Por Rosinha Martins| 24.01.14| O 2º Seminário sobre Formação Presbiteral teve como assessor na tarde desta quinta, 23, o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner que refletiu sobre o tema: ‘o presbítero, um homem conquistado por Deus a serviço dos irmãos’.

Um ser em relação

Em sua fala, dom Leonardo ressaltou que o presbítero como pessoa, é um ser em relação e como relação precisa buscar conhecer a si mesmo em vista de uma relação madura e saudável com a realidade na qual está inserido. “Na formação é determinante que o reitor seja aquele que provoca o formando a sair do seu mundo”, disse.

A relação, segundo dom Leonardo, é determinante no exercício do presbitério, pois ser discípulo missionário é ‘ser relação”. Para ele, é impossível ser pastor do povo de Deus se não se considera essa verdade. “Porque tantas dificuldades enfrentadas com os conselhos das comunidades na vida do seminário? Isso se deve ao fato de não conseguirmos sondar com maior profundidade toda a questão das nossas relações que nos foram dadas e que se transformaram numa identidade”, afirmou.

Relacionamos com Deus ou com a imagem que dele fazemos?

Como seres no mundo, chamados à vida, aquele que é chamado ao presbitério não é uma criatura isolada, mas em constante convivência e relacionamento com os outros e com as coisas criadas. Para viver em relação, o ser humano precisa criar imagens e não vive sem elas. Cria-se imagem do pai, da mãe, de outras pessoas. “Estas figuras se tornam fundamentais uma vez que, viver no mundo é viver com figuras e como seres em relação, construímos também uma figura de Deus”, relatou.

Para dom Leonardo, as figuras que se formam de Deus não são suficientes para conhecê-Lo, pois, elas não dizem na totalidade o que Deus é e por isso, para se conhecer a Deus é preciso saber como Deus ama. “Deus ama em Jesus Cristo, com Ele e a partir Dele: na cruz, no estábulo e no lava-pés. A encarnação é o modo como Deus ama. O pivô deste modo de ser consiste em ser servo de toda criatura. Precisamos nos perguntar: que figura de Deus estamos ajudando o nosso formando a construir, na formação. Relacionamos com Deus ou com uma imagem dele?, questionou. “A compreensão deste amor serviço só é possível por meio da experiência de Deus”, completou.

Homem conquistado por Deus

Ao falar do presbítero como homem conquistado por Deus, dom Leonardo citou o apóstolo Paulo para ressaltar que é preciso ter a experiência e consciência clara de que o presbítero é um homem conquistado, alcançado por Deus. “A nossa vocação e missão nasce de uma conquista que Deus fez de nós, que é uma escolha que Jesus fez por nós. E esse ser conquistado só é possível no encontro”.

Segundo o assessor, a experiência de ser amado e conquistado por Deus desperta uma gratidão que, por sua vez leva à gratuidade de servir. “Até que ponto na formação estamos conseguindo despertar os formandos para essa grandeza da conquista, para uma vida de gratidão, de generosidade, doação, como Deus?”, perguntou.

Na opinião de dom Leonardo, os formadores têm dificuldades em despertar nos formandos essa consciência e a experiência de ter sido amado e conquistado por Deus, experiência fundamental para a gratuidade. “Hoje não conseguimos fazer ver que a vocação é um chamado, dom, graça, conquista, talvez porque não tenhamos feito a experiência de sermos conquistados por Deus. Gratidão nasce em quem foi amado gratuitamente, sem para quê, sem justificativa. A gratuidade da conquista é que torna o coração livre e doador”, ponderou.

A serviço dos irmãos

Dom Leonardo concluiu sua intervenção no seminário dizendo que ser presbítero é tomar parte do modo de ser de Jesus Cristo, colocar água na bacia e lavar os pés. Fez menção ao documento de Aparecida, lembrando que servir é dedicar mais tempo aos pobres, escolhê-los, para com eles partilhar horas, semanas ou anos. “O presbítero como irmão de todos entende que toda a obra criada é centelha do mesmo amor. Somos presbíteros a serviço de toda humana criatura. Nada está fora do nosso serviço porque somos irmãos. A viúva do evangelho é um exemplo, pois, conquistada por Deus, já não tinha outro amor e o seu amor era tão grande que deu aquilo que tinha”, concluiu.

Em entrevista à assessoria de comunicação, o secretário geral da CNBB frisou a importância que este Seminário tem para a Igreja nos tempos atuais. “Poderá nos ajudar muito, pois estamos aqui para partilhar experiências e nos colocamos também no serviço de ouvir, para que possamos formar presbíteros bem dispostos, a serviço do povo de Deus”.

Presbíteros segundo o Coração de Jesus

Para dom Leonardo, a formação deve levar em conta todas as dimensões da pessoa humana (humano-afetiva, intelectual, missionária, espiritual), mas lembrou que uma vez que a Igreja forma pastores para ‘o povo de Deus’, as dimensões missionária e pastoral devem ser privilegiadas. “Não podemos esquecer, porém de nenhuma delas. Insistimos muito na maturidade humana, na experiência madura do evangelho, a experiência espiritual, homens sagazes, sábios, intelectuais, que saibam ler na história de hoje a presença de Deus, que saibam entrever na busca do homem e da mulher de hoje, esse mistério grandioso do amor de Deus”, ressaltou.

“Ser presbítero segundo o Coração de Jesus significa amar segundo o modo de Jesus amar, servir segundo o modo de Jesus servir, da presença de Jesus no meio de nós. Quando dizemos segundo o coração de Jesus, queremos dizer o modo estupendo de Jesus estar no meio de nós, que dá um horizonte novo por meio da ressurreição”, finalizou.

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