Ser pai

O segundo domingo do mês de agosto coloca os pais em evidência. A dedicação de um dia por ano aos pais quebra a rotina e é salutar a todas as pessoas e à sociedade. Torna-se uma oportunidade para expressar gratidão, reviver o passado, revisar o presente, projetar o futuro, dar presentes, abraços, entre outras abordagens possíveis. A Igreja Católica, colocando-se neste contexto, reflete sobre a vocação paterna e materna. Isto é, a escolha de vida para ser pai; a escolha para ser mãe; a opção de constituir família. Uma autêntica opção é fruto de discernimento e de escolha entre outras possibilidades. É paternidade responsável.

Ser pai – ser mãe, normalmente, envolve a geração dos filhos e todas as consequências desta geração: cuidar, educar, criar. Origina-se uma missão para os pais que vai influenciar diretamente o rumo de suas vidas. Forma-se uma família. E a vida nunca mais será como antes da geração dos filhos. Uma missão que é um verdadeiro dom, pois os filhos são uma dádiva.

Uma família é um lugar de iniciação e de geração, ou seja, é o âmbito onde a pessoa é iniciada e gerada. No contato com os diferentes e as diferenças vai se conhecendo a si mesma. Existe o ato de gerar que o genitor opera em relação do filho. Também tem um ato de geração que o filho opera em relação ao genitor. Os pais se reconhecem através de seus filhos. Eles provocam nos pais questionamentos sobre o modo de viver a vida, de compreender o mundo, de se relacionar com Deus. Portanto, não são só os pais que geram os filhos, mas também os filhos geram os pais.

A função educativa dos pais é uma responsabilidade inevitável e intransferível. Não pode ser terceirizada, necessita ser realizada de modo consciente, entusiasta. Proporcionar o desenvolvimento humano e moral dos filhos requer apoio, acompanhamento, cura, vigilância e criatividade para inventar novos métodos e encontrar novos recursos.

O senso comum é de que vivemos uma crise de ética e moral. No colo dos pais experenciamos as primeiras lições morais: confiança na orientação dada pelos genitores, respeito ao próximo, distinguir entre bem e mal, entre certo e errado, quais os limites, sim e não, isto é meu e isto é teu e isto é nosso, por favor, com licença, obrigado. É criar o gosto pelo bem realizado. Educar pelas palavras e pelo afeto. Formar a consciência através do diálogo sobre as ações realizadas e as suas consequências.

Todo pai e toda mãe, de diversos modos, “perde” uma parte da própria vida – tempo, saúde, força – para que os filhos possam se tornar gente, pessoa humana. É uma perda que se torna riqueza e que, de algum modo, é restituída em forma de honra, surpresas, alegria e gratidão. Segundo as palavras de Jesus é receberem cem vezes aquilo que doaram.

Parabéns pais e que Deus os abençoe!

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo
11 de agosto de 2017

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