À Arquidiocese de Belo Horizonte e ao povo de  Brumadinho

Nós, Filhas de São Paulo (Irmãs Paulinas), com a missão de colocar a “comunicação a serviço da vida”, sentimo-nos atingidas pelo  crime ambiental e social ocorrido em Brumadinho (MG), dia 25 de janeiro, memória da conversão de São Paulo, que proclama: “toda a criação, geme e agoniza como que em dores de parto, até o momento presente” (Rm 8,22 ).

Diante disto,  nos solidarizamos com a dor das famílias atingidas por esta tragédia, lamentando perdas irreparáveis de pessoas, ambientais e materiais.

Nós, Paulinas, também nos sentimos solidárias com a  Arquidiocese de Belo Horizonte, crendo que “é urgente minimizar a dor dos atingidos, acompanhar de perto a atuação das autoridades e apurar os responsáveis por mais este triste e lamentável episódio, chaga aberta no coração de Minas Gerais. Que a justiça seja feita”. (Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte).

Lamentamos a agressão ambiental que, o rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho, causou. O papa Francisco afirma na Carta Encíclica Laudato sì: “O meio ambiente é um bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos. Quem possui uma parte é apenas para a administrar em benefício de todos. Se não o fizermos, carregamos na consciência o peso de negar a existência aos outros” (LS 95).

Lamentamos a inversão de valores que prioriza o lucro em detrimento da vida como lembra a  Laudato sì : “Sempre se verificou a intervenção do ser humano sobre a natureza, que durante muito tempo teve a característica de acompanhar, secundar as possibilidades oferecidas pelas próprias  coisas; mas o ser humano e as coisas deixaram de se dar amigavelmente a mão, e passa-se facilmente à ideia dum crescimento infinito ou ilimitado, que tanto entusiasmou os economistas, os teóricos da finança e da tecnologia. Isto supõe a mentira da disponibilidade infinita dos bens do planeta, que leva a «espremê-lo» até ao limite e para além do mesmo. Os efeitos da aplicação deste modelo a toda a realidade, humana e social, constatam-se na degradação do meio ambiente, mas isto é apenas um sinal do reducionismo que afeta a vida humana e a sociedade em todas as suas dimensões. ” (LS 106-107).

Unimo-nos a todos que seguem com interesse os desdobramentos e pedimos  a revisão do marco regulatório, a avaliação dos  órgãos de controle e atenção necessária às pessoas, aos povoados e, à natureza prejudicados.

Não tem como nos omitir, pois como diz o apóstolo Paulo, “somos membros uns aos outros” (Ef 4,25).

São Paulo, 27 de janeiro de 2019

Irmã Maria Antonieta Bruscato, superiora provincial

Pelas Irmãs Paulinas

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