Adital| 10.07.14| Durante visita oficial recente do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, ao Vaticano, o mandatário latino-americano defendeu junto ao Papa Francisco a “agenda de reformas” constitucionais que vem sendo patrocinada por seu governo. Entretanto, a aproximação entre Peña Nieto e o sumo pontífice gerou em setores eclesiásticos mexicanos uma onda de críticas, tanto pela falta de diálogo com os setores de base de sua nação como pela tentativa de pressionar, via hierarquia eclesial, os bispos mexicanos contrários a essas reformas.

A Conferencia de Superiores Maiores de Religiosos do México (CIRM), organização que reúne mais de 400 congregações de religiosos e religiosas de todo o país, alerta para as consequências negativas que poderão recair sobre a maioria da população a partir da implantação de pontos dessa reforma constitucional e suas leis secundárias. O CIRM defende melhorias no diálogo, que as reformas não sejam aprovadas pelo Congresso sem antes serem submetidas a um amplo debate com a participação de todos os atores sociais envolvidos, entre eles a própria Igreja Católica.

“Como vamos apoiar algo que nem sequer foi discutido conosco e a sociedade? Seria uma loucura! Cometeríamos uma grande irresponsabilidade. É necessário, antes, analisarmos criticamente cada uma das reformas com o apoio de especialistas” afirma a religiosa Juana Ángeles Zárate, presidente do CIRM e superiora geral das Carmelitas do Sagrado Coração no México.

“Nossas preocupações quanto às reformas constitucionais são as mesmas que possui o episcopado mexicano [como um todo]. No CIRM compartilhamos a postura que externaram publicamente os bispos de nosso País” afirma Ricardo Pérez Enríquez, vice-presidente dessa instituição mexicana, referindo-se ao documento “Por um México atuemos!”, divulgado ao final da 97ª Assembleia Plenária do Episcopado Mexicano (CEM), assinado por mais de 100 bispos. O manifesto afirma que as reformas de Peña Nieto correm o risco de serem positivas apenas para “aqueles acostumados a beneficiarem-se dos bens do país”, representando um risco de trazer maior pobreza e desigualdade para a maioria da população.

Os conflitos entre os bispos mexicanos e seu Presidente da República extrapolam o âmbito das reformas constitucionais. No dia 28 de abril do ano passado, o CIRM publicou um documento crítico em que afirma, a respeito do clima de insegurança e violência vividos pelo México: “vemos incapacidade e ineficiência das instituições responsáveis por imporem justiça, e há áreas do país onde o Estado perdeu o controle”. E ainda: “Em nosso serviço missionário temos escutado o clamor de mulheres e crianças vítimas de exploração sexual, assim como os milhares de migrantes que, diariamente, cruzam o território nacional; não é clara a vontade do atual governo em atender a tais problemas tão delicados. Olhamos com preocupação os 13 milhões de mexicanos que vivem na pobreza extrema, assim como aos milhões de jovens sem oportunidades de estudo ou trabalho. Uma situação assim gera um descompasso no tecido social, não refletindo em um futuro de paz e justiça”.

Um mês após a divulgação do manifesto “Por um México atuemos!”, os bispos mexicanos estiveram reunidos com o Papa Francisco para colocá-lo à par de sua situação junto a Peña Nieto, o que teria levado o mandatário mexicano a agendar a visita oficial que ocorreu no último dia 07 de junho. Durante o encontro, ficou acertada uma visita do Papa Francisco ao México com data ainda a ser definida, embora não deva ocorrer antes de 2016.

Com informações do Observatório Eclesial do México

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