A Equipe Executiva do Conselho Missionário Nacional (Comina), organismo instituído pela CNBB, para articular as forças missionárias da Igreja no Brasil, reunida nos dias 16 e 17, em Brasília (DF), refletiu sobre temas relacionados à Missão, em especial, a renovação da Paróquia.

Na ocasião, a Equipe se debruçou sobre o tema: “Comunidade de comunidades: uma nova Paróquia”, discutido na 51ª Assembleia geral da CNBB realizada em Aparecida (SP) no mês de abril, agora documento de estudo (Edições CNBB, 104). Irmã Maria Eugenia Lloris Aguado, religiosa da Fraternidade Missionária Verbum Dei e membro da equipe de assessores do tema central da Assembleia da CNBB, apresentou o documento debatido pelos bispos e explicou que a finalidade é “suscitar reflexões, debates e revisões da prática pastoral” no intuito de iniciar um processo de construção da nova paróquia. “Mais do que elaborar um texto é preciso fazer uma verdadeira conversão pastoral o que implica sermos discípulos missionários, não para manter estruturas, mas para viver o Evangelho”, defendeu a assessora. “Trata-se de acreditar na proposta para que ela nos convença”, reforçou.

O documento, em sua segunda versão, recebe agora contribuições. Para a Equipe Executiva do Comina é importante trabalhar a dimensão missionária como um elemento constitutivo da comunidade. Após várias intervenções foram elaboradas perguntas que poderiam ajudar no debate. Onde estão os problemas da paróquia? Quais são as estruturas ultrapassadas que já não favorecem a transmissão da fé? O que seria essa nova paróquia?

Padre Paulo Suess, assessor do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), defende que o texto não precisaria repetir as análises, mas mergulhar na realidade e ouvir as bases. Para o teólogo, o desafio é deixar as comunidades falarem sobre as estruturas “caducas” e sonhar com a nova paróquia. “A novidade da paróquia será a sua missionariedade como paróquia samaritana e advogada da justiça dos pobres. Essa missionariedade perpassa todos os planos pastorais, o livro caixa e a formação dos agentes”, destaca.

A formulação de um Diretório para a animação missionária da Igreja no Brasil foi outro tema discutido. O Comina decidiu elaborar um documento de trabalho a ser encaminhado aos regionais. O objetivo é reunir contribuições quanto à teologia da missão, o papel dos animadores, sua organização e articulação.

Na avaliação de dom Sérgio Braschi, presidente da Comissão para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB e do Comina, “as reuniões do da Equipe Executiva são instrumentos de comunhão e reflexão. Iniciamos a nossa contribuição ao tema solicitado pela CNBB e partilhamos sobre vários acontecimentos missionários e compromissos futuros. Cada reunião do Comina nos enriquece mais para crescermos na comunhão entre os organismos que trabalham com a missão no Brasil”.

Dentre as partilhas, duas mereceram destaque. Irmã Antônia Mendes, da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), relatou sua recente visita ao Haiti, onde a CRB em parceria com a CNBB e a Caritas, mantém uma equipe de missionárias. A situação do país está mudando e a equipe intercongregacional receberá novas missionárias. “A economia solidária é o principal foco do Projeto Espaço da Cidadania coordenado pelas irmãs no Haiti”, explicou Irmã Antônia.

A vice-presidente do Cimi, Irmã Emília Altini, destacou algumas ações do Abril Indígena. “Vivenciar com os indígenas as alegrias, tristezas e esperanças significa caminhar com eles e assumir a profecia”, disse a religiosa e recordou que, numa das ações, lideranças indígenas ocuparam o Plenário da Câmara dos Deputados, o que resultou na paralisação do Projeto de Emenda Constitucional (PEC 215) e na criação de uma Comissão integrada por 10 deputados e 10 indígenas, para discutir todos os projetos que ferem seus direitos. Recentemente, os povos indígenas do Pará ocuparam, por uma semana, os canteiros de obras da Hidrelétrica de Belo Monte. Segundo a missionária do Cimi, “esse é o momento de nos unirmos diante dos ataques e dar visibilidade às causas indígenas. A espiritualidade é a força que os sustentam. A resistência histórica dos povos indígenas nos contagia e, da mesma forma, a nossa força missionária deve contagiá-los”, completou Irmã Emília.

Os trabalhos encerraram com um momento de prece em sintonia com o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: “O que Deus exige de nós?”.

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