“As mulheres têm o direito de participar do governo da Igreja”, afirma teólogo

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Por ocasião da mudança do Rito Litúrgico – feita pelo Papa Francisco – que leva as mulheres para a Ceia do Lava-pés, o teólogo Leonardo Boff, falou sobre o tema à Assessoria de Comunicação da CRB Nacional.

Por Rosinha Martins | A afirmação é do professor e teólogo brasileiro, Leonardo Boff, mas a decisão de reformar um rito que há milênios sempre contou com a participação estritamente masculina, foi do Papa Francisco: a reforma no ritual litúrgico do Lava-pés, que ocorre na Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa, do qual poderão participar as mulheres, meninas, doentes, idosos, casados, enfim todos os que constituem o povo de Deus.

Francisco em diálogo com o prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, o guineense Cardeal Robert Sarah, explicou as razões da sua decisão. “Expressar plenamente o significado do gesto realizado por Jesus no Cenáculo, o seu doar-se ‘completamente’, para a salvação do mundo, a sua caridade sem limites”.

Pela primeira vez, em 2015, um Papa aceitou a presença de mulheres no Lava-pés. Em abril do referido ano Francisco lavou os pés de seis detentas na Igreja Pai Nosso, localizada no interior do Complexo da Penitenciária de Rebibbia, em Roma. Uma delas trazia consigo, ao colo, um bebê, o que causou comoção aos presentes.

Para o teólogo Leonardo Boff, este é um gesto de abertura do Papa Francisco, o que, segundo ele ainda é pouco frente ao imenso número de mulheres na Igreja. “É uma abertura muito pequena, mas é uma brecha que pode se abrir mais e mais até que as mulheres possam participar do governo da Igreja. As mulheres são mais da metade da Igreja e são as mães e as irmãs da outra metade, que somos nós homens, então, não é pouca coisa”, afirmou.

Boff ressaltou que não se trata de dar abertura para a participação da mulher, uma vez que ela sempre foi e é presença participativa na Igreja. “As mulheres tem o direito de participar dos destinos, nas decisões dos caminhos futuros da Igreja. Não é participar, porque elas sempre participaram, mas participar nas decisões para onde nós queremos ir, e elas, no fundo, são portadoras de mais espiritualidade que nós”, garantiu.

O teólgo acredita que Francisco tem um trabalho árduo no que refere à reforma da Igreja, devido a história e costumes milenares, mas seus atos aos poucos se tornam concretos. “Ele lentamente está fazendo uma reforma da Cúria, que é muito difícil porque são mais de mil anos de uma Instituição pesada, cheia de privilégios e vícios e incluir as mulheres neste contexto não será fácil, mas ele o fará porque é um determinado e o faz em nome da justiça, não em nome de uma caridade”, alega.

Ainda, segundo Boff, as mulheres gozam de direitos na administração da Igreja porque elas desde sempre demonstraram fidelidade no seguimento de Jesus. “São aquelas que nunca traíram Jesus, que primeiro testemunharam o fato maior da fé, a Ressurreição. Então elas tem mais direito de exigirem da Instituição da Igreja, que é feita por homens, a abertura de mais e mais espaços para si mesmas”, conclui.

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