Encontro Nacional focaliza os formadores, no Ano da Vida Consagrada

Por  Rosinha Martins| 16.12.14| O Encontro Nacional de Formadores que acontecerá em outubro de 2015, em Fortaleza-CE, é uma das atividades da CRB Nacional como resposta a proposta do Papa Francisco sobre o Ano da Vida Consagrada.

“O objetivo do encontro é priorizar a pessoa do formador, dando-lhe oportunidade de formação, de encontro consigo mesmo em vista da missão que lhe é confiada. Além disso, as partilhas de experiências e prospectivas e aprofundamento sobre os religiosos/as que  queremos formar para o futuro serão momentos que enriquecerão o evento”, disse a presidente nacional da CRB, Irmã Maria Inês.

Padre Vitor Hugo Lourença 29, da Congregação da Paixão de Jesus Cristo (Passionista), trabalha na formação de postulantes,  em Colombo, Curitiba – PR, atua também como  coordenador da equipe de formação da Província e faz parte do Grupo de Trabalho que prepara este evento nacional. “O foco  será a pessoa do formador,  como este  se encontra no processo de formação: seus sonhos, seus desafios”.

Padre Vitor acrescentou, ainda, que em tempos atuais os desafios da formação são muitos, e o maior deles, a seu ver, é aquele da novidade constante que desinstala o formador, tirando-o do comodismo. “Hoje as coisas estão mais dinâmicas e exigem mais atenção, mobilidade de quem está conduzindo este processo”.

Ao se referir sobre  perfil do formador para os tempos atuais, ressalta que  “deve ser alguém aberto ao novo que nos vem, uma pessoa que tenha uma cabeça plural, que traga elementos de inculturação, enfim, que queira construir o processo junto com o formando. Não é possível hoje um formador que queira levar tudo pronto, conforme o  modelo antigo. Abertura, construção em conjunto, de  forma  corresponsável, que vê no formando o sujeito da sua formação, isto é, alguém que não só receberá, mas construirá junto”, atestou.

A religiosa  das Oblatas do Santíssimo Redentor, mestra de  Noviças  e postulantes, no bairro Tucuruvi – São Paulo,   a argentina Maria Alejandra Mancebo, 43, também membro do GT de organização do Seminário Nacional para formadores, destacou a importância da formação do formador. Razão desta é, segundo ela, que “ também o formador é um formando para a vida toda”.

Ao ser questionada sobre que tipo de formação o formador deve ter hoje para acompanhar a juventude e a sociedade atual, Mancebo destacou três áreas que, segundo ela, não se pode descuidar. “A área humana, pois  temos que continuar trabalhando sempre a nossa humanidade para fazer a formação, também, mais humana; a espiritualidade, porque,  se tiramos o foco de Jesus, ficamos perdidos, e a missão, no  sentido de estarmos próximas aos mais pobres, pois as nossas congregações estão ai. Deus nos chama para mostrar o rosto de Jesus para os mais empobrecidos, empobrecidas da realidade”.

Mancebo trouxe um elemento interessante para a formação vivido pela sua congregação. Diferentemente da maioria das Congregações e Ordens Religiosas que tem suas casas de formação isoladas da realidade com o objetivo de dar oportunidade para que as formandas/os possam aprofundar mais a espiritualidade e os conteúdos referentes à Ordem à qual pertencerá, as Oblatas dos Santíssimo Redentor veem como fundamental que a casa de formação seja em meio à missão, num ambiente missionário, em  meio dos mais necessitados e Mancebo justifica. “As meninas criam um paixão maior pelo ser missionário e isto ajuda o discernimento das motivações, de qual é, também, o seu lugar, se é esse ou não o carisma a que está chamada a servir. Pessoalmente acho muito importante e considero que a formação teria que contemplar, durante o noviciado, este tipo de experiência”, relata.

E acrescenta. “Acho que o positivo é que você nunca perde o chão, esse contato com  a missão é também alimento para a sua vida espiritual, sua vida de comunidade, tudo isso é como um vai e vem. Volta-se à própria experiência enriquecida pela vida, a dor, as lutas das mulheres em situação de prostituição, no nosso caso, – qualquer missão enriquece a vida de todos, sofredores, mas cheios de esperança – isso te faz ser mais coerente com a própria vida, com as próprias opções, é um enriquecimento mútuo. A experiência tem sido positiva”.

Ainda, de acordo com Irmã Maria Alejandra Mancebo, o que tem iluminado essa experiência é o fato de a formação ser desde, em e para a missão.  “Nós Oblatas não interrompemos a missão durante o noviciado. “Além da formação (espiritualidade), nunca tiramos o pé da missão: as meninas atuam conforme o nosso específico: o trabalho missionário com  mulheres em situação de prostituição”.

A programação das atividades missionárias das Oblatas do Santíssimo Redentor, conforme informa  a Irmã, sempre contemplam as formandas (noviças e postulantes e aspirantes) e elas trabalham com e como as Irmãs, com exceção da quantidade de horas de trabalho que,  para as jovens em formação, deve ser um pouco diferente. “Por exemplo, as Irmãs assumem o trabalho missionário  todos os dias, as noviças,  uma vez por semana, devido as outras atividades de formação interna.

 Sobre a importância do Ano da Vida Consagrada,  Mancebo vê,  neste,  uma  oportunidade para a Vida Religiosa  refletir qual o lugar está ocupando para se reencantar com este chamado que todas e todos os religiosos/as sentiram  pela primeira vez,  para voltar a experimentar este apaixonamento por Jesus e serem testemunhas de uma vida contagiante como possibilidade para que outras pessoas venham a somar-se a este estilo de vida.

O Seminário Nacional de Formadores e Formadoras se realizará de 22 a 26 de outubro de 2015, em Fortaleza – CE. Fazem parte do GT de organização as assessoras e assessor executivo da CRB Nacional, Irmã Vanezia Silva Pereira, mst (Setor Juventudes), Irmã Francisca Vanderley, ij e padre Mário Roessler, msc (Setor Formação Continuada), Irmã Maria Alejandra Mancebo, da Congregação das  Oblatas do Santíssimo Redentor e padre Vitor Hugo Lourença, da Congregação da Paixão de Jesus Cristo e Irmã Fátima Moraes, Apóstola do Sagrado Coração de Jesus.

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