Papa na audiência: a esperança é a força dos mártires

Kamikaze não é mártir, nada lembra a atitude dos filhos de Deus. Nunca a violência. Para derrotar o mal, não se podem adotar os métodos do mal

(ZENIT – Cidade do Vaticano, 28 Jun. 2017).- O papa Francisco dedicou a catequese da audiência geral ao tema da esperança como força dos mártires.

Os fiéis chegados do mundo todo, receberam o Papa na praça de São Pedro com entusiasmo, gritando com força o seu nome, agitando as mãos e levantando as bandeiras dos seus países. Antes de chegar à praça, o pontífice recebeu uma delegação do sindicato italiano CISL.

No resumo final da audiência em português o Santo Padre disse: “Quando lemos a vida dos mártires, de ontem e de hoje, ficamos maravilhados ao ver a fortaleza com que enfrentam as provações. Esta fortaleza é sinal da grande esperança que os animava: nada e ninguém poderia separá-los do amor de Deus que lhes foi dado em Cristo Jesus”.

“Nos tempos de tribulação, devemos crer que Jesus vai à nossa frente e não cessa de acompanhar os seus discípulos”, disse e precisou que “a perseguição não está em contradição com o Evangelho; antes pelo contrário, faz parte dele: se perseguiram o divino Mestre, como podemos esperar que nos seja poupada a luta?”

Assim, mesmo no meio do turbilhão, o cristão não deve perder a esperança, julgando-se abandonado. Jesus assegura-nos: ‘Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais!’. Como se dissesse: Nenhum dos sofrimentos do homem, nem mesmo os mais íntimos e ocultos, passam despercebidos ou são invisíveis aos olhos de Deus. Deus vê; e, seguramente, protege e resgata-nos do mal”.

“De facto, no nosso meio, há Alguém que é mais forte do que o mal; Alguém que sempre ouve a voz do sangue de Abel que clama da terra. Com esta certeza, os mártires não vivem para si, não combatem para afirmar as próprias ideias e aceitam morrer apenas por fidelidade ao Evangelho”.

“A única forma de vida do cristão é o Evangelho. O martírio não é sequer o ideal supremo da vida cristã, porque, como diz o apóstolo Paulo, acima dele está a caridade, o amor a Deus e ao próximo”.

“Repugna aos cristãos –precisou o Papa– a ideia de que, nos atentados suicidas, aqueles que os fazem se possam chamar ‘mártires’: naquele desfecho final, não há nada que lembre a atitude dos filhos de Deus.

“A lógica evangélica aceita, nos cristãos, a prudência e até a esperteza, mas nunca a violência. Para derrotar o mal, não se podem adotar os métodos do mal”.

O Papa Francisco concluiu: Amados peregrinos vindos do Brasil e doutros países lusófonos, a todos saúdo, agradecido pelo afeto e as orações com que diariamente sustentais o meu ministério de Sucessor de Pedro. À nossa Mãe comum, a Virgem Maria, confio as vossas vidas e famílias, para elas implorando a graça de crescerem na intimidade com o seu divino Filho, fonte da verdadeira vida”.

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