Por Eurides de Oliveira, icm| 24.09.13| O dia 23 de setembro é instituído internacionalmente como o dia de  enfrentamento à exploração sexual e ao tráfico de pessoas. Neste dia, em 1913, a Argentina promulgou a lei “palácios”, a primeira lei que punia quem promovesse ou facilitasse a prostituição e a corrupção de menores de idade. Esta lei inspirou muitos outros países a proteger mulheres  e crianças contra exploração sexual e o tráfico de pessoas.

 A escandalosa organização da rede criminosa do trafico de pessoas para fins de exploração sexual, trabalho escravo, comercio de órgãos, adoção ilegal ou práticas similares, revela a idolatria do sistema capitalista, que na arte de explorar, escravizar e mercantilizar tudo e todos em função do lucro,sacrificam vidas inocentes  no altar da ganancia. São milhares de crianças, adolescentes, mulheres e homens, vítimas desta abominável prática quelevam no corpo e na alma, duros golpes  e profundas cicatrizes físicas, psicológicas e morais.

Embora os dados disponíveis sejam um tanto imprecisos, as cifras divulgadas sobre esta prática  hedionda  são alarmantes.  Colocam o trafico de pessoas entre as três fontes ilícitas mais rentáveis da economia mundial: gente, drogas e armas, movimentando exorbitantes quantidades de dinheiro e utilizando de formas sofisticadas de exploração e violência.

            Para a Organização das Nações Unidas (ONU), o número de pessoas traficadas no planeta atinge a casa dos quatro milhões anuais. E o Brasil é um dos países campeões no mundo em relação ao fornecimento de pessoas, particularmente mulheres para o tráfico internacional.Estima-se que 700 mil mulheres e crianças passam todos os anos pelas fronteiras internacionais do tráfico humano. É o País responsável por 15% das pessoas exportadas da América Latina para a Europa.

             O Brasil é, portanto uma naçãode origem, transitoe destino do tráfico de pessoas. Além de fornecedor das vítimas para o trafico internacional, abriga em seu solo, uma infinidade de rotas e práticas  de trafico interno, tanto de exploração sexual, como de trabalho escravo rural e urbano.O mapa deste comércio tem sempre uma constante: as pessoas traficadas são na sua grande maioria provenientes de regiões pobres e levadas para as regiões ricas, seduzidas por falsas promessas, que lhes fazem acreditar na possibilidade de sair das situações de pobreza e vulnerabilidades  e têm os seus sonhos transformados em pesadelos.

Esta realidade-clamor constitui uma grave e inaceitável violação dos direitos humanos. Um atentado à dignidade e integridade das pessoas.Na afirmação do Papa Francisco:o tráfico de pessoas é uma atividade ignóbil, uma vergonha para nossas sociedades que afirmam serem civilizadas.A escravatura mais extensa neste século vinte e um.[1] Esta realidade se impõe como um grito, um apelo, uma provocação à indignação e aprofecia para a igreja e a sociedade.

Atenta e sensível a esta realidade, a Vida Religiosa do Brasil, através da Rede “Um Grito pela Vida”  desde 2006  tem como missão defender a vida, a dignidade e os direitos das pessoas empobrecidas, em particular das crianças, adolescentes e mulheres traficadas para fins de exploração sexual.

A Rede “Um Grito pela Vida” é Intercongregacional.  Constituída por aproximadamente 150 religiosas/os de diversas Regionais e Congregações. Um espaço de articulação e ação profético-solidária  da Vida Religiosa Consagrada do Brasil. É parte constitutiva da CRB Nacional Conferencia dos Religiosos do Brasil, atua de forma descentralizada e articulada com as organizações e iniciativas afins, nas diversas localidades, Estados e Municípios. Integra a Talitha kum – Rede internacional da Vida Religiosa Consagrada.

As religiosas/os que integram a Rede “Um grito pela Vida” atuam nas diversas regiões do país, articuladas em mais de vinte núcleos, integradas com as organizações eclesiais e civis, fomentando, promovendo e/ou participando de atividades e processos de prevenção e assistência e  intervenção política, buscando instruir e  instrumentalizar a sociedade a fim de coibir o crescimento da inserção de vítimas neste mercado do crime.

ENFRENTAR O TRÁFCIO DE PESSOAS É NOSSO COMPROMISSO

Para marcar este dia 23 de setembro – dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de pessoas,os núcleos da Rede “Um grito pela Vida”, em parceria com as organizações da sociedade e civil e governamentais realizamações de  sensibilização, prevenção e mobilização social e politica de enfrentamento ao trafico de pessoas, nos vários estados e municípios da federação onde estão presentes.

São atividades diversas: acampamentos nas praças, blitz informativa, caminhadas, oficinas e encontros formativos, coletivas de imprensas, cine-fóruns, debates… com o objetivo  de dar visibilidade e denunciar esta realidade-desafioque apesar de ser gravíssima e muito presente, ainda permanece oculta,  protegida  e sustentada pelo silencio social e a ineficiência na efetividade das politicas públicas, das redes de proteção  e das leis de enfrentamento a este crime.

            A erradicação desta triste realidade é  compromisso de  todas/os nós, que acreditamos na possibilidade de um “outro mundo possível”, em uma sociedade pautada no direito, na justiça social e na superação de toda forma de violência, exclusão e tráfico.

Este compromisso “…não pode e nem deve ser uma luta em prol de algumas vítimas desafortunadas do egoísmo humano, mas sim o ponto de partida para repensar as prioridades que orientam  a humanidade, para redirecionar o caminho do desenvolvimento econômico, para recolocar no centro da vida de cada pessoa a utopia da fraternidade universal, com progressiva eliminação de todos os ídolos que exigem sacrifícios humanos” [2]

Nesta perspectiva, na esperança de seguirmos tecendo os fios da solidariedade na defesa da vida das pessoas traficadas e ampliarmos, de forma efetiva, a otimização e articulação de nossos esforços e iniciativas, em prol de uma sociedade sem tráfico de pessoas.

           Contamos com vocês, junte-se a nós! Informe-se, participe desta luta! Vamos dar um basta a esta realidade que desumaniza e envergonha nossa humanidade!

           Denuncie o trafico de Pessoas – disque 100 ou 180.



[1]31 de março, 2013, homilia da Páscoa

[2]MARINUCI,Roberto. Trafico de pessoas e trabalho Escravo. II Seminário Nacional: 2012. Brasília-DF. Ed. CNBB p 11

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