A modalidade migratória como recurso teórico-metodológico para compreender o migrante como sujeito

Por Rosinha Martins /08.06.2016 /A crise migratória atual, os deslocamentos contínuos de seres humanos que, sem medir as consequências, arriscam as próprias vidas em busca de oportunidades e melhores condições de vida em outros países, tem ampliado o debate sobre a mobilidade humana no viés da questão dos direitos humanos.

Por essa razão as Missionárias de São Carlos- Scalabrinianas tem chamado a sociedade para o debate sobre o tema para responder em rede e com maior eficácia os desafios da mobilidade humana em dias atuais.

É nesse intuito que acontece o Seminário Internacional sobre Mobilidade Humana, na Faculdade de Direito da UNB, em Brasília desde o dia 7 e prossegue até a tarde desta quinta, 9.

Convidada especial para o debate, a Pesquisadora do Núcleo de Estudos de População da Unicamp- SP, e doutora em sociologia, a professora Rosana Baeninger versou sobre o tema da migração internacional como modalidades migratórias contemporâneas.

De acordo com a professora Rosana, para entender o processo migratório hoje, se faz necessário entender as modalidades migratórias. “Isso se faz necessário porque temos uma simultaneidade de fluxos diferenciados adentrando pelos países e no Brasil teremos a configuração de fluxos migratórios com e sem raízes históricas”.

Logo, olhar para as modalidades migratórias permite que que dentro de um mesmo fluxo se olhe as heterogeneidades dos sujeitos migrantes neles envolvidos. A modalidade migratória é um recurso teórico-metodológico para que se enxergue os migrantes como sujeitos migrantes e que se saiba que dentro da desconstrução de grandes categorias ‘o imigrante, o boliviano, o haitiano, a haitiana’, existem diferenciações, projetos migratórios diferenciados, anseios, expectativas muito diversificadas.

Baeninger está segura de que modalidade migratória possibilita um novo olhar da heterogeneidade, da diversidade dos fluxos migratórios, entre os fluxos, mas dentro das próprias nacionalidades. “Olhar a modalidade, inclui ouvir o imigrante, saber qual é o seu projeto migratório. Não que seja uma política direcionada para aquele contingente da Bolívia, por exemplo, dentro do qual existem heterogeneidades e projetos muitos diferenciados”.

A políticas, atesta Rosana, tem que atender as enormes diversidades de situações, de contextos e de vidas migratórias em trânsito.

Segundo a assessora, do ponto de vista acadêmico já se fala muito dos imigrantes, “mas é fundamental que eles falem de si para nós para que saibamos o que podemos melhorar na oferta das políticas sociais, das interações sociais, das necessidades dessa imigração”.

Rosana concluiu dizendo que se tende a ver a migração no seu processo assimilacionista, como se esse migrante ficasse no Brasil dentro das características do imigrante ideal que nós queremos, que o Brasil sempre criou no seu imaginário migratório. “E na verdade o imigrante pode estar aqui de passagem ou o Brasil para ele pode ser também um destino migratório mas com perspectivas que se renovam. Seu projeto migratório é dinâmico, se renova a cada momento que o sujeito imigrante se ressignifica no lugar de destino também”.

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