Por Rosinha Martins |07.11.2015| Religiosos e Religiosas provenientes de todos os Estados do Brasil se reuniram em Brasilia para a primeira reunião de coordenadores das regionais da CRB, recém eleitos em Assembleias Gerais Ordinárias em 2015.

Na ocasião, a coordenadora da CRB de Cuiabá – MS e religiosa pertecente à Congregação das Franciscanas de Nosssa Senhora Aparecida, Irmã Iriete Ignez Lorenzzetti expôs a situação na qual vivem os povos indígenas Guarani – Kaiowá e com eles o Conselho Indigenista Missionário, religiosos e religiosas que assumiram uma atitude profética de defesa destes povos.  “A Vida Religiosa no Mato Grosso do Sul vive um comprometimento profético diante da realidade da população indígena”.

Ainda, segundo Lorenzzetti, o Mato Grosso do Sul é o Estado com o maior índice de mortalidade por assassinatos pela questão territorial. “Temos uma grande quantidade de terra concentrada nas mãos de alguns fazendeiros e esses usam as terras já demarcadas da população indígena”.

Falou, ainda, sobre o importante papel da Vida Consagrada. “A Vida Religiosa não pode ficar calada diante desses conflitos, dessa situação de desrespeito de criminalização”, assegura.

A Vida Religiosa, na região se solidariza tambpem com o Conselho Indigenista Missionário que passa, no momento por uma CPI, acusado de ser o mentor das organizações indígenas. “Hoje estamos junto com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) que vem sofrendo uma CPI. O que as autoridades alegam é que o CIMI é culpado pela organização dos povos indígenas. A própria Constituição Brasileira garante uma organização dos povos dentro das suas culturas e realidades. Temos uma população indígena articulada, organizada que caminha com as próprias pernas”.

Solidários, solidárias e indignados com a situação da qual já tinham conhecimento e dela se aproximam mais com a exposição de Lorenzzetti, religiosos e religiosas presente no encontro manifestaram o seu sentimento a respeito da realidade na qual vivem os Guaranis- Kaiowá e tantos outros povos indígenas no Brasil

Padre Rubens Pedro Cabral – Oblatos de Maria Imaculada – Coordenador da CRB de São Paulo – SP – Gostaria de recordar que todo este grito do povo indígena que apareceu aqui faz eco em São Paulo pois lá também temos povos indígenas de diferentes tribos que infelizmente estão separadas entre si e que vivem à margem da cidade, vendendo quinquilharias nas ruas e se oferecendo – temos vários casos de prostituição infantil das meninas indígenas – adolescentes pré-adolescentes em situação de extrema pobreza. Felizmente a Rede Um grito pela Vida atuam nesta área e fazem um trabalho de acompanhamento, de chamar a atenção das autoridades.

Vivemos numa sociedade excludente que exclui todas as pessoas que tem uma cultura diferente, uma postura diferente e sobretudo aqueles que não tem recursos financeiros ou políticos, recursos que venham trazer para a pessoa um poder aparente que lhe garanta o sustento e a vida. A causa indígena exige uma postura governamental séria porque eles precisam de acompanhamento e infelizmente os organismos do governo também estão corrompidos, fecham os olhos para a situação que eles vivem, têm dificuldade de se aproximarem da sua realidade garantindo a cultura e esses também são contaminados pelo nosso sistema capitalista. Manifestamos a nossa indignação, o que fizemos através do manifesto.

Esperamos que as pessoas comprometidas com este projeto sério de preservação da vida não desanimem, não se afastem, não percam a perspectiva, se sintam amadas e valorizadas naquilo que fazem para que o projeto a nível pessoas e eclesial aconteça.

Irmão Geraldo Aleixo – Congregação dos Salesianos de Dom Bosco – Coordenador da CRB de Palmas – TO – Fico muito preocupado porque milito em outras estâncias e este grito dos indígenas me incomoda e muito. Fico preocupadíssimo porque eles sofrem e temos que fazer algo. Eles estão pedindo ajuda. É importante escrever algo, mas é preciso também ir lá, acompanhar de perto a situação. Eles são os donos da terra, quando chegamos eles já estavam aqui e precisamos respeitá-los.

Os indígenas em Palmas também sofrem. A presidente Dilma Roussef foi até lá por causa dos jogos indígenas e eles não a acolheram bem pois estão passando por ressarcimento pelas autoridades de Palmas. Nós salesianos caminhamos junto aos indígenas do Xingu e um dos desafios é o alcoolismo muito forte que dizima a população.

Irmã Geralda de Fárima Miranda – Coordenadora da CRB de Fortaleza – CE – Essa situação de injustiça contra os povos indígenas é um alerta para nós como religiosos, pessoas consagradas a serviço dos excluídos da sociedade e para mim me sinto indignada com esta situação. O Brasil tem uma constituição tão bonita pela qual lutamos e agora grupos por próprios interesses estão massacrando os povos indígenas, destruindo toda uma história de luta, de conquista buscando o reinado da economia. Mais indignação sinto quando vejo injustiça contra pessoas que são solidárias, neste caso, o Conselho Indigenista Missionário, os próprios religiosos engajados, que se encontram nas bases, de corpo a corpo.

A nossa presença como vida religiosa ultrapassa as leis. É o contato, a vida, o sangue, o coração. Nossa presença para eles é um estímulo, uma força, se sentem fortalecidos. Os indígenas com os quais trabalho no Ceará nos chamam de ‘os encantados’, somos encantados deles que viemos de maneira diferente para protege-los. Sinto-me emocionada, indignada com a situação do Mato Grosso pois vemos os povos morrendo, massacrados e a sociedade continua omissa. É um convite maior à intercongregacionalidade no sentido de fazermos alianças com as Congregações em vista desta causa.

Irmão Pedro João Wolter – Congregação dos Irmãos Maristas das Escolas – Coordenador da CRB de Curitiba –  O grito do Mato Grosso aqui no encontro soa como uma preocupação. Afinal de contas são os enfraquecidos, os empobrecidos, os que necessitam da misericórdia, da caridade dos que podem. Me atinge profundamente o coração. Algo é preciso ser feito. A presença da Vida Religiosa junto a eles é muito saudável pois nos colocamos a serviço daqueles que mais necessitam, dos perseguidos, dos abandonados, dos idosos, dos doentes, dos pobres. Faz bem e é necessário pois faz parte do ser do Religioso, da Religiosa. Temos 28 obras sociais na província Brasil Centro –Sul que atende mais de 10 mil crianças.

Padre Cleverton Márcio Araújo da Silva –  Congregação do Santíssimo Redentor – Coordenador da CRB de Manaus – AM – É gritante essa situação pois os povos originários são povos abandonados porque parece que não faz sentido para o Brasil tê-los. É massacrante um depoimento desse. Um Estado como o Mato Grosso onde os povos indígenas não tem vez nem voz e a estrutura se reúne para eliminar o quase não existe. Para onde irão? Morar em apartamento? Em condomínios? São eles que preservam a Amazônia, o Meio Ambiente e ninguém cuida deles. É como se fossem um objeto que está no meio do caminho e que estão atrapalhando. Mas o território é deles. Se o local onde estão é a vida que têm.

Esse fato real é interessante de contar: Na Amazônia, quem vai para Roraima tem que passar pela reserva indígena. Quando da construção desta estrada BR 174, contam os antigos, morreram muitos povos indígenas, pois na abertura da estrada foi colocada uma fiação elétrica e muitos indígenas morreram eletrocutados, pois na tentativa de uns ajudarem os outros a se salvarem, resultou numa fileira de indígenas mortos por choque elétrico.

No Município de Presidente Figueiredo existe a Paróquia Nossa Senhora Aparecida dos santos mártires por causa dos povos indígenas que morreram naquela região. Já tivemos uma Campanha da Fraternidade sobre esta situação, a Igreja está a frente, sendo ameaçada de morte, como dom Erwin, outros e outras. Somos profetas e essa profecia não pode parar. Ainda que sejamos mortos. Jesus mesmo nos disse que a semente que não morre não produz fruto.

A presidente nacional da CRB, Irmã Maria Ines Vieira Ribeiro, mad,  confirma o compromisso com o Evangelho, a Profecia e Esperança na defesa dos povos indígenas e de todos aqueles que estão colocados à margem da nossa sociedade. “Como Consagrados/as a serviço do Reino, seguindo os passos de Jesus, que assumiu a causa do mais pequeninos e marginalizados, não podemos deixar de repudiar o que continua acontecendo com nossos irmãos indígenas, originários, donos primeiros dessa terra amada, o Brasil! Somos de fato, incondicionalmente favoráveis a preservação de sua cultura e territórios devidamente demarcados e respeitados. Nos unimos e temos esperança que avancem os trabalhos realizados pelo CIMI e outros órgãos, entidades e políticos em favor das populações indígenas”.

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