Reportagem de Luis Miguel Modino

Dom Edson Damian, presidente do Regional destaca o simbolismo da data do lançamento da exortação no mesmo dia em que foi assassinada a Irmã Dorothy Stang, além do nome, lembrando que “querida expressa o sentimento do Papa Francisco pelos povos da Amazônia, pela nossa casa comum”, insistindo no processo de diálogo e discernimento.

O bispo de São Gabriel da Cachoeira, a diocese com maior porcentagem de população indígena do Brasil, vê os sonhos “como expressão do imaginário coletivo dos povos da Amazônia, que sabem viver harmoniosamente, sem poluir, sem destruir, sem depredar”.

Junto com isso, além de insistir em que o Papa quer dar um valor especial para o documento final, lembrava a figura de Dom Helder Câmara, “que sonhou uma Igreja pobre e para os pobres, e dizia que sonho que sonha só pode ser pura ilusão, sonho que se sonha junto é sinal de solução, então vamos sonhar companheiros, sonhar ligeiro, sonhar em

Desde aí, destaca o chamado do Papa, que “nos pede que sonhemos com dias melhores”. De fato, a expectativa era grande em torno do texto, destacava Dom Leonardo Ulrich Steiner, “uma vez que longamente nos preparamos para o Sínodo, acompanhamos os debates, as reflexões durante o Sínodo e agora recebemos esse grande presente do Santo Padre”.

Segundo o bispo anfitrião, Dom Ionilton Lisboa de Oliveira, “a exortação reflete o pensamento da Igreja, a compreensão que a Igreja tem da importância da Amazônia, reflete a nossa visão como Igreja de que nós temos uma missão importantíssima, de uma evangelização comprometida com a natureza e com os próprios povos”.

Essa ideia nasce, segundo ele, da Laudato Si’, que nos fala que ouvir o grito da natureza é ouvir o grito dos pobres. Para o vice-presidente da Comissão Pastoral da Terra – CPT, a exortação tem grande importância no contexto atual do Brasil, momento delicado, de preocupação com a Amazônia, com a situação dos povos indígenas, da preservação da natureza.

Ele insiste em que “o Sínodo não terminou, o lançamento da exortação é mais uma etapa. Agora depende de nós assumir, nós vamos fazer isso no dia a dia desde o cuidado da natureza e dos mais pobres”.

O bispo de Roraima, Dom Mário Antônio da Silva, definia a exortação como “substanciosa, apetitosa, doce, terna”, insistindo na ideia que a Igreja Amazônia tem do Sínodo como processo.

O 2º vice-presidente da CNBB, fazia uma ligação entre o discurso inicial do Papa no início da assembleia sinodal, onde falou de dimensões, que depois no documento final se tornaram em conversões e agora em sonhos.

Segundo ele, isso constata “que precisamos atingir metas, como estamos não podemos permanecer, metas que nos interpelam, que nos comprometem, que exigem de nós deslocamento, nos despertar para as realidades”. Também fez referência ao martírio de Irmã Dorothy Stang, que tinha como lema que “a morte da floresta é o fim da nossa vida”, e que nos desafia a ter “capacidade de defender a vida, custe o que custar, mesmo que tenhamos a nossa entregar”.

Se faz necessário entender que a exortação não quer substituir e sim oficializar o documento final, como insistia Dom Ionilton, que enfatizava a dimensão da encarnação da espiritualidade, da liturgia e da missão.

O Sínodo vem confirmar uma caminhada que a Igreja aqui na Amazônia já vem fazendo desde Santarém em 1972, onde os bispos tiveram intuições proféticas, segundo Dom Edson Damian, que vê o Sínodo como confirmação dessas opções fundamentais. Nesse sentido de continuidade, o bispo de Roraima, falava que há caminhos já percorridos que precisam ser reabertos, e, ao mesmo tempo, abrir novos caminhos.

Cabe destacar, segundo o bispo local, que o plano de ação da exortação é dar continuidade ao que a Igreja na Amazônia já vem fazendo, destacando o trabalho do Conselho Indigenista Missionário – CIMI, CPT, Pastoral urbana, Caritas, Rede um Grito pela Vida, Pastoral da sobriedade, Pastoral dos migrantes, insistindo na necessidade de fortalecer as pastorais sociais.

Também organizar a Pastoral da Ecologia Integral, um elemento muito presente desde Laudato Si’, que pode ajudar a criar uma rede de proteção. Nessa perspectiva se faz necessário, dentro do plano de ação, chegar numa opção pela sustentabilidade, algo apontado pelo bispo de Roraima, que vê urgente encarar a Amazônia no realismo de sua importância para o Brasil e para o mundo.

Aí denuncia a falta de consciência dos governantes, sobretudo em nível local, e de alguns empresários, aqueles que promovem um modelo predatório, que fomenta industrias, agricultura, pecuária, mineração a través de projetos não sustentáveis, nefastos e promotores da morte da natureza e do ser humano.

A tarefa é “levar esse texto para as nossas comunidades, refletirmos nas nossas comunidades o texto, e também, com bispos de nossa região tentarmos ver uma Igreja encarnada, uma Igreja culturalmente inserida, uma Igreja ambientalmente preparada, mas especialmente uma Igreja que sabe evangelizar, sabe ser missionária”, segundo o arcebispo de Manaus.

Diante do desafio do Papa Francisco na concretização do vivido até agora, os bispos estão buscando como desenvolver tudo isso na assembleia regional em setembro, partindo das três causas comuns do Regional, povos indígenas, migração e tráfico humano, e ecologia integral. Tudo desde a necessidade de organizar as comunidades no jeito amazônicos de ser. Nesse ponto, Dom Mário Antônio destacava o papel das lideranças, principalmente das mulheres, de valorizar, reconhecer, abrir mais espaço para sua participação nas instancias de decisão.

Diante dos temas que tem despertado mais polêmica, Dom Leonardo Steiner, ao falar sobre a falta de referência aos viri probati no texto, disse que “existem vários elementos que foram aprovados no Sínodo que deveram ser estudados e aprofundados”.

Segundo o arcebispo, “o texto não é um texto jurídico, o texto é um texto de animação, é um texto de evangelização, é um texto de meditação, é um texto que ajuda inclusive poeticamente a refletir a nossa realidade”

É por isso que, segundo ele, “os outros elementos jurídicos, com o tempo, o Santo Padre deverá apresentar diversos elementos, diversas soluções, especialmente dos ministérios, não só do ministério ordenado, mas também do ministério dos leigos, que aliás, muitos desses ministérios que foram sugeridos e estão refletidos, na nossa região da Amazônia, eles já existem, eles já são concreção de busca de uma Igreja ministerial”.

Por isso, a importância que segundo Dom Leonardo tem o fato de “ler, meditar e implementar o texto”.

Fonte: IHU

SDS Bloco H - nº 26 - Sala 507 - Edfício Venâncio II

CEP: 70393-000 - Brasília - DF - Brasil (061) 32265540 - Fax: (061) 3225 3409 crb@crbnacional.org.br

2018 - CRB Nacional.org.br

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?