Inspetoria Salesiana BH| 08.01.15| A festa da Epifania do Senhor antecipa a manifestação de Deus na vida, na história de Irmã Irene Lanna. A encarnação de Jesus é o fundamento para compreender a Revelação de Deus, na história da humanidade.  Deus olhou, soprou, modelou, fecundou a terra, amou-a. Faça-se! … E viu que tudo era bom. O Espírito anunciou, tocou, dialogou e fecundou o Verbo em Maria – Faça-se e, mim…! Uma luz brilhou para todos, Jesus – o Príncipe da Paz.

Desde o princípio, Irmã Irene se encontrava no sopro, no toque, no diálogo de Deus e Ele chamou-a, Paz. A Paz se encarnou na humanidade que Ele amou.

Irmã Irene Lanna nasceu em Ponte Nova, Minas Gerais, no dia 11 de junho de 1903. É a primeira de treze filhos do casal, Miguel Antônio de Lanna e Silva, advogado, senador pelo estado de Minas Gerais, e Leonor Valentim Lanna, natural de Santo Antônio do Grama MG.

A origem da família Lanna no Brasil remonta fins do século XVII, quando da chegada de Jean de Lane, procedente de Bayonne na França. Inicialmente Jean de Lane radicou-se no Rio de Janeiro, casou-se com dona Maria de Jesus, teve 6 filhas entre as quais uma deu origem aos ascendentes da Irmã Irene. Transferiu residência para Minas Gerais radicando-se em São Bartolomeu, próximo a Ouro Preto MG.

Irmã Irene foi aluna interna na Escola Normal Nossa Senhora Auxiliadora de Ponte Nova MG. Percebia que as Irmãs eram muito unidas e que se queriam muito bem. Isso a atraiu, levando-a a ingressar-se no Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, no dia 19 de março de 1922, logo que concluiu o Magistério. Sempre demonstrou sua vocação religiosa no que foi acatada pela família.

Iniciou o Postulado no Colégio Santa Inês SP, no dia 02 de julho de 1922. No ano seguinte, 06 de janeiro de 1923, entrou no Noviciado, na Casa Nossa Senhora das Graças.

No próprio Noviciado, Casa Nossa Senhora das Graças SP, Ir. Irene Lanna fez a Primeira Profissão, no dia 06 de janeiro de 1925.

A Cerimônia da Epifania encerrou o Retiro Espiritual. Em seguida foi realizada a celebração de Primeira Profissão de sete noviças, presidida pelo Inspetor salesiano que fez uma pequena homilia. Após a Profissão, Ir. Irene foi destinada ao Colégio Santa Inês SP, como professora.

De 1926 a 1928, esteve no Colégio Imaculada Conceição em Corumbá MS, também como professora; 1929, no Colégio Santa Teresa, Niterói RJ; 1930, no Centro Educacional Nossa Senhora Auxiliadora de Campos RJ. Nesse mesmo ano, no dia 16 de dezembro de 1930, fez a Profissão Perpétua no Colégio Nossa Senhora do Carmo de Guaratinguetá SP, sendo transferida para o Instituto Santa Carlota, em Lorena SP, onde esteve de 1931 a 1935, também como cronista da casa. Foi professora até esse momento.

De 1936 a 1938, Irmã Irene permaneceu no Instituto Santa Carlota, ainda como professora e cronista, porém iniciando seu serviço de diretora da comunidade e da escola. Assim continuou por longos anos, transferindo-se com frequência. De 1939 a 1944 esteve no Instituto Auxiliadora de Silvânia GO, desempenhando a mesma função. De 1945 a 1949, no Centro Educacional Pio XII de Belo Horizonte MG. Nessa época, tornou-se a primeira Conselheira brasileira. De 1950 a 1954, no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora de Campo Grande MS, onde, em 1953 e 1954 foi Conselheira Inspetorial; de 1955 a 1960, retornou ao Centro Educacional Nossa Senhora Auxiliadora de Campos RJ; 1961 e 1962, esteve no Instituto Auxiliadora de São João del Rei; de 1963 a 1965, retornou mais uma vez ao Centro Educacional Pio XII de Belo Horizonte MG e em 1966, novamente a São João del Rei; de 1967 a 1972 morou no Instituto Nossa Senhora Auxiliadora de Cachoeira do Campo MG. Entre 1961 e 1969, Ir. Irene foi Conselheira Inspetorial em Belo Horizonte MG. Sua vida, sua atuação, teve uma grande expressão por onde passou. Foi diretora por quarenta anos. Portanto destacou-se como Diretora de comunidade, Diretora de escola, Conselheira Provincial.

Muito cedo foi reconhecida por seus dotes singulares de religiosa, salesiana e educadora, capaz de animar comunidades.

Irmã Irene é uma daquelas Irmãs consideradas “esteio” da Província, pois colaborou significativamente na consolidação da vida e da missão da mesma, sobretudo com seu modo de ser, sua fidelidade serena, sua tenacidade, coerência e delicadeza de coração. Muitas Irmãs testemunham, bem como ex-alunas, sua atenção às necessidades de cada uma, sua capacidade de ensinar sem ostentação, de acompanhar com ternura, compreensão e exigir com bondade e paciência. Acreditava nas jovens e nas Irmãs.

Ela passou por vários estados do Brasil deixando um legado de sabedoria e paz, em muitas comunidades. Não se esquivou das muitas necessidades de mudanças e contínuas adaptações.

A Filha de Maria Auxiliadora, na linha do tempo, mais próxima das origens, sempre encantou pela distinção e elegância, pela fineza de trato, retidão de vida, coerência, determinação aliada à ponderação e serenidade, de maneira que, naturalmente, sempre falou de paz. As muitas Irmãs que a tiveram como superiora falam de Ir. Irene com sincera veneração, não pela idade que atingiu, mas pela maneira como viveu. E é unânime o depoimento sobre a sua peculiar discrição. Sempre incapaz de um deslize nesse ponto, o que lhe granjeava admiração e confiança. De sua boca, nunca saía um comentário ou uma palavra inoportuna. Sempre falou apenas o necessário.

Em 1973 passou pela Escola Normal Nossa Senhora Auxiliadora de Ponte Nova MG, como Vigária local, mas no mesmo ano foi-lhe solicitado o serviço de diretora da comunidade e da escola no Colégio Auxilium de Anápolis GO. De 1974 a 1976 foi diretora da Comunidade da Casa Madre Mazzarello (casa de repouso), quando a mesma ainda era anexa ao Colégio Pio XII.

Retornou a Ponte Nova, por sete anos seguidos, de 1977 a 1983, como professora de datilografia. Voltou à Casa Madre Mazzarello como Conselheira local, de 1984 a 1986. Mais uma vez a Ponte nova, de 1987 a 1991, como professora de datilografia e assistente.

Aos 87 anos de idade, Ir. Irene passou à Casa de repouso, Madre Mazzarello, onde se encontra. Bastante lúcida, amavelmente, agradece a quem a visita ou lhe presta um serviço, como às enfermeiras pelos cuidados.

Sua vida bem vivida, consagrada a uma grande causa é fato mais que notável. 111 anos de lucidez, embora já frágil, comunica a fortaleza cultivada na fé, na fraternidade e no trabalho cotidiano, na serenidade que testemunhou na comunidade e na missão e que continua como forte testemunho de fidelidade e de entrega ao Senhor, alicerçada na oração, no amor à Eucaristia e a Maria Auxiliadora.

Ela afirma que viver bem, em paz, é o segredo de sua vida longa saudável. Irmã Irene é forte sinal de doação da vida, de sentido dado à sua longa existência. Portanto torna-se para a sociedade, para o jovem, para as Irmãs, esperança-certeza de que, o duradouro tem grande valor – a vida bem vivida, a vida consagrada a uma grande causa: Jesus Cristo e seu Reino. Leia a íntegra…

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