Novas Gerações são chamadas a permanecer como sentinelas da esperança em tempos de travessia

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A manhã do segundo dia do VI Congresso Nacional das Novas Gerações da Vida Religiosa Consagrada foi dedicada à reflexão sobre o lugar e a missão das novas gerações diante das travessias vividas pela Igreja, pela sociedade e pela própria Vida Religiosa Consagrada. A assessoria foi conduzida pela Ir. Zuleica Silvano, religiosa paulina, que provocou os participantes a olharem para o presente com discernimento, coragem e esperança.

Com o tema “Caminhando ao encontro de Jesus em tempos de travessia”, a reflexão partiu da compreensão de que caminhar implica movimento, processo e itinerário, tendo como direção fundamental o encontro com Jesus. Ao mesmo tempo, a travessia traz consigo o desconhecido e exige disponibilidade para se colocar a caminho.

A assessora destacou que o tempo presente é marcado por profundas transformações. Não se trata apenas de mudanças políticas, econômicas ou ambientais, mas também de uma crise antropológica e relacional, atravessada pelo individualismo, pela cultura do descarte, pelo enfraquecimento dos vínculos sociais e pela perda do sentido do bem comum.

Discernir o que permanece e o que precisa nascer de novo

Ao trazer a reflexão para a realidade da Vida Religiosa Consagrada, Ir. Zuleica Silvano chamou a atenção para a diversidade das travessias experimentadas pelas congregações e pelas diferentes gerações. Nesse contexto, afirmou que não basta simplesmente adaptar-se a uma sociedade em transformação. É necessário discernir o que precisa ser preservado, o que necessita de conversão e o que deve nascer de novo, sempre em fidelidade ao Evangelho e à realidade.

A reflexão também alertou para o risco de permanecer apenas na crítica às instituições. Mais do que apontar aquilo que já não responde às necessidades do tempo presente, é preciso assumir a responsabilidade de construir novos caminhos ao longo da própria travessia.

Essa perspectiva colocou as novas gerações diante de uma pergunta fundamental: como manter viva a tradição sem simplesmente reproduzir os mesmos modelos? Segundo a assessoria, tradição e novidade não precisam ser compreendidas como realidades opostas. A tradição permanece viva quando é relida à luz da Palavra de Deus e das novas realidades históricas.

Maria e Isabel: encontro que gera esperança

A Visitação de Maria a Isabel foi apresentada como um dos ícones para compreender a travessia. A jovem Maria e a idosa Isabel vivem experiências inesperadas e encontram uma na outra espaço de escuta, acolhida e partilha.

Nesse encontro, as vulnerabilidades não impedem a caminhada. Ao contrário, tornam-se possibilidade de comunhão. A fé é compartilhada em gestos cotidianos de solidariedade, e as duas mulheres se apoiam diante das novidades e incertezas que atravessam suas vidas.

A assessoria destacou que esse encontro lança luz sobre o passado, cria comunhão no presente e mantém viva a esperança no futuro. A provocação feita aos participantes concentrou-se justamente em como acolher e “acalentar” o novo de maneira partilhada, e não na solidão.

Sentinelas da esperança

Outro momento central da reflexão foi dedicado ao Magnificat. O canto de Maria foi apresentado não apenas como expressão de gratidão, mas também como um canto profético que anuncia as maravilhas de Deus, consola o povo diante do caos e denuncia aquilo que contraria o projeto divino.

Maria foi apresentada como imagem de um povo “grávido” de esperança, que aguarda e participa da construção do Reino de Deus na história. É nesse sentido que a reflexão recuperou a imagem das sentinelas da esperança.

Um dos apelos mais fortes dirigidos às novas gerações foi: “Não abandone seu posto de protagonista da história, de sentinela da esperança.” A esperança, conforme destacou a assessoria, não pode ser confundida com um otimismo fácil. Ela se fundamenta na promessa de Deus e se traduz em dedicação, fidelidade e compromisso com a história.

A salvação vem ao encontro da humanidade, mas cabe a cada pessoa torná-la visível por meio de seus sonhos, escolhas e compromissos. O seguimento de Jesus, nesse sentido, torna-se o princípio que orienta a vida e convoca religiosas e religiosos a serem profetas e profetisas da esperança.

Nicodemos e a coragem de atravessar a noite

Na sequência da reflexão, Nicodemos foi apresentado como o homem que caminha e busca. Sua trajetória permite pensar as “noites” atravessadas pessoalmente, comunitariamente e também pela Vida Religiosa Consagrada.

Nicodemos procura Jesus durante a noite. Há medo, dificuldade de compreender a novidade e hesitação, mas há também inquietação e busca. A partir dessa figura, Ir. Zuleica Silvano provocou os participantes a reconhecerem e nomearem suas próprias noites: os medos vividos pessoalmente e como Vida Religiosa Consagrada, as perguntas que ainda não encontram coragem para formular e as inquietações provocadas pelas palavras e pelos gestos de Jesus.

A reflexão mostrou que reconhecer a noite não significa permanecer nela. É justamente no coração da noite que se abre a possibilidade da aurora e da ação de Deus. A travessia, portanto, torna-se também espaço de busca, conversão e esperança.

Protagonistas da história

A manhã de reflexão deixou às novas gerações um chamado à responsabilidade diante do presente e do futuro da Vida Religiosa Consagrada. Mais do que espectadores das transformações em curso, religiosas e religiosos são convidados a assumir seu lugar na história, discernindo novos caminhos e permanecendo atentos à ação de Deus.

Em tempos marcados por incertezas e mudanças profundas, o desafio lançado pela assessoria da Ir. Zuleica Silvano, religiosa paulina, foi o de não abandonar o caminho, não perder a capacidade de sonhar e não renunciar à força profética da esperança.

Ser sentinela, nesse contexto, significa permanecer atento mesmo durante a noite, acreditando que a aurora é possível. Para as novas gerações, significa também assumir a responsabilidade de construir, em comunhão, os caminhos de uma Vida Religiosa Consagrada capaz de continuar caminhando ao encontro de Jesus e de responder, com fidelidade e criatividade, aos desafios do nosso tempo.

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