A Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB Nacional) divulga a Carta intitulada “Pelo discernimento ético e democrático no processo eleitoral brasileiro”, na qual conclama religiosas, religiosos e pessoas de boa vontade a promoverem um processo de reflexão, oração, diálogo e formação diante das eleições de 2026. O documento reafirma o compromisso da Vida Religiosa Consagrada com a defesa da democracia, dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana.
Assinada pela presidente da CRB Nacional, Ir. Maria do Disterro Rocha Santos, FCIM, pelo primeiro vice-presidente, Pe. Francisco Sydney de Macêdo Gonçalves, SDS, e pela Coordenação da Equipe Interdisciplinar, Ir. Edgar Genuino Nicodem , FSC, Coordenador da Equipe Interdisciplinar e Ir. Sueli Aparecida Belatto, CNSCSA, Vice-Coordenadora da Equipe Interdisciplinar, a carta afirma que o período eleitoral representa um momento de discernimento sobre os rumos do país, os projetos em disputa e os valores que orientam a vida pública.
No texto, a CRB convida comunidades religiosas, institutos e congregações a promoverem espaços de estudo e reflexão sobre temas como defesa da democracia, direitos humanos, políticas públicas, combate às desigualdades, proteção da vida, liberdade de consciência, ecologia, cultura da paz e responsabilidade dos cristãos na vida pública. A proposta é fortalecer a participação com base na Doutrina Social da Igreja e no Evangelho.
A carta também manifesta preocupação com o crescimento da desinformação, da disseminação de fake news e da manipulação digital durante o processo eleitoral. Segundo o documento, o uso das novas tecnologias, especialmente da Inteligência Artificial, pode comprometer a liberdade de consciência e o discernimento da população por meio da criação de conteúdos falsos, imagens alteradas e discursos.
Ao abordar esse tema, a CRB recorda os alertas do Papa Leão XIV sobre os impactos da Inteligência Artificial. O documento afirma que o desenvolvimento tecnológico deve estar a serviço da dignidade humana, da verdade, da fraternidade e do bem comum, e não ser utilizado como instrumento de manipulação ou desumanização.
Outro ponto abordado é a preocupação com o uso da religião para fins eleitorais. A Conferência afirma que a fé cristã não pode ser reduzida a instrumento ou mecanismo de controle das consciências e alerta para o uso da religião para justificar intolerâncias, violências ou projetos. A entidade também incentiva religiosas e religiosos a cultivarem o pensamento, o discernimento e a autonomia de consciência.
A CRB também reforça a importância da formação sociopolítica nas comunidades religiosas, incentivando práticas de escuta, estudo e diálogo que favoreçam a análise das informações compartilhadas nas redes sociais, nos ambientes religiosos e no debate público. O documento ressalta que a democracia depende da participação da sociedade e que o compromisso cristão exige responsabilidade na busca e na divulgação da verdade.
Ao concluir a carta, a Conferência recorda a trajetória da Vida Religiosa Consagrada no Brasil junto aos pobres, à educação, à promoção dos direitos humanos e à construção da paz. A entidade convida as comunidades religiosas a intensificarem, nos próximos meses, momentos de reflexão, estudo, diálogo e oração sobre o processo eleitoral, iluminados pela Palavra de Deus e pela Doutrina Social da Igreja, para que as eleições contribuam para o fortalecimento da democracia, da esperança e da responsabilidade.




