Por Rosinha Martins|11.11.14| Cerca de 94 religiosos e religiosas se reuniram de 03 a 05 de novembro em Lima-Peru Aconteceu de 03 a 05 de novembro em Lima – Peru, o Seminário de Justiça, Paz e Integridade da Criação, que aconteceu de 03 a 05 de novembro último passado, reuniu em Lima-Peru, cerca de 94 religiosos e religiosas vindos de 10 países da América Latina e Caribe.

O evento teve como objetivo, fortalecer e estimular o compromisso da Vida Religiosa Consagrada deste Continente, em função do Reino de Deus, incorporando os valores de Justiça, Paz e integridade da Criação, em sua vida espiritual e comunitária e em sua missão evangelizadora a favor dos pobres.

Leia na íntegra a mensagem final do Seminário.

 

MENSAGEM DO SEMINARI0 JUSTIÇA, PAZ E INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO.

 

 “Escutemos a voz de Deus onde a vida clama”

 Reunidas e reunidos em Lima de 3 a 5 de novembro de 2014, religiosas e religiosos em representação das Conferências Nacionais, de diversas Congregações e Famílias religiosas, partilhamos a experiência de vida e reflexões teológicas sobre as boas práticas sociais e ambientais da Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) no contexto latino-americano e caribenho.

 Junto a leigas e leigos, num ambiente de oração criativa, fraternidade-sororidade e comunhão afetiva, buscamos “escutar a Deus onde a vida clama”, para fazer realidade viva o ícone de Betânia, que nos convida a ser casa de encontro, comunidade de amor e coração da humanidade (Jo 11-12; Lc 10).

Ao partilhar nossas experiências e testemunhos, constatamos uma vez mais que vivemos relações injustas provocadas pelo modelo econômico, político, social, cultural e religioso, que desencadeia violência, marginalidade, divisão, desequilíbrio ecológico e uso irracional dos bens da Mãe Terra causando não somente maior pobreza, mas também destruição da própria vida. É um modelo contrário ao projeto de Deus que quer a vida autêntica plena, digna, “Bem viver”, o “bem conviver” (cf. Jo 10,10) entre todas e todos, a partir do respeito e reconhecimento das diferenças e biodiversidade.

Frente a essa realidade, é sempre mais urgente promover redes de comunicação, integração e trabalho conjunto em todos os níveis, começando pela Intercongregacionalidade até chegar a instâncias ecumênicas, intercongregacionais, inter-religiosas e com a sociedade civil que trabalha a favor do “bem viver” a partir de e para nossos povos.

Nosso compromisso pela Justiça, Paz e integridade da Criação se fundamenta no mesmo Deus Criador Uno e Trino, autêntica inter-relação da vida comunitária, que tendo se revelado no Filho Jesus e com a audácia do Espírito Santo nos impulsiona a continuar, hoje, seu mesmo projeto desde nossas comunidades de vida. Inspira-nos o estilo de Jesus, com sua lógica não violenta do Mistério Pascal, vivido e atualizado pelas nossas fundadoras e nossos fundadores. É o convite que fazemos a homens e mulheres de nossas Igrejas e pessoas de boa vontade, a trabalhar juntas e juntos, em diálogo, com os novos sujeitos emergentes “para que nossos povos tenham vida” (Documento de Aparecida 1, 384,389).

Desde nossas experiências de vida e critérios evangélicos, ao constatar situações que violentam, desrespeitam e violam os direitos humanos, culturais, econômicos e políticos, denunciamos aquelas ações que contradizem a vida digna: os grandes projetos extrativos mineiros, hidroelétricas, Tráfico de Pessoas e o não reconhecimento dos povos e suas etnias (ancestrais e emergentes) entre outras. Ao mesmo tempo, promovemos e animamos campanhas alternativas, como a reciclagem, a economia solidária, o acompanhamento e participação de protestos sociais…, com o próprio testemunho de vida e profunda humildade interior apostam para viver uma espiritualidade integradora no tempo de mudanças que vivemos.

Sentimos-nos comprometidos e comprometidas a viver em atitude de escuta a toda a criação, promovendo relações fraternas, e sororais, justas e criativas, em diversos níveis, para oferecer espaços de acompanhamento, formação e colaboração entre nós e com todos os cenários religiosos e da sociedade civil.

Que o Espírito Santo “harmonia” e “vínculo de amor”, nos ajude neste propósito (Evangelii Gaudium 117), a Ruah Divina, para que na escuta interior e contemplação criativa, possamos discernir os sinais dos tempos, e assim nossas vidas e ações possam incidir positivamente nos espaços onde nos movemos.

Acolhemos e apoiamos com todo o coração nosso Pastor, o Papa Francisco, no seu chamado a viver o Evangelho com ternura, simplicidade e autocrítica, superando a comodidade autoreferencial (DA 8,94). Comprometemos-nos a ser comunidades “em saída”, “Igreja com as portas abertas […] para chegar às periferias humanas” (EG 46), em sintonia com toda a criação.

 Participantes no Seminário da CLAR sobre Justiça, Paz e integridade da Criação.

                              Lima, 5 de novembro de 2014

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