A lenta e profunda transformação profética

Foto de Franco Origlia/Getty Images

O vento que varreu a Praça São Pedro, em Roma, na noite de 13 de março de 2013 e levou para longe a fumaça branca, anunciando o novo pontífice, Jorge Mario Bergoglio – papa Francisco, foi abrindo lentamente as portas da Igreja. Com a paciência e constância dos ventos que sopram na amplitude dos lugares abertos, o novo Papa deixou que os ares cruzassem e rompessem as portas e janelas do Vaticano e trouxessem uma lufada de frescor. Com seu jeito particular, Francisco abandonou o Palácio Apostólico, residência dos pontífices desde o século XIV, e fez morada na Casa Santa Marta, local bem mais modesto, ainda mais para os padrões papais. Deixou de lado os ornamentos vermelhos e dourados e preferiu a sobriedade das roupas de cor branca e tons de tecidos crus.

Foi, justamente, em um desses dias de vento na Praça São Pedro que Bergoglio percebeu que os ares sopravam em direção ao Mediterrâneo. Decidiu que sua primeira viagem seria a Lampedusa, a ilha que abriga a esperança para milhares de refugiados vindos da Tunísia e o ponto sensível de uma União Europeia insensível ao drama contemporâneo de quem tenta se exilar da fome, da guerra e do sofrimento. Esse era o primeiro passo do papa Francisco em direção a um pontificado que o transformaria, em pouco tempo, em uma das principais lideranças geopolíticas do planeta no século XXI.

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