As Irmãs Maria Câmara, Vanderleia Mello, Rosangela Ferreira e Ideneide do Rego visitaram as comunidades religiosas que estão em Aquin, Abaku, Berout – estado de Les Cayes – zona sul e norte do Haiti.

” No transcurso da viagem fomos observando os estragos feitos pelo Furacão Matthew. O cenário era de desolação… as árvores arrancadas pela raiz, casas sem teto, casas derrubadas, postes de eletricidade caídos no chão, rostos tristes e famintos. O silêncio entre nós era unânime, não tínhamos palavras para descrever o que estávamos vendo, sentindo, depois de uma semana da passagem do vento de 200 quilômetros por hora.
Chegando nas casas dos religiosos, fomos recebidas com abraços apertados, lágrimas e alegria. Como uma grande família, unidas pela nacionalidade, a amizade, a solidariedade e a opção pelos mais pobres e fragilizados.
Sentamos, escutamos os relatos das experiências vividas por eles desde o receber o povo nas suas casas para dar-lhes comida e abrigo, até os perigos que passaram, onde alguns religiosos quase foram sugados pelo vento. Experiências de angústia devido às crianças que ficaram perdidas na escuridão sob a chuva e o vento devastador, a alegria de encontrá-las com vida e sãs.
O nosso objetivo era escutar as nossas irmãs e irmãos religiosos que passaram, segundo expressão deles, “um batismo de sangue”. Alguns pensaram que iriam morrer… Era necessário primeiro escutá-los, sentir o que vivenciaram, dar-lhes carinho, abraços, incentivos, água, comida… para depois chegar até o povo. Essas grandes forças estavam fragilizadas pelo medo, a impotência e sedentos para falar e ser escutados.
A necessidade que precisa de respostas imediatas em primeira instância é a saúde. É urgente curar as feridas, prevenir contra a cólera. As irmãs de Santa Catarina e os Freis capuchinhos estão com o centro de saúde, a casa e a Igreja sem teto. Falta-lhes material para fazer curativos e remédios. As Irmãs do Imaculado Coração de Maria não têm água e eletricidade para suprir as principais necessidades básicas. As Franciscanas missionárias de Nossa Senhora estão rodeadas de casas caídas. Mesmo com o teto no chão, as pessoas entram nas casas quase deitados para conseguir dormir.
Os gêneros alimentícios nessa região subiram mais de cem por cento. Algumas pessoas comem uma só vez por dia e outros acreditamos que vivem de milagres – pequenas partilhas entre vizinhos. Outros com certeza morrerão de fome, pois toda a plantação foi destruída. Como recomeçar a vida sem nada? Não há respostas, só um silêncio que brota do vazio da terra.
Encontramos no caminho vários caminhões com alimentos, mas as ajudas não chegaram às comunidades onde estivemos. As pessoas estavam em uma fila desde cedo e já eram três horas da tarde, e as ajudas não chegaram.
Muitas casas estão sem o teto, a chuva cai no fim tarde, molha tudo e no dia seguinte o povo coloca seus pertences no sol para secar. É urgente cobrir as casas para evitar que as pessoas fiquem doentes. Há casas que foram destruídas completamente, não sabemos se as pessoas morreram ou se estão vivas.
Voltamos para casa com a esperança e alegria das crianças, que, apesar do trauma vivido pela insegurança, sorriem e brincam sobre a terra devastada. Regressamos com uma profunda compaixão que move nossas entranhas e com uma preocupação imensa com a vida das pessoas abandonadas pelas autoridades.
Agradecemos pelas orações, sintonia e solidariedade da Vida Religiosa Consagrada do Brasil e do povo brasileiro nesse momento forte dos clamores dos pobres. Sejamos todos nós um sinal de esperança onde a vida CLAMA, RECLAMA, CHORA… A solidariedade é contagiante… deixemo-nos contagiar por essa atitude. Vamos ajudar a diminuir a dor da fome dos desabrigados.”

A Cruz Vermelha estimou que mais de um milhão de pessoas no Haiti foram afetadas e centenas de milhares precisam de assistência humanitária.

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