ENTREVISTA COM DOM SÉRGIO DA ROCHA

Por ocasião do encerramento do Ano da Vida Consagrada, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e arcebispo de Brasília, dom Sérgio da Rocha, falou exclusivamente à Assessoria de Comunicação da CRB Nacional. Dos religiosos de sua arquidiocese dom Sérgio espera o testemunho pessoal e comunitário, espírito missionário e presença profética.

Por Rosinha Martins | 02.02.2016 | A Igreja encerrou, oficialmente nesta terça, 02, Festa da Apresentação do Senhor e Dia Mundial da Vida Consagrada, o Ano dedicado aos consagrados. Projeto do Papa Francisco o Ano mobilizou religiosos do mundo inteiro, – os quais se somam mais de um milhão,- a celebrar e refletir sobre a sua vida e missão na Igreja e na sociedade.

Em Brasília – DF, cerca de 200 religiosos das mais variadas Congregações se reuniram na Catedral Metropolitana para encerrar o Ano Jubilar. A iniciativa foi do arcebispo da Arquidiocese de Brasília e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Sérgio da Rocha.

Em entrevista, o arcebispo fez um balanço do Ano e ressaltou que a arquidiocese aproveitou de vários momentos e atividades realizadas, como a jornada vocacional e a Semana Santa para valorizar a vocação à Vida Consagrada no Distrito Federal. “Na missa do Crisma, por exemplo, fizemos uma homenagem à todas as pessoas consagradas levando –as até o presbitério para serem homenageadas pela comunidade”. A jornada vocacional, também, priorizou o tema. De modo geral creio que foi uma oportunidade especial, privilegiada para revalorizar a Vida Religiosa e para expressar melhor gratidão e apoio as pessoas que abraçam este estilo de vida”.

Para dom Sérgio, embora tenha terminado o Ano da Vida Consagrada, “o apoio e esforço de valorização dos consagrados, a promoção de vocações para este estilo de vida deve continuar’, até mesmo porque , segundo ele “muitos na Igreja e na sociedade ainda desconhecem esta vocação”.

Ao ser questionado sobre o que espera da Vida Consagrada da sua arquidiocese, o arcebispo destacou alguns elementos que a seu ver são fundamentais: o testemunho pessoal e comunitário e a missionariedade.

Testemunho pessoal e comunitário

“Testemunho pessoal e comunitário, acima de tudo. Precisamos, em Brasília, promover comunidades que vivam intensamente a vida comunitária religiosa para que isso seja um sinal no meio do nosso povo”.

Presença missionária

“Creio que essa presença missionária é importante. Não podemos ficar acomodados, cada congregação tem seu carisma, mas é preciso entender que a Igreja precisa das pessoas consagradas nas diversas situações e ambientes em que estamos, seja entre os mais pobres, seja nos chamados novos areópagos”.

O profetismo em tempos de novas tecnologias

Quanto a dimensão profética da Vida Religiosa, dom Sérgio entende que em tempos novos, a profecia também recebe novas conotações, novas expressões. “Hoje, por exemplo não temos mais a facilidade que tivemos em outros tempos, de visibilidade, pois a sociedade é plural demais, a Igreja é uma voz entre tantas outras, e precisa, sim, ser cada vez mais profética”, alega.

Quanto ao uso das novas tecnologias de comunicação que poderiam ser um lugar de profecia na atualidade, dom Sérgio acredita que os cristãos e a Vida Consagrada ainda deixam a desejar. “Ás vezes as pessoas repassam notícias que não tem nada de profético e que não tem a ver com a Igreja e com o Evangelho, e passam bobagens . O profetismo se dá hoje nas novas circunstâncias”, recordou.

A solidariedade com os pobres e excluídos

Segundo o presidente da CNBB, o profetismo entre os mais pobres se dá estando entre eles. “Não adianta alguém do palácio falar sobre os pobres. O profetismo precisa continuar. Nunca foi suficiente e hoje menos ainda, um profetismo só de palavras. Se ele não for acompanhado por um estilo de vida que, em si mesmo seja profético, será difícil convencer alguém de alguma coisa.

O profetismo, garante, se dá através do serviço e da coragem de estar junto aos pobres, o que exige audácia e coragem. “Porque ninguém estará num lugar pobre, no meio dos pobres sem se sensibilizar, sem se solidarizar a ponto de denunciar o que é contrário ao Evangelho”.

“Essa dimensão profética da denúncia, conclui dom Sérgio, tem que existir mas não através da janela do carro ou simplesmente da janela da casa onde alguém vive como religioso. Ou se põe no meio do povo e coloca o pé na lama, como diz o Papa em outras palavras, ou o profetismo por mais que alguém quisesse vivenciá-lo, não seria aquele profetismo cristão, bíblico.

Veja imagens do encerrramento

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