Comunidades Eclesiais se reúnem aos pés de padre Cícero, em Juazeiro

Rosinha Martins|05.01.13|  Sob a proteção de “Padrin  Cícero”, Juazeiro do Norte  se prepara para receber as Comunidades Eclesiais de Base-CEBs,  que realizam o 13º Intereclesial a começar  nesta terça, 7 e que prolonga até o próximo sábado, 11. O evento que terá como tema “Justiça e profecia a serviço da vida e lema, “Romeiras do Reino no campo e na cidade” prevê a participação de cerca de quatro mil participantes vindos de todas as regiões do Brasil e outros países.

Em mensagem de saudação à Diocese de Crato pela acolhida deste evento que a Igreja considera de fundamental importância para a sua caminhada de evangelização, o secretário geral da CNBB, dom Leonardo U. Steiner destacou a importância deste encontro em Juazeiro por causa da experiência de fé manifestada pelo povo da região. “Os participantes do Intereclesial terão a oportunidade de ver o carinho e o afeto do nosso povo para com o Padre Cícero. A religiosidade popular, tão enraizada na alma dos nossos fieis, nos ajude na missão evangelizadora da Igreja, disse.

Dom Leonardo manifestou gratidão aos bispo da diocese de Crato, dom Fernando Panico, aos sacerdotes, religiosos e religiosas e aos leigos que se dedicaram na preparação do encontro.“Quero agradecer ao senhor (dom Fernando), aos padres, religiosos e religiosas, aos leigos e a todas as pessoas de boa vontade que prepararam o Intereclesial e estão prontos para receber os irmãos e irmãs”.

As comunidades Eclesiais são fruto das reflexões do Concílio Vaticano II e da Conferência de Medellín, conforme relata o  coordenador do 13º Intereclesial”, padre Vileci Basílio Vidal. “A Igreja latino-americana, inspirando-se no Concílio Vaticano II (1962-1965) e na Conferência de Medellín (1968), partiu, decididamente, para a formação de CEBs. Foram e continuam sendo um grande valor para as pessoas, para a Igreja e para a sociedade. Seus membros amadurecem na fé, aprendem juntos a viver a espiritualidade do seguimento de Jesus dentro da realidade em que vivem”.

Os encontros intereclesiais surgiram na época da ditadura militar, cujo presidente da República, naquele ano, 1975, era  Ernesto Geisel. De acordo com a organização, a realização destes encontros em tempos de repressão foram momentos significativos para tomada de consciência das perseguições e partilha de experiências  entre essas comunidades para se fortalecerem e se defenderem conjuntamente em tempos difíceis.

Destes encontros nasceu um outro rosto da Igreja Católica no Brasil: grupos diversificados de fiéis apaixonados pela construção do Reino de Deus, que abraçaram a opção preferencial pelos pobres. Esta face da Igreja tem ajudado a propria Igreja Institucional a ter consciência mais ampla da realidade eclesial e a assumir atitudes proféticas diante da sociedade e  dos mais variados problemas relacionados à injustiça e a desigualdade social.

O 13ª intereclesial de Juazeiro terá como metodologia o “Ver”, o “Julgar” e o “Agir”, o que favorecerá às comunidades uma avaliação da caminhada e uma análise crítica da memória histórica.

Além das palestras com temas afins, testemunhos  e celebrações, atividades como Feira de Economia Solidária e  Comércio Justo, visitas às paróquias e comunidades marcarão este encontro de 2014, no nordeste brasileiro.

A oração do 13º Intereclesial foi composta pelo religioso, dom Pedro Casaldáliga:

Deus da vida e do amor,

Pai de Jesus e Pai nosso,

Santíssima Trindade, a melhor comunidade:

abençoai as nossas CEBs, rumo ao 13º Intereclesial,

que iremos celebrar no coração alegre e forte do Nordeste,

nas terras do Pe. Cícero e do Pe. Ibiapina, do beato Zé Lourenço

e da beata Maria de Araújo, e de tantos sofredores e lutadores,

profetas e mártires da caminhada, no Brasil, em Nossa América,

no Mundo solidário.

Ajudai-nos a reacender sempre mais a nossa paixão pelo Reino,

no seguimento de Jesus.  À luz da Bíblia e na mesa da Eucaristia,

na opção pelos pobres, em diálogo ecumênico e ecológico,

na defesa dos Direitos Humanos,  sobretudo dos Povos Indígenas e Quilombolas.

No cuidado da Terra, nossa mãe.

Em família e na comunidade eclesial,

no trabalho, na política, no movimento popular,

crianças, jovens e adultos, mulheres e homens.

Denunciando a economia neoliberal dos grandes projetos depredadores,

da seca, da cerca, do consumismo e da exclusão.

Mãe das Dores e das Alegrias, ensinai-nos a sermos CEBs romeiras do Reino,

no campo e na cidade, fermento de justiça, de profecia e de esperança pascal.

Proclamando a Boa Nova do Evangelho

sobretudo com a própria vida, que é

“o melhor presente que Deus nos deu”.

Amém , axé, auerê, aleluia!

(Dom Pedro Casaldáliga)

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