Saudação do Irmão Superior Geral dos Maristas 
por ocasião do Natal de 2017 e 2 de janeiro de 2018

ONatal se aproxima e enche nossos corações de alegria. Para a maioria de nós, será uma ocasião para expressar a nossa amizade, para fortalecer os laços de fraternidade e para viver belos momentos em comunidade, em nossas famílias e com tantas pessoas que amamos. A alegria da presença de Jesus, no meio do seu povo e na nossa história, enche os nossos corações. Depois, partilhamos essa alegria com os que estão perto ou longe de nós. A presença de Jesus é um sinal sempre novo de que Deus se aproxima de nós e nós nos damos conta da sua presença.
No entanto, para muitos, celebrar Natal será algo que simplesmente passará despercebido. Penso, de um modo particular, em muitas crianças que vivem nas margens das nossas sociedades.
No passado dia 20 de novembro, ao celebrar o Dia Mundial da Criança, o FMSI (nossa Organização Marista para os Direitos da Criança) realizou uma conferência em Roma para comemorar o 10o aniversário de sua existência. O título da conferência era: «Os direitos das crianças em movimento». Fiquei muito feliz ao receber informações sobre iniciativas maristas que se realizam em favor de migrantes e refugiados em países como Ruanda, África do Sul, Uruguai, Brasil, México, Estados Unidos, Espanha, Itália, Líbano, Tailândia e Austrália.

Ao mesmo tempo, o meu coração se comoveu ao ouvir muitas histórias de crianças que chegam e pedem refúgio na Itália. Muitas

delas já não têm sonhos, porque foram vítimas do tráfico de seres humanos e foram torturadas. Uma delas, uma menina deslocada pela guerra conta que seu desejo era de voltar a casa para buscar a boneca que tinha esquecido. Mas não imaginava que ao chegar encontraria não apenas uma casa vazia; encontraria os escombros da sua casa destruída pelas atrocidades da guerra.
Ao ouvir essas histórias, veio à minha mente, de um modo muito forte, a imagem de Jesus que nasceu fora da cidade, numa manjedoura cheia de palha e cercada de animais. Mas junto a ele estavam os seus pais, Maria e José, com o que isso significa de abrigo, de calor humano e de proteção. Certamente, eles também sofreram por não encontrar um lugar conveniente para colocar seu bebê recém-nascido; tentam ultrapassar essa situação com a sua ternura. Sintonizo com o Papa Francisco, que nos exorta:

“Deixemo-nos interpelar pelo Menino na manjedoura, mas deixemo-nos interpelar também pelas crianças que, hoje, não têm um berço nem o carinho de uma mãe ou de um pai. Bem pelo contrário encontram-se “em manjedouras indignas onde a sua dignidade é devorada”: em abrigos subterrâneos para escapar dos bombardeios de guerra, nas calçadas de uma grande cidade, no fundo de uma barca cheia de emigrantes” (Homilia de 24 de dezembro de 2016).

Este Natal de 2017 é o primeiro do terceiro centenário marista. No próximo dia 2 de janeiro, faremos 201 anos de fundação. Ao olhar para estes dois acontecimentos é bom perguntar:
Para onde quero deslocar-me? Que aspetos da minha vida devo eu mudar? Que área de conforto devo eu deixar? Com que crianças marginalizadas posso encontrar-me para viver com elas uma experiência de família e «celebrar Natal»? Com quem posso vive rem rede uma ação solidária?

Vivamos este Natal a partir do mistério de um Deus que se desloca e emigra, de um Deus encarnado, vulnerável, acolhido e acarinhado nos braços e nos corações de José e Maria. Nós, esta grande multidão de maristas e de homens e mulheres de boa vontade em todo o mundo somos hoje esses braços e esses corações que acolhem Jesus.
O XXII Capítulo Geral fala de movimento e família, de saber deixar coisas, para renascer de novo, de ser faróis de esperança e criadores de lares de luz, de caminhar com as crianças e os jovens marginalizados e de nos tornarmos pontes para construir um mundo melhor. Tudo isso está em profunda sintonia com:
• um Natal que fala sobre deslocamento e de encarnação;
• um Natal que fala do acolhimento amoroso como o que se viveu na casa de José e MarIa;
• um Natal que hoje inspira a rede de lares vivos que queremos formar como uma família global;
• um Natal em que nos deslocamos e abrimos como lares que acolhem a vida, que cuidam dessa vida e geram nova vida;
um Natal para nos faz mover segundo uma das recomendações do Capítulo, que nos dias de hoje pode ter um sabor especial: «abraçar um estilo de vida simples e experimentar a nossa vulnerabilidade como um lugar de fertilidade e liberdade»;
• um Natal para ouvir os sem voz, para fortalecer a fraternidade, para criar uma família de estilo marista, como Champagnat a teria sonhado.
Que a «infância em movimento» possa, por sua vez, mover o nosso coração e torná-los mais acolhedor para todos.
Que tenhamos a capacidade de comover-nos como Deus se comoveu, ao fazer-se pequeno, pobre e criança.
Que ao viver estas chamadas, possamos dizer que celebramos Natal. Então, poderemos dizer e desejar de todo coração:
Feliz Natal!
Esse é o meu desejo para todos os maristas de Champagnat, espalhados por todo o mundo, e para todas as crianças, especialmente para as sem voz.
Deixo-vos com um abraço fraterno.

Ir. Ernesto Sánchez, Superior Geral
Natal 2017

 

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