Laudato Si’ e Repam são temas de seminários realizados na Amazônia Legal

Redação CRBNacional – 09/08/2016    11:40

Desde junho deste ano, a Repam, Rede Eclesial Pan-amazônica, Comitê Nacional, vem realizando seminários sobre a Laudato Si’ e Repam nos Regionais da CNBB, na Amazônia Legal. Já aconteceram em Cuiabá (MT), Porto Velho (RO) e o mais recente, em Manaus (AM).

Estiveram reunidos, de 29 a 31 de julho, 140 participantes, representantes das arqui/dioceses de Manaus (AM), Alto Solimões (AM), Coari (AM), Itacoatiara (AM), Borba (AM), Parintins (AM), São Gabriel da Cachoeira (AM), Roraima (RR) e prelazia de Tefé (AM).

O seminário teve início com a celebração eucarística presidida pelo arcebispo de Manaus, dom Sérgio Castriani, na matriz São Sebastião. Em seguida houve uma caminhada até a praça do Teatro Amazonas. Dom Mario Antônio da Silva, bispo eleito de Roraima, fez a apresentação pública, para mais de 500 pessoas, da Encíclica Laudato Si’ e Roberto Malvezzi, o Gogó, falou sobre os objetivos da Repam. As apresentações foram acompanhadas por músicas e danças da cultura tradicional amazônica, organizadas por Eliberto Barroncas, do Grupo Raízes Caboclas.

O seminário seguiu, na Casa de Encontro Maromba, com reflexões e estudos em torno da questão: o que está se passando em nossa Casa Comum? Esta discussão foi baseada num levantamento, feito anteriormente ao seminário, sobre as diferentes realidades: povos indígenas; comunidades tradicionais; o mundo urbano; migrantes; o tráfico de pessoas; situações que afetam a vida das pessoas e provocam novas situações de pobrezas.

Partindo dessas realidades, a professora da Universidade Federal de Rondônia, Márcia Maria de Oliveira, analisou que os povos indígenas entendem a floresta como um lugar de vivência e não como espaço para ser explorado, que é a visão do sistema capitalista. Na Amazônia tem aprofundado as desigualdades e injustiças, nos níveis social e ambiental, sendo consequência dos monocultivos, extrativismo ilegal da madeira, especulação imobiliária e outros fatores que levam os indígenas e povos tradicionais a saírem de suas terras e aglomerar-se nas periferias urbanas. É necessária uma mudança de atitudes e de comportamento, o que o papa Francisco chama de “conversão ecológica”.

Na mesma direção, o professor José Aldemir, da Universidade Federal do Amazonas, falou da ecologia a partir do conceito de “natureza humanizada” em contraposição a “sociedade do descarte” que gera desigualdade. À luz da Laudato Si’, o professor explicou que esta sociedade é fruto de um sistema que explora e degrada a natureza e as pessoas, que sofrem com a falta de serviços públicos, mas que resistem e lutam pelos seus direitos.

Defender a Amazônia tem sido motivo para que muitos dessem a sua própria vida, como os mártires da caminhada: Chico Mendes, Ezequiel Ramin, Vicente Canas, Irmã Dorothy, companheira Dora, padre Rogério e outros/as, que são exemplos de entrega da própria vida. A memória dos/as mártires foi celebrada por um rito penitencial a beira do Igarapé, no Parque do Bilhar, em frente ao shopping e grandes empreendimentos a serviço do consumo e do mercado financeiro.

Nos grupos e nas propostas levantadas, os apelos e desafios são voltados para o aprendizado com os povos da Amazônia, sobretudo com os indígenas. Aprender os valores do bem viver, a importância de valorizar as ações na comunidade, num trabalho comum, solidário e compartilhado, viver com simplicidade e qualidade de vida, sem trabalhar demasiado e consumir pouco.

Outro desafio levantado é a busca de caminhos que ajudem a fortalecer o cuidado com a Casa Comum e com a defesa da vida na Amazônia. Por isso, a proposta é se articular em rede, num processo planejado. A Repam se propõe a ser Fonte de Vida no coração da Igreja, levar a proposta da Laudato Si’ em todos as calhas de rios, em todos os lugares onde a vida humana está presente e inserida no ambiente.

O seminário não terminou, apenas iniciou uma caminhada que será continuada pelos participantes. Outros encontros estão agendados para Macapá (AP), Miracema de Tocantins (TO), Marabá (PA), Lábrea (AM), Imperatriz (MA), São Luis (MA), Rio Branco (AC), Belém (PA), Santarém (PA) e Boa Vista (RR).

Com informações da Repam, Comitê Nacional

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