Por Júlio Werlang| 21.10.13| Os Missionários da Sagrada Família que participam em Roma do XIII Capítulo Geral da Congregação MSF, desejando melhor acolher e interpretar os sinais dos tempos na procura de colaborar significativamente no anúncio  e na construção do Reino de Deus, abordaram diferentes aspectos que dizem respeito à missao MSF no seu estudo e reflexão  para assumir novas linhas inspiradoras e operacionais, perspectivas atualizadas e decisões que correspondam  aos desafios de nosso tempo. O Capítulo Geral  inspirado no evangelho de Mateus, Mt 9, 35-38, teve como tema: Ser Missionário da Sagrada Família hoje.

A mudança de época, caracterizada pelas diversas globalizações, a supremacia da economia de mercado, a tendência ao fundamentalismo, a emergência de um pensar e interpretar laicizados, o pragmatismo e a perda de referências éticas, a emergência da mulher e de novos sujeitos sociais  desafiam os missionários e missionárias e abrem novas possibilidades de vivenciar e expressar o carisma missionário.  Para ser um testemunho qualificado e profético nesta hora da história será fundamental  que os missionários e missionárias  sejam  pessoas atualizadas, com formação cultural qualificada, criativos e  inovadores, protagonistas, com todo o povo de Deus, de uma nova ordem social, econômica e cultural inspirados nos valores do evangelho e do Reino de Deus.

A missão enquanto Missionários  da Sagrada  Familia hoje se apresenta de um lado como mistagogia da profunda experiência de encontro com Deus a partir do modelo espiritual e missionário da Sagrada Familia sinalizando a importância da espiritualidade e da transcendência num contexto de secularismo, relativismo ético e religioso. De outro lado, em todas as partes do mundo, os missionários são  chamados a avançar na missão nas áreas de fronteira, nas novas fronteiras da missão e também nos enfoques específicos da congregação: família e vocações.  O legado espiritual e missionário do Pe. Jean Berthier(fundador MSF), missionário incansável, escritor, formador e pregador de retiros na montanha de La Salette, continua provocando e desafiando a sair de si e se torna luz sinalizadora quando afirma: “Foi para as missões estrangeiras que esta obra foi fundada!”.

A renovação das estruturas de animação e de governo, na perspectiva da leveza institucional não são apenas necessárias, mas vitais para as Congregações Religiosas.  Para realizar esta mudança estrutural será necessário um processo criativo, dialogal e firme de reestruturação que adeque as novas formas de organização para as novas situações das províncias e das congregações.  Este aggiornamentto implica em ampliar a congregacionalidade e a colaboração intercongregacional, flexibilizar as fronteiras provinciais , apostar na interação proativa e ampliar as formas de participação em todos os âmbitos.

Para realizar  este processo de animação e as mudanças significativas  nos próximos 6 anos a Congregação MSF elegeu o novo Conselho Geral: Pe Edmundo Michalski – Superior  Geral , Pe Agostinus Purnama -Vigário Geral, Pe Julio Cesar Werlang – Segundo Assistente (membro da Equipe de Reflexão Missionária-ERM) Pe Patrice Ralaivao –  Terceiro assistente, Pe. Bodgan Mikutra – Quarto assistente. Da Província do Brasil Meridional participaram de maneira ativa e marcante do capítulo o Pe José André da Costa( Diretor do IFIBE e Assessor do Centro Cultural Missionário),  o Pe Jandir Antônio Haas e o Pe Itacir Brassiani que esteve como Vigário Geral MSF no mandato cessante.

É importante destacar que o Capítulo Geral MSF se desenvolveu a partir de um processo bem participativo e dinâmico oferecendo espaço e oportunidade pra cada um expressar suas idéias,  propostas e perspectivas. As decisões, as linhas inspiradoras e linhas operacionais foram elaboradas com o envolvimento de toda a assembléia ( comunidades de discernimento, grupos temáticos e plenários).  A Ir. Vitoria RSC que assessorou e exerceu com maestria a função de facilitadora (facilitatrice), foi mais do que isso, uma experiente animadora, provocadora e inspiradora ( inspiratrice) como a chamou o Superior Geral, Pe Edmundo.

Que este processo envolvente e criativo, bem como as decisões tomadas  possam contribuir  para o avanço na missão, mas também na  metodologia e na participação,  para o pensar mais universal, congregacional e interinstitucional, para o diálogo efetivo com a sociedade civil, as organizações sociais  e os novos sujeitos nos mais diferentes e plurais lugares onde se realiza a ação evangelizadora e missionaria!

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