Por Camilo Simon| 12.05.2015| No próximo dia 23 de maio, será beatificada Irmã Irene Stefani, Missionária da Consolata, italiana, falecida com 39 anos no Quênia.O milagre aprovado pela Igreja é atípico e raro: uma pia batismal utilizada em batismos, com restos de água, misteriosamente não se esgotou, nos três dias em que foi consumida por cerca de 250 pessoas, escondidas numa igreja de Nipepe (Moçambique), que haviam fugido dos guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

Testemunhas

Irmã Anair Voltolini, catarinense de Blumenau, que foi missionária por oito anos em Moçambique e hoje é a Provincial da Congregação da Consolata em São Paulo, conhece bem o milagre, pois sua missão estava distante apenas 130 km de Nipepe e ainda hoje há inúmeros testemunhas do fato.

Ela relata que durante a formação dos catequistas, o padre italiano Giuseppe Frizzi, juntamente com as missionárias da Consolata de Maúa invocavam a figura e obra da Irmã Irene, falecida com fama de santidade no Quênia, em 1930. No dia 10 de janeiro de 1989, a vila de Nipepe foi atacada pela Renamo, grupo revolucionário, que fazia oposição ao governo.

O padre Giuseppe Frizzi, diretor do Centro Catequético de Maúa, encontrava-se dentro da igreja com as famílias de catequistas. Fecharam as portas e o padre obrigou a todas as pessoas presentes a ficar em silêncio e pediu que todos invocassem Irmã Irene e ficassem tranquilos, pois todos seriam salvos.

A água que multiplicou

Irmã Anair conta “que apenas havia algumas bolachas para todas as pessoas. Não havia banheiros. Duas salas da igreja foram reservadas para as necessidades fisiológicas dos homens e mulheres. A única água existente eram seis litros que ficara armazenada num tronco da pia batismal.No domingo anterior tinha havido batizados na paróquia. Durante estes três dias, todas as 250 pessoas tomaram dessa água que nunca secava, inclusive durante o evento nasceu uma criança que foi lavada com a mesma água.

Um verdadeiro milagre científico. Depois de três dias, um homem saiu da igreja e foi obrigado a denunciar os demais. Os guerrilheiros entraram no recinto e obrigaram a homens e mulheres a viajar com eles até a base da Renamo, 200 km distante da vila”.

O padre Frizzi estava celebrando a missa quando se deu o ataque. Os guerrilheiros, depois de pilharem a Missão e as casas dos catequistas, obrigaram o missionário a escolher um grupo de homens para carregarem os bens roubados e acompanhá-los até à sua base. O padre se negou proceder a tal escolha e evitou a todo o custo que alguém fosse levado com eles. Segundo a tradição macua, sentou-se no chão, como sinal de recusa.

Seguiu-se um longo impasse. O missionário negava-se a deixar partir a sua gente e os guerrilheiros não queriam voltar sozinhos. Ao final, alguns ficaram com o padre e as demais famílias com mulheres e crianças foram forçadas a ir para base. Passados dois meses, todos fugiram e voltaram para Nipepe, são e salvos. Um grande milagre da Irmã Irene.

O sonho

Um dos catequistas que estava fora da missão teve um sonho. Uma mulher apareceu para ele e disse que os habitantes da vila seriam salvos e que por isso confiassem em Deus. Na volta para a vila, o catequista relatou o sonho ao padre e este mostrou um santinho de Irmã Irene e ele logo disse: “foi esta mulher que apareceu para mim em sonho”.

Irmã Irene nasceu em Anfo, na província de Brescia. Aos treze anos, revela aos pais o desejo de ser missionária. Em 1911 entra na congregação das Missionárias da Consolata de Turim, norte da Itália, lugar da fundação em 1910. Em 1914 parte para o Quênia. Durante a primeira guerra mundial torna-se voluntária da Cruz Vermelha, na Tanzânia e depois em 1919 volta para o Quênia, em Ghekondi, onde trabalhará até a morte. Lá recebeu o nome de Nyaatha, “mulher toda misericórdia”. Morreu depois de contrair uma peste entre os doentes, em 1930.

A Santa Sé, primeiramente rejeitou o pedido de beatificação pois não houve curas comprovadas pelos médicos. Um segundo pedido foi feito e comprovado que se as 270 pessoas não tivessem tomado da água da pia batismal teriam morrido de fome e sede.

Publicado no Jornal digital Parceiros das Missões, n.35, maio de 2015

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