenam a prática desse partido terrorista que pratica atos bárbaros sob a máscara da religião.

Há quem diga que os ataques terroristas na Europa podem ser uma forma de revidar a colonização feita pelos países europeus no passado. O senhor concorda?

Sheikh Houssam – Eu acredito que não. Em primeiro lugar, o fato histórico não deve ser usado como argumento. Em segundo lugar,  porque, infelizmente, são pessoas que não têm equilíbrio. Em geral o histórico deles é de que  são usuários de drogas, de maconha, esse tipo de coisa. Eles não têm esse conhecimento histórico, portanto, não têm base suficiente para fazerem memória da história e se vingar. E nem tiveram iniciação cultural para isso. O que eu acredito que acontece com a Europa é que a política europeia atual não consegue integrar esses imigrantes.

Leia também: O diálogo de São Francisco com o Sultão do Egito

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