Por Rosinha Martins| 22.08.14| De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), chega a 70%  o índice de mortalidade pelo vírus ebola em Serra Leoa, na África Ocidental e cerca de 783 pessoas já foram contaminadas e a situação escapa ao controle das organizações de saúde e pouco pode ser feito. Missionários, voluntários e a própria população procuram se virar como podem. Fato é que devido ao risco de ampliação dos casos, regiões inteiras são isoladas, o que causa outros problemas como questões de higiene, má alimentação, e agrava ainda mais a situação.

Em entrevista ao jornal O Dia, o médico brasileiro, da organização não governamental (ONG) Médicos Sem Fronteiras (MSF), dr. Paulo Reis, relatou emocionado a sensação quando se consegue salvar vidas.“Quando o paciente sai do isolamento e recebe alta, tem festa, fazemos questão de apertar a mão até para que as outras pessoas veja que ele está bem. É muito difícil descrever sentimentos, mas é uma emoção muito forte, colocar isso em palavras já não consigo”, disse.

Reis afirmou também que no caso de transporte do vírus para o Brasil, o surto seria muito pequeno, pois a disseminação da doença está muito ligada a questões culturais.  “Os hábitos culturais naqueles países contribuem para o contágio. É o caso dos rituais de enterro, em que se tem muito contato com a pessoa que morreu”. Segundo ele, comer macacos e morcegos é um hábito comum e estes são  potenciais transmissores que facilitam a contaminação.

Missionários correm riscos e tendem a abandonar a missão

A afirmação é do salesiano, padre Ubaldino Andrade, natural de Caracas, Capital Federal da República Bolivariana de Venezuela,    que atua como missionário em Serra Leoa.

Em mensagem à Agencia de Notícias Salesiana, o padre Uba, como é conhecido, disse que a situação é tão alarmante que religiosos e religiosas se vem obrigados a abandonar o país ou ir para realidades onde se corre menos risco de morte. “Algumas congregações estão deixando o país e outras se retiraram das regiões mais infectadas”, relatou.

Para o missionário, embora vivam em meio a uma situação grave e perigosa, eles passam por momentos de experiências profundas de Deus. “Quando acolhemos um grupo de crianças de rua com quem vivemos e trabalhamos em nossa casa, a casa se encheu de alegria e de vida … “.

Segundo Andrade, continuamente médico e enfermeiros vem a óbito. “Entre as enfermeiras que morreram, algumas não chegaram a terminar os estudos: morreram lutando contra uma doença totalmente desconhecida para elas”, afirma.

Mercado tira proveito da situação

Numa situação de vulnerabilidade como esta, os mercadores tentam tirar vantagens em detrimento da população. “Nos mercados, os preços das necessidades básicas sobem constantemente e alguns mantimentos não são mais encontrados”, relatou o padre Uba.

Ainda segundo o padre Uba, muitos pacientes, fiéis à sua crença, preferem curandeiros que a medicina e alegam ser, a epidemia,  “fruto de forças mágicas e a superstições têm, neste momento, uma influência maior e outros  insinuam a teoria da conspiração, alegando que os hospitais matariam pessoas inocentes para retirada do sangue e órgãos para transplante”.

Ao final de sua mensagem, padre Uba suplica às instituições, amigos e benfeitores e à sociedade em geral  que se unam aos salesianos para ajudar no combate ao vírus que dizima a África Ocidental.

Leia mensagem do padre Uba, na íntegra.

Presença da Vida Religiosa Consagrada no Continente Africano

De acordo com o Anuário Estatístico da Igreja Católica, edição 2013, o continente africano tem 193.667.400 fiéis católicos. A Vida Religiosa Consagrada marca presença missionária com  80.926 consagrados entre padres, Irmãos e Irmãs. Destes, 2019 missionários e missionárias estão espalhados nos países atingidos pelo ebola. Gana tem 269 padres, 226 Irmãos, e 1061 Irmãs. Serra Leoa contempla 75 padres, 52 Irmãos e 83 Irmãs.  A Libéria conta com a presença de 22 padres, 15 Irmãos e 66 Irmãs. Na Guiné, 22 padres, 25 Irmãos e 103 Irmãs.

No mês de agosto três missionários foram mortos vítimas da doença. Porém, de acordo com informações da brasileira, Missionária da Consolata, residente em Serra Leoa,  a Irmã Carmem Moser, outros missionários já  morreram vítimas do ebola.

Fonte: CRB Nacional

 

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