A Pan-Amazônica é constituída pelo Brasil, Equador, Venezuela, Peru, Bolívia, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. A região inclui áreas urbanas, rurais, quilombolas, ribeirinhas, áreas de secas e de inundações, amplas estradas e vias barrentas, grandes florestas e o cerrado. Na Região vivem povos tradicionais, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas…

As grandes metrópoles são povoadas de imigrantes, operários e desempregados. Em vista de uma maior comunhão e articulação na missão da Igreja naquela vasta região, em setembro de 2014, foi criada a Rede Eclesial Pan-amazônica (REPAM) que, em março de 2015, foi apresentada ao papa Francisco, em Roma. A nossa Igreja servidora está presente na Amazônia, com missionários e missionárias que não deixam cair a esperança e a profecia. Existem projetos de Igrejas-Irmãs de apoio e solidariedade e a Comissão para a Amazônia da CNBB coordena diversas iniciativas de serviço. Contudo, há o alerta muito claro acerca dos problemas da região na fala do papa Francisco aos bispos brasileiros, na qual faz um apelo para dar maior atenção à evangelização e consolidar o “rosto amazônico” da Igreja na região. A Amazônia representa um teste para a sociedade e para a Igreja.

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– Como podemos apoiar missão da Igreja na Amazônia?

Dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho (RO), descreve a realidade: “A Amazônia está sofrendo uma grande avalanche de projetos do capital nacional e internacional que vê a Região simplesmente como um espaço a ser ocupado e explorado”. Entre as atividades predatórias do meio ambiente e dos povos locais, estão o agronegócio, as monoculturas de cana-de-açúcar, soja, dendê e eucalipto. A criação do gado bovino em grandes extensões, as hidrelétricas, as estradas e outras grandes obras. As populações indígenas e ribeirinhas são as mais afetadas em seus direitos fundamentais, embora sejam verdadeiros guardiões da biodiversidade. Reconhecemos nesses povos a riqueza de sua diversidade étnica e cultural, seus saberes e conhecimentos, seu patrimônio espiritual que nos apontam para outros caminhos de relação entre as pessoas, entre o ser humano e a criação e, com Deus Pai e Criador.

Testemunho

Chegamos a Roraima no início de 2002. Éramos um jovem casal de espanhóis, Leigos Missionários da Consolata. Logo nos inserimos na realidade da Amazônia, o que iria transformar a nossa vida para sempre. O nosso primeiro contato com a Missão foi um encontro com os povos indígenas da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, onde moramos os primeiros quatro anos. Devemos muito aos povos da Raposa Serra do Sol. Em sua luta paciente e decidida pela terra fomos descobrindo o sentido profundo da perseverança, união e esperança, na certeza da presença do Deus da Vida. Diante de sua profunda espiritualidade, aprendemos com os povos indígenas que a Missão passa pelo diálogo e admiração. A Missão inclui a defesa da vida e dos direitos e por isso mesmo exige também abraçar e assumir o conflito. Dificilmente há Missão sem conflito, sem Páscoa. Nessa experiência descobre-se a presença profunda de Deus.

Em Roraima fomos construindo também nossa família. Nasceram Mayu, Anai e Irén, nossos três filhos que carregam em seus nomes a comunhão profunda com a riqueza cultural que representa os povos indígenas para todo o mundo. Ser família em meio de outras famílias sempre ajudou a nos sentirmos próximos e irmãos de tantas e tantos que encontramos na caminhada.

A partir de Raposa Serra do Sol, a Missão ampliou bem mais nosso horizonte, e nisso devemos especialmente ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Assumimos a causa de todos os povos indígenas e de muitas outras comunidades que também fazem parte dessa ciranda da vida em defesa da terra e das águas, frente a um modelo econômico predatório que explora, ocupa e saqueia. Na Missão percebemos a complexidade desafiadora da Amazônia.

Em Boa Vista, onde também residimos por cinco anos, tivemos a oportunidade de conhecer e entrar na realidade das Comunidades Eclesiais de Base, das Pastorais Sociais e dos movimentos sociais. Uma Igreja comprometida, que busca sempre seu rosto amazônico; uma Igreja encarnada e libertadora, conforme definida na Assembleia de Santarém (PA) há mais de 40 anos atrás. Uma Igreja servidora em meio a um povo plural e complexo: indígenas, ribeirinhos, migrantes, quilombolas, seringueiros, castanheiros, no interior e nas pequenas e grandes cidades.

Hoje nos sentimos enraizados e abraçados pela Amazônia. Como leigos, como família e como missionários. A Missão é sempre se deixar surpreender pelo Deus presente na história e nos povos antes de você chegar. É tirar as sandálias e tomar o tempo necessário para descarregar os esquemas e poder caminhar com as pessoas, servindo-as. E na Amazônia, assumir essas atitudes significa assumir a causa dos povos e do Deus que caminha com eles.

Ester e Luis Ventura Fernández, leigos missionários da Consolata na Amazônia entre os anos 2002-2008 e 2012-2014.

Compromisso
Que tal contribuir com os projetos Igrejas-Irmãs ou outras campanhas em favor da missão na Amazônia? Iniciar uma campanha para que a nossa diocese envie missionários para a Região norte do Brasil.

Fonte: POM

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