Jovens são privados dos sacramentos por ausência da Igreja no interior da Amazônia

Por Rosinha Martins| 16.12.13| Juventude católica do interior da Amazônia é privada dos sacramentos por causa da ausência da Igreja. É o que relata Laiza dos Santos Andrade  membro da Juventude Oblata de Maria Imaculada, em Manaus.

Durante o encontro nacional de revitalização da Pastoral Juvenil que se realizou em Brasília, neste final de semana, Laiza fez, em entrevista concedida à assessoria de comunicação da CRB Nacional, um apelo à Igreja e à Vida Relgiosa Consagrada: que a Igreja envie sacerdotes para a Amazônia; que religiosos e religiosas abracem a causa das crianças, dos adolescentes e jovens que ainda não receberam nem o primeiro anúncio do evangelho e consequentemente não fizeram nem primeira eucaristia ou crisma pela ausência da Igreja no interior. E onde falta a dimensão espiritual se torna mais difícil lidar com os problemas das drogas e do álcool que já fazem parte do cotidiano desses povos.

Uma das causas dessa ausência, de acordo com Laiza, são as distâncias que dificultam a chegada e a presença contínua de missionários nesses locais. As viagens são aquáticas e demoradas. “A maior dificuldade que temos é de padres e Irmãs. Há lugares na Amazônia onde o padre só tem condições de ir uma vez em seis meses, o que  torna empecilho para a formação de jovens. Por causa das distâncias, não tem como fazer um acompanhamento para que participem dos sacramentos, embora as comunidades contem com a boa vontade de pessoas do local que se dispoêm a ensinar o que sabem”, disse.

Para Laiza as distância geográfica não podem continuar sendo um entrave para a formação e os desafios se tornam maiores por essa ausência da Igreja. Além da falta de agentes para a formação dessas crianças e jovens é dificil a chegada do bispo nestes locais. “O crisma acontece em determinadas comunidades, uma vez a cada cinco anos, pois o bispo nem sempre tem disponibilidade para estar nas comunidades ou nas paróquais ribeirinhas para realizar estes sacramentos”, relatou.

Laiza fez ainda um apelo à Vida Religiosa. “Quem dera,  nós da amazônia pudessemos ter, ao menos uma vez por mês dentro das nossas comunidades ribeirinhas, a presença de um religioso, uma religiosa! Isso fortaleceria muito a vida das pessoas que moram no interior. Desejo que meninos e meninas se sintam  chamados a esse dom da vida consagrada para que mais homens e mulheres possam chegar como religioso, religiosa e abraçar a causa do nosso interior que fica muitas vezes esquecida ate mesmo pela Igreja”, afirmou.

Ainda segundo Laiza, evangelizar nos interiores da Amazônia tem uma outra conotação, um outro significado por serem comunidades que estão à margem da Igreja. “Quando falo de evangelizar, me refiro a levar o conhecimento da palavra porque em muitas realidades, os jovens não tem noção do que é Bíblia, porque a Igreja ainda não chegou lá”.

Para ela um dos maiores frutos que  a Igreja poderá produzir na Amazônia com a evangelização, é a preparação de jovens daquele lugar, daquela cultura que possam, a apartir da sua história  evangelizar outras pessoas respeitando o modo de ser, de conceber Deus, a natureza .e as coisas. “Esperamos por uma evangelização que possa de fato contribuir para que o crescimento da Igreja, o aparecimento de Jesus Cristo aconteça nas comunidades mas a partir da cultura deles”, ponderou.

Sobre as linhas de ação propostas no encontro de revitalização da pastoral juvenil Laiza destacou três delas, as quais acredita serem essenciais para o processo de formação da juventude da Amazônia. “Em primeiro lugar, conduzir a juventude numa base sólida  que se dá através da Palavra de Deus,  por meio da Leitura Orante da Bíblia; segundo, a formação de formadores, de pessoas que possam trabalhar com esses jovens e a articulação entre as expressoes juvenis da Igreja. Se houver uma articulação, não obstante as ditâncias, com certeza a vida de Igreja que tanto precisamos na Amazônia vai melhorar”, concluiu.

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