Por Rosinha Martins| 29.08.14| Uma Celebração Eucarística na manhã presidida pelo prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, dom João Braz, Cardeal de Aviz e concelebrada pelo arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre e bispo referencial para a Vida Religiosa do Brasil, pela CNBB, dom Jaime Spengler e um grande número de sacerdotes, marcou a abertura do segundo dia do encontro de dom João com a Vida Religiosa Consagrada do Brasil.

O evento, que nasceu do desejo de dom João de se encontrar com a Vida Consagrada do Paraná, por ocasião de suas férias, trouxe a Curitiba, cerca de  1.100 religiosos que vieram do Mato Grosso, Minas, São Paulo, Amazonas, Bahia, Fortaleza, Rio de Janeiro, Tocantins, Pernambuco, Goiás, Distrito Federal, dentre outros, para dialogar com o prefeito assuntos referentes a este estilo de vida.

Na introdução foi mencionado de maneira especial a vocação dos Irmãos. O religioso marista, Irmão Pedro João Wolter, lembrou que o Irmão consagrado é um religioso completo na vivência dos votos de pobreza, castidade e obediência com a espiritualidade e missão específica de cada instituto religioso. E ressaltou que o Irmão religioso não é uma segunda categoria dentro da Vida Consagrada.

Na homilia dom João mencionou figura de João Batista e destacou elementos marcantes de seu testemunho que servem  também para o cristão de hoje e para aqueles de especial consagração como os Religiosos e Religiosas,  que querem  viver segundo a verdade,  em vista da construção do Reino de Deus.

“Entre os nascidos de uma mulher não há alguém maior que ele”

Acenado por Jesus como um dos maiores personagens da história humana ao dizer que “entre os nascidos de uma mulher não havia maior que ele”, João Batista viveu em um momento de crise e de passagem,  rico e difícil. E ele pode nos ensinar muito por estarmos também vivendo num período semelhante. Passagem de uma possibilidade humana para outra, de uma cultura para outra e,  vivendo neste processo, sentimos as dificuldades, a beleza e os desafios deste momento. “Para João Batista, se passava o tempo da preparação da chegada para a plenitude dos tempos, a chegada do Filho de Deus. João se posicionou de modo forte, simples, e foi buscar esta fortaleza no deserto. A Jeremias Deus disse que não deveria  ter medo e que fosse dizer o que o Senhor queria e  foi o que João fez. Ele não tinha duas faces, diferença entre o exterior e o interior,  mas transparência, característica que também nós devemos ter em passagem de época, como a que vivemos.

Unificar a nossa vida

Unificar a nossa vida, deixando de lado aquilo que não é Palavra de Deus, que não é anuncio da Palavra de Deus. É preciso que busquemos esse confronto simples e direto com a verdade, mas o problema é que muitas vezes camuflamos as situações com a mentira para podermos sobreviver. Nosso ‘jeitinho brasileiro’ tão bonito, sinal de inteligência, mas problemático também. Às vezes damos um ‘jeitinho’ para fugirmos da verdade.

Pedir perdão pelo erro cometido

A  França enviou para o Dicastério dos Consagrados alguns dados sobre a Vida Religiosa. Era mais ou menos assim (não quero errar novamente): de 42 mil freiras e sacerdotes, os dados revelavam que havia tido uma baixa para  22 mil; e eu, o prefeito da Congregação,  disse que, de 35 mil teriam ficado 5 mil. A França logo se manifestou enviando uma carta,  na qual questionava porque haviam mudado as estatísticas. E, só quando veio a pergunta, percebi que tinha errado.  Me perguntei: e agora?  Primeira coisa, pedir perdão pelo erro e depois publicá-lo lá onde foi publicada a estatística. Me preparei, chamei o responsável e pedi que escrevesse a carta dizendo que eu estava pedindo perdão. Ele fez a carta a seu modo, relatando que as cifras contraditórias eram um erro do jornalista. Ao fazer a correção, o questionei dizendo que não era aquilo que havia pedido para escrever.  Ao que ele me respondeu: “O  prefeito da Congregação não pede desculpas”. Eu perguntei:  Mas o papa não pede desculpas? Ele sorriu e refez a carta conforme a minha solicitação. Depois disso, recebi um convite para participar pela primeira vez de uma reunião dos Religiosos na França.
Quero dizer: O resultado da verdade não é a destruição mas composição da Igreja, dos relacionamentos. O Jornal com esta segunda publicação na qual eu pedia perdão, abriu as nossas relações com a França. Cristo é a verdade, não a mentira.

Não viver de aparência

Maior crise que vivi em Roma foi quando tive  que decidir sobre algo que era metade mentira, metade verdade. Senti profunda dor no coração e me perguntei se a vontade de Deus pode conter em si também a mentira. E questionei a Jesus: o que aconteceu com você quando gritou na cruz? Você não sentiu mais o Pai. Chamou pelo Pai, ele não veio e você  morreu sem a resposta dele. E então, entendi que há ocasiões que não posso ter resposta. A resposta do Pai veio com a ressurreição de Jesus. Não tinha a resposta mas,  tinha a segurança de que o Pai o amava. E nesse momento entendi que se eu continuasse amando a Igreja com suas dificuldades e as contradições e as minhas próprias contradições, eu poderia ir para frente. E me resolvi. Temos que ir adquirindo este confronto com o Senhor deixando que caia a nossa imagem. É triste ver hoje um mundo feito de aparência.

O exemplo do Papa Francisco

Na convivência com o Papa Francisco notamos que o seu modo de ser transmite o que  realmente é e o que Jesus pede dele. É uma pessoa que nos faz livres,  que não tem barreira para a verdade, discerne, e onde encontra confiança, deposita confiança. E ele está curando, sanando a Igreja desta forma.  O que está se sanando na Igreja é muito mais que aquilo que aparece.  Que passemos a amar cada vez mais a verdade, com simplicidade, mesmo que nos faça sofrer,  mas será caminho para uma Igreja de rosto limpo, de capacidade de um sorriso seguro, capaz de transformação.

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