CNBB: “Questão agrária é muito mais envolvente que reforma agrária”, diz dom Itamar

Por Silvonei José| Aparecida (RV) |O terceiro dia de atividades na 52ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil em Aparecida teve início com a celebração eucarística no Santuário Nacional presidida pelo Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni D’Aniello. Entre os concelebrantes principais estavam os novos bispos, nomeados desde o ano passado pelo Papa Francisco.

Em sua homilia, Dom Giovanni retomou a cena da multiplicação dos pães, a partir da narração do Evangelho de hoje. “A multiplicação é um prenúncio da Eucaristia, o alimento que os discípulos são chamados a distribuir”, iniciou o arcebispo. Ele enfatizou que o milagre de alimentar as milhares de pessoas que estavam seguindo Jesus é um sinal para os discípulos de hoje. “A Igreja lembra esse fato na celebração litúrgica e aprende que nesta mesa também alimenta o Povo de Deus em sua missão hoje”, disse.

Fez questão também de falar sobre o que cada um pode oferecer. “Um pouco de amor, compaixão, bens materiais que temos é suficiente para acabar a fome, do coração ou do corpo. O problema é colocar o pouco que temos nas mãos do Senhor”, acrescentou.

“Quantas pessoas poderiam ser salvas da fome pelos cinco pães ou por aquilo que normalmente jogamos fora? Quantas pessoas encontrariam consolo e conforto se ficarmos perto delas?”, questionou. “Precisamos crescer na caridade e ir ao encontro dos que precisam de ajuda. Precisamos ir às periferias. Sejam pastores com o cheiro das ovelhas”, disse ao recordar as palavras do papa Francisco.

Após a missa, os participantes da Assembleia Geral seguiram para o auditório Padre Noé Sotillo, no subsolo do Santuário Nacional, para um encontro reservado com o Núncio Apostólico. Por volta das 11 da manhã, foram retomadas as atividades no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, onde está o plenário da Assembleia.
Já no dia de ontem um dos temas de discussão dos bispos foi o texto “A Igreja e a questão agrária no início do século 21” que foi apresentado na coletiva de imprensa pelo Arcebispo de Feira de Santana (BA) e Presidente da Comissão para o texto da Questão Agrária, Dom Itamar Vian.

Segundo Dom Itamar, o texto, que já está em discussão desde 2010 deve ser aprovado na próxima semana. “ Há 34 anos que a igreja não publica um documento sobre a questão da terra”, informou.
O bispo explicou que a questão agrária é muito mais envolvente que a reforma agrária. “É um dos aspectos. Ela envolve ainda a questão da água, a questão dos povos ribeirinhos, das florestas, do meio ambiente, dos sem terra, e de todos aqueles que cultivam a terra”, disse.

Para Dom Itamar, o que chama mais atenção hoje é a defesa da natureza e do meio ambiente. “Nós estamos destruindo a Mãe Natureza e já sofremos as consequências dessa ação humana. Por isso, um documento envolvendo dezenas de questões centraliza o que é fundamental no ser humano, como responsável por tudo aquilo que acontece no mundo”.
O texto foi dividido em três partes. “Na primeira, podemos a o clamor dos povos; na segunda, a palavra da Igreja sobre essas questões e, no terceiro, o trabalho que nós”, explicou. Sobre o tema da Reforma Agrária nós conversamos com Dom Demétrio Valentin, Bispo de Jales (SP)…

Nas conversas com os senhores bispos aqui em Aparecida um dos temas que vem fora é o da Copa do Mundo que se realizará no próximo mês de junho. Dom Anuar Battisti, Arcebispo de Maringá, (Pr) falou conosco sobre as marchas, previstas durante a Copa do Mundo e o comportamento da Igreja…

Os bispos reunidos em Aparecida continuam aprofundando a reflexão do tema central: “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”. A comissão responsável apresentou uma exposição do assunto, mostrando a forma como as paróquias, dioceses, regionais da CNBB, movimentos e pastorais da Igreja debateram e enviaram as suas contribuições para a CNBB. Também a Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos fez uma breve exposição sobre os trabalhos de revisão Missal Romano. Discussão também do tema prioritário sobre os cristãos leigos e leigas, apresentado pela Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato.

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