A energia da adolescência

 

Segundo Dionísio da Silva, adolescente origina-se “do latim adolescens, adolescentis, designando o que cresce, aumenta, queima. O vocábulo radica-se em adolens, ardente”. Ainda de acordo com o mesmo autor, denomina-se adolescência para “o período de crescimento desordenado do ser humano entre os 12 e os 20 anos, quando ocorrem transformações físicas, anatômicas, fisiológicas e psíquicas”. O poeta Mário Quintana vê a adolescência como a fase em que o jovem felino segue para a frente farejando o vento, ao sair, pela primeira vez, da gruta.

 

            Que bela e fascinante esta etapa de pura energia, que deseja experimentar as inúmeras possibilidades de viver e de ser. O coração solta as amarras, arrisca-se aos mares, às tormentas, aos nevoeiros, às grandes paixões, cruza-se com perigos, sofre revezes e naufrágios.

 

            Assim como a criança não é adulto em miniatura, o adolescente não é adulto pela metade. A sua natureza deve ser respeitada por inteiro. Ele tem pleno direito de viver a estação com intensidade e aproveitar todas as experiências para consolidar-se como ser singular e social.

 

            Não é fácil manter-se íntegro nesta realidade caótica. Ninguém está dispensado de internalizar e viver os bons valores. Entretanto, neste mundo, onde predominam as violências, as drogas, as injustiças sociais, a corrupção, a agressão à natureza, o racionalismo, o materialismo, o consumismo, a mediocridade, os adolescentes que se mantêm éticos e canalizam as energias para o amor são heróis. Nós, adultos – educadores –, muitas vezes criticamos os adolescentes pela indisciplina e pela desobediência e nem percebemos certas incoerências, pois nem sempre damos o bom exemplo!          

 

            Os adolescentes não precisam de exagerado controle externo. A disciplina saudável, que proporciona a liberdade e a responsabilidade, é interna. Precisam, sim, de limites claros, com diálogo, respeito e amor. Precisam de boas lideranças, em casa, na escola, na religião, na política. Precisam de educadores que semeiam esperança e sonhos em seu coração.

 

            A família deve ser ninho de segurança e afeto. Espaço de convivência e transparência. Ponto seguro para a sociabilidade e para a ética.

 

            A escola deve ser um ambiente excitante: lugar de pesquisa, de comunicação e de solidariedade, onde os conhecimentos e as experiências atingem todas as dimensões: cognitiva, ética, social, espiritual e afetiva.

 

            À Igreja precisa realizar projetos cativantes para os adolescentes. Quem acompanha as atividades percebe como os jovens se envolvem com prazer. A Pastoral é opção importante para os adolescentes estreitarem laços de amizade e participarem de projetos educativos e solidários. É um grande apoio para as famílias que desejam educação mais sólida e mais ampla.

 

            Adolescentes, vivam este período com paixão pela aprendizagem e pelas relações humanas e ambientais. Os valores internalizados produzirão frutos para sempre. Façam da vida uma aventura, mas cuidem-se com carinho, porque, se a vida é bela, também é frágil, e ficar alerta à fragilidade da vida faz muita diferença. 

 

Terminemos com o poeta Mário Quintana, que diz:

 

“Adolescente, olha! A vida é nova…

 

            A vida é nova e anda nua

 

            – vestida apenas com o teu desejo!”

 

                                                                                               Lauro Daros

 



 

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