Por Irmã Beatriz Catarina Maestri – CF|23.07.14| Com a vinda de imigrantes italianos ao Vale do Itajaí – Santa Catarina, em 1875, formou-se a cidade de Rodeio. Como em outras cidades do estado, também em Rodeio as escolas eram mantidas pelas comunidades e muitas delas sob a responsabilidade do pároco local.

No início do século XX, era pároco, em Rodeio, Frei Polycarpo Schuhen, ofm. Como havia necessidade de professores para as chamadas “escolas paroquiais”, Frei Polycarpo dirigiu-se à Pia União das Filhas de Maria e à Ordem Franciscana Secular, em busca de colaboradores.

A primeira jovem que se apresentou com “grande desejo de colaborar” foi Amábile Avosani que, em 04 de agosto de 1913, assumiu a escola em Aquidabã, hoje município de Apiúna – SC. Tempos depois vieram outras duas jovens: sua irmã, Maria Avosani e Liduína Venturi, que passaram a assumir o trabalho na região de São Virgílio, em Rodeio. Foi nesta comunidade que, no dia 14 de janeiro de 1915, as três jovens, interrogadas por Frei Polycarpo, manifestaram sua pronta decisão de dar continuidade ao trabalho nas escolas. Foi de Maria Avosani que veio o Sim decisivo: “Um ano, não, padre. Nós queremos ficar sempre”.

Este foi o início da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas. Aos poucos, outras tantas jovens foram se unindo ao grupo, animadas pelo mesmo ideal apostólico de contribuir na evangelização através da educação e da catequese. Passaram a formar pequenas fraternidades, inseridas em meio ao povo, em comunidades rurais do interior da paróquia. Sua vida era simples, ocupavam-se com os trabalhos escolares, ajudavam em atividades na igreja e dedicavam-se às funções da casa e aos trabalhos hortigranjeiros.

No início, o grupo contou com a orientação e apoio das irmãs da Congregação da Divina Providência, sobretudo de Irmã Clemência Beninca. Estas residiam em Rodeio, desde 1905, onde mantinham uma farmácia e também lecionavam em escolas paroquiais.

Em 1931, Dom Pio de Freitas, primeiro bispo de Joinville, informou a Congregação dos Religiosos sobre a existência do grupo de Irmãs que, no início, se chamou de Companhia das Catequistas.

Aos poucos o grupo foi crescendo e se expandindo para outras regiões. Em 1947 as irmãs foram em missão para o então estado do Mato Grosso, ao mesmo tempo em que se expandia a ação em outras cidades no sul do país. A partir de 1967, a Congregação se organizou em províncias. Hoje conta com seis províncias.

A missão das Irmãs se estendeu também a outros países e continentes. A partir de 1983, a congregação passou a marcar presença missionária em Angola – África e, em 1984, na Argentina. Ao celebrar os 75 anos de história, as Irmãs decidiram somar em outros países da América Latina, assumindo a missão na Guatemala (1992), República Dominicana (1993), Bolívia (1996) e no Paraguai (1997). Atualmente a congregação marca presença em 22 estados no Brasil e em outros 10 países. Além dos acima citados, as irmãs estão em Moçambique, Haiti, Chile e Peru.

O projeto de vida das Irmãs Catequistas Franciscanas é seguir Jesus Cristo, vivendo no meio do povo. A partir da inspiração de São Francisco e Santa Clara de Assis, as irmãs buscam viver na simplicidade, alegria e disponibilidade, a serviço da vida, onde esta se encontra mais fragilizada.

A partir do final da década de 90 e começo dos anos 2000, foi se fortalecendo na congregação a atuação em novos espaços, passando do meio rural para as periferias das grandes cidades, a partir de uma presença comprometida com os meios populares. Continuaram os trabalhos com a catequese, com novos métodos, na formação de lideranças e nas Comunidades Eclesiais de Base. Fortaleceu-se o trabalho em projetos sociais, com grupos de economia solidária, com povos indígenas em aldeias e no meio urbano, com a população em situação de rua, catadores/as de material reciclável, mulheres e jovens, saúde popular, movimentos ambientais, de direitos humanos, de moradia e outros espaços junto ao povo sofrido.

A partir do novo milênio, cresceu a compreensão de que é preciso abrir caminhos de trabalhos em redes e parcerias, com outras pessoas e grupos, num esforço constante de atualização do Carisma. Para responder a esta perspectiva de uma caminhada mais aberta, plural e sintonizada com os apelos atuais, iniciou-se um trabalho de parceria com pessoas leigas. Chamados de Simpatizantes do Carisma em várias regiões, estes grupos, juntamente com as irmãs, aprofundam a espiritualidade francisclariana, além de aspectos da história e do Carisma da congregação e participam das programações e projetos da instituição.

No dia 14 de janeiro de 2015, a congregação celebra seu centenário. É uma celebração de louvor a Deus, por ter conduzido e inspirado essa história e caminhada. E de gratidão a todo o povo que acolheu e apoiou as irmãs e, juntamente com elas, contribuiu na trajetória de levar adiante o sonho das pioneiras. Que esta celebração seja, acima de tudo, compromisso a recomeçar sempre, sintonizando com os movimentos da história, através das vidas que em todos os tempos continuam a se doar, na simplicidade, no desapego, na alegria de servir e na busca da irmandade universal.

 Referências:

– Forma de Vida das Irmãs Catequistas Franciscanas. Joinville, 1998.

– Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas. Memórias e Sonhos – Subsídio de Estudo para a Formação Inicial. Joinville, 2005.

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