Por Rosinha Martins | 02.03. 2016 | Cerca de 600 religiosos e religiosas se reúnem em Curitiba- PR, vindos de todas as regiões do Brasil, para discutirem o tema “Vida Religiosa Consagrada, encarnação da misericórdia de Deus na Igreja e no mundo”. Assessora o encontro, o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica do Vaticano, dom João Braz, Cardeal de Aviz.

O coordenador da Conferência dos Religiosos de Curitiba, o religioso marista, Irmão Pedro Wolter (Pedrinho), acolheu a todos e explicou as razões do evento. “É uma herança

da coordenação anterior que trouxe dom João em vista do Ano da Vida Consagrada. E como estamos no jubileu do Ano da Misericórdia, a coordenação achou por bem trazer novamente dom João, o responsável pela Vida Religiosa na Igreja”, disse.

Para Irmão Pedrinho, o tema da misericórdia tem tudo a ver com a Vida Consagrada. “O rosto misericordioso de Deus deve ser contemplado no rosto misericordioso dos religiosos, pois Deus se manifesta através deles. Mesmo um irmão religioso ou religiosa idoso que não esteja em plena atividade, deve ser expressão de um rosto sereno, que faça transparecer a misericórdia do Pai”, acrescentou.

“Eu nunca encontrei tantos religiosos numa única ocasião como hoje, aqui. Quero agradecer por terem escolhido Curitiba. É uma honra e uma graça para a Arquidiocese que vocês todos estejam aqui. Bem-vindos! E quero saudar com grande afabilidade dom João”, relatou o arcebispo da Arquidiocese de Curitiba, dom José Antônio Peruzzo.

Dom Peruzzo versou sobre o tema ‘Vida Consagrada como encarnação da Misericórdia do Pai’ e ressaltou que a expressão encarnação faz lembrar Nazaré. “Devemos ter presente que a encarnação era algo desejado desde a eternidade. Ele nunca fora amado na história quanto na hora do “Eis a serva”! É como se o tempo tivesse parado para que a frase fosse pronunciada e alcançasse até os fins dos tempos.

Ainda, segundo dom Peruzzo, a Vida Consagrada é chamada a olhar com coração para a miséria do mundo e, nos carismas que inspiraram o surgimento dessas famílias religiosas sempre houve um anseio de bondade misericordiosa. “Se a Vida Consagrada for encarnação da misericórdia de Deus, então lá onde estiverem os religiosos, Deus será lembrado mais por sua bondade do que por qualquer outra opção dele mesmo”, garantiu.

O arcebispo encerrou sua fala, dizendo que não sabe se a arquidiocese de Curitiba um dia conseguirá ser suficientemente grata aos religiosos. “Seria mísera a nossa evangelização se entre nós não tivéssemos a forte, renovadora e criativa presença da Vida Religiosa”, concluiu.

O assessor, dom João Braz de Aviz agradeceu o convite e ressaltou que seu desejo é, junto aos consagrados e consagradas, “aproveitar a graça desse momento em que apenas foi encerrado o Ano da Vida Consagrada vivido de modo muito intenso por nós e por boa parte da Igreja em todo o mundo”.

Dom João, durante a manhã e tarde deste primeiro dia aprofundou com a assembleia o pensamento do Papa Francisco sobre a Vida Consagrada, a saber: “Que seja sempre verdade aquilo que eu disse uma vez que ‘onde estão os religiosos, há alegria’; Espero que ‘desperteis o mundo’; Ser ‘peritos em comunhão’; Sair de si mesmo para ir às periferias existenciais.

“Onde estão os religiosos, há alegria”

Sobre o tema da alegria, o cardeal parafraseou o Papa Francisco lembrando que os religiosos são chamados a experimentar e mostrar que Deus é capaz de preencher o nosso coração. “É Ele quem nos faz felizes sem necessidade de procurar noutro lugar a nossa felicidade”, destacou.

É a autêntica fraternidade, acrescenta dom João, “vivida nas nossas comunidades que alimenta a alegria e é a entrega total ao serviço da Igreja, das famílias, dos jovens, dos idosos, dos pobres nos realiza como pessoas e dá plenitude à nossa vida”.

Dom João pediu ainda, aos consagrados, lembrando as palavras do Papa, que sejam pessoas alegres, felizes. “Que entre nós não se vejam rostos tristes, pessoas desgostosas e insatisfeitas, porque ‘um seguimento triste é um triste seguimento’. Também nós, como todos os outros homens e mulheres, sentimos dificuldades, noites do espírito, desilusões, doenças, declínio das forças devido à velhice. Mas, nisto mesmo, deveremos encontrar a ‘perfeita alegria'”.

“Despertar o mundo”

Despertar o mundo de modo profético é um outro convite do Papa Francisco aos consagrados. “Espero que «desperteis o mundo», porque a nota característica da vida consagrada é a profecia. Como disse aos Superiores Gerais, ‘a radicalidade evangélica não é própria só dos religiosos: é pedida a todos. Mas os religiosos seguem o Senhor de uma maneira especial, de modo profético'”.

O profeta, de acordo com dom João, recebe de Deus a capacidade de perscrutar a história em que vive e interpretar os acontecimentos. Ele é como uma sentinela que vigia durante a noite e sabe quando chega a aurora (cf. Is 21, 11-12). “O profeta é capaz de discernimento e também de denunciar o mal do pecado e as injustiças, porque é livre, não deve responder a outros senhores que não seja a Deus, não tem outros interesses além dos de Deus”, acenou.

“Os religiosos e as religiosas, como todas as outras pessoas consagradas, são chamados a ser ‘peritos em comunhão'”

O desejo do Papa Francisco é que a ‘espiritualidade da comunhão’, indicada por São João Paulo II, se torne realidade e que os religiosos estejam na vanguarda abraçando ‘o grande desafio que nos espera’ neste novo milênio: ‘fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão’. Francisco garante, segundo afirma dom João, que os religiosos trabalharão para que o ideal de fraternidade perseguido pelos Fundadores e pelas Fundadoras cresça, nos mais diversos níveis, como que em círculos concêntricos.

Francisco alerta sobre as desavenças, as fofocas, no ambiente fraterno, que destroem a comunhão entre os consagrados. “A este respeito, convido-vos a reler frequentes intervenções minhas onde não me canso de repetir que críticas, bisbilhotices, invejas, ciúmes, antagonismos são comportamentos que não têm direito de habitar nas nossas casas. Mas, posta esta premissa, o caminho da caridade que se abre diante de nós é quase infinito, porque se trata de buscar a aceitação e a solicitude recíprocas, praticar a comunhão dos bens materiais e espirituais, a correção fraterna, o respeito pelas pessoas mais frágeis…”

“Sair de si mesmo para ir às periferias existenciais”

“Não vos fecheis em vós mesmos, adverte Francisco, não vos deixeis asfixiar por pequenas brigas de casa, não fiqueis prisioneiros dos vossos problemas. Estes resolver-se-ão se sairdes para ajudar os outros a resolverem os seus problemas, anunciando-lhes a Boa Nova. Encontrareis a vida dando a vida, a esperança dando esperança, o amor amando”.

Francisco espera dos Religiosos, “gestos concretos de acolhimento dos refugiados, de solidariedade com os pobres, de criatividade na catequese, no anúncio do Evangelho, na iniciação à vida de oração”.

Participam da mesa como interventores, a presidente nacional da CRB, Irmã Maria Inês Vieira Ribeiro e o teólogo dehoniano, padre Marcial Maçaneiro. Na tarde do dia 03, o cardeal fará a Celebração de entrada pela Porta Santa, quando os consagrados receberão a indugência plenária.

O encontro com dom João Braz de Aviz segue até a tarde do dia 03.

 

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