Na obra O FENÔMENO HUMANO, Theilhard de Chardin, padre, geólogo e paleontólogo francês, explicita os termos antropização, hominização e humanização. Refere-se à antropização como a fase em que fomos adquirindo os traços do corpo (formato do crânio, redução da face, liberação das mãos, feição corporal). Sobre a hominização diz que é a fase em que passamos da vida animal não reflexiva à vida humana reflexiva. É o salto do instinto para o pensamento. Não deixamos de ser biosfera, mas passamos a compor a noosfera, a camada pensante da vida. E trata a humanização como o processo evolutivo em que passamos a adquirir os valores humanos, vistos na cultura geral, quando estudamos a história das civilizações.

A humanização, sendo cultural, é permanente. Seres em evolução, vamos sempre nos renovando, adquirindo novos valores e lançando novos olhares sobre valores cristalizados. Às vezes, a mudança é cumulativa, como, por exemplo, os processos pedagógicos, que geralmente mantêm características da fase anterior; outras vezes, a mudança faz saltos, é paradigmática, como, por exemplo, a teoria evolutiva de Darwin, que abalou a teoria criacionista da Bíblia. As evoluções cumulativas geram menos protestos, pois são suaves e as pessoas têm tempo de se adaptar; as evoluções paradigmáticas provocam grandes revoltas, pois rompem com uma série de conceitos e práticas sociais. Basta verificar a crise que gerou na Igreja e na sociedade a teoria da evolução de Darwin, ou a teoria heliocêntrica de Copérnico. As mudanças cumulativas ocupam-se apenas com reformas; as paradigmáticas são transformadoras.

Estamos passando por uma mudança importante: do racionalismo, promotor de tantos problemas sociais e ambientais, incluindo a dicotomia ser humano/biosfera, para o equilíbrio razão/emoção, promotor de uma cultura ética, espiritual e solidária, incluindo a integração ser humano/biosfera.

As sociedades ou as pessoas que promovem guerras, que fabricam injustiças sociais, que depredam a biosfera precisam dar um salto transformador, precisam humanizar-se, precisam evoluir. Não basta terem a forma humana (a antropização) e pertencerem à noosfera, à camada pensante da biosfera (a hominização). Precisam rever seus valores e envolver-se, urgentemente, no processo de humanização. Retomando Theilhard de Chardin, “O homem não é apenas o animal racional, como queria Aristóteles, mas é o animal reflexivo. O homem não é apenas ‘um ser que sabe’, mas ‘um ser que sabe que sabe’. Essa característica possibilita a ética, alimenta a espiritualidade, chama à solidariedade.

Ao receber a capacidade da reflexão, fomos chamados à permanente humanização. Porém, o atrofiamento destes valores (ética, espiritualidade, solidariedade, entre outros) brutaliza a nossa mente e o nosso coração, tornando-nos promotores de um mundo injusto e inóspito, como escreve Edson Ferreira de Carvalho: “Enquanto a porção rica do globo viver na abundância e a miséria e o atraso campearem nos países do terceiro mundo (os mesmos que foram vítimas do colonialismo), existe pouca esperança de se alcançar um futuro comum e justo no pequeno planeta Terra. Se a economia continuar a se expandir na direção de um mundo mais rico, porém excludente, cada vez menos pessoas poderão participar das vantagens de uma sociedade tecnologicamente moderna em um ambiente ecologicamente equilibrado. Se, por um lado, existe íntima relação negativa de causa e efeito entre superconsumo e degradação ambiental, por outro, existe também entre pobreza e meio ambiente. A pobreza, geralmente, empurra os pobres para ambientes cada vez mais marginalizados. O aumento da população pobre do mundo resulta em maior pressão sobre ambientes fragilizados, fazendo com que se reduza a probabilidade de efetivação dos direitos humanos e a proteção do meio ambiente”.

A humanização faz-se na convivência amável com o outro. Humberto Maturana e Francisco Varela expressam que “sem amor, sem a aceitação do outro ao nosso lado, não há socialização, e sem socialização não há humanidade”.

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