Por Andrea Bonatelli| 01.04.2016| A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Ministério da Justiça, o Ministério Público Federal e o Instituto dos Advogados Brasileiros assinaram, na manhã desta sexta-feira, 1º de abril, a conclamação dirigida ao povo brasileiro. No texto as entidades incentivam o diálogo, a busca da tolerância e da paz, durante este momento de turbulência política pelo qual passa o Brasil.

A cerimônia, realizada na sede da CNBB, em Brasília, foi presidida pelo secretário geral da conferência, dom Leonardo Steiner. O bispo auxiliar de Brasília leu a conclamação para todos os presentes e afirmou que a CNBB quer, com este documento, despertar a sociedade para tomar consciência da necessidade do diálogo e da serenidade. “Temos que assumir as diferenças, não ter medo delas, mas respeitar as diferenças. É muito importante não sermos intolerantes politicamente. Existe hoje uma intolerância religiosa, racial, sexual, e nós estamos sentindo crescer a intolerância política. Nós da CNBB gostaríamos que a sociedade tomasse consciência da importância do diálogo, da importância da serenidade nesse momento importante do Brasil”, conclui dom Leonardo.

Participaram do ato e assinaram a conclamação o ministro da justiça, Eugênio Aragão; o procurador federal, Aurélio Veiga dos Rios e o representante do Instituto dos Advogados Brasileiros, Técio Lins e Silva.

O ministro Eugênio Aragão elogiou a iniciativa da CNBB e explicou que este documento é oportuno e conclama a população a reflexão sobre o diálogo e as divergências. “É extremamente preocupante o sentimento de raiva e ódio que se espalha pelo país por causa da divergência política. Isso está gerando intolerância nas pessoas e é o que não queremos. Queremos diálogo.
Todas as pessoas que têm consciência da gravidade deste momento devem refletir a respeito da violência, que está, infelizmente, dominando o debate político”, finalizou o ministro.

A CNBB informou ainda que este texto foi elaborado em conjunto com o Ministério da Justiça, o Ministério Público Federal e o Instituto dos Advogados Brasileiros, e que a conferência está dialogando com outras instituições para colaborarem com o incentivo e a busca pelo diálogo na sociedade brasileira.

confira a íntegra da declaração

Conclamação ao Povo Brasileiro

Reunidos, por iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),

Ministério da Justiça,

Ministério Público Federal,

Instituto dos Advogados Brasileiros,

Considerando as graves dificuldades institucionais, econômicas e sociais da atual conjuntura nacional, que geram inquietação e incertezas quanto ao futuro;

Considerando que nenhuma crise, por mais séria que seja, pode ter adequada solução fora dos cânones constitucionais e legais em decorrência do primado do Direito;

Considerando que as divergências naturais, numa sociedade plural, não devem ser resolvidas, senão preservando-se o respeito mútuo, em virtude da dignidade da pessoa humana;

Considerando que, em disputas políticas, necessariamente haverá aqueles que obtêm sucesso e aqueles que não alcançam seus objetivos;

Considerando que, nestes casos, o êxito não pode significar o aniquilamento do opositor, nem o insucesso pode autorizar a desqualificação do procedimento;

Considerando que, sejam quais forem os grupos políticos, suas convicções e valores não devem ser colocados acima dos interesses gerais do bem comum do Estado, que tem o dever de priorizar os grupos mais vulneráveis da população;

Considerando, por fim, que às entidades subscritas cabe desenvolver o seu mais ingente esforço para assegurar a prevalência das garantias constitucionais, norteadas por nossa Carta Cidadã de 1988 no artigo 3º:

Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I. construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II. garantir o desenvolvimento nacional;

III. erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV. promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Conclamam todos os cidadãos e cidadãs, comunidades, partidos políticos e entidades da sociedade civil organizada, a fazer sua parte e cooperar para este mesmo fim, adotando, em suas manifestações, a busca permanente de soluções pacíficas e o repúdio a qualquer forma de violência, convictos de que a força das ideias, na história da humanidade, sempre foi mais bem sucedida do que as ideias de força.

Se assim o fizermos, a História celebrará a maturidade, o equilíbrio e a racionalidade de nossa geração que terá sabido evitar a conflagração, que somente divide e não constrói, fazendo emergir dos presentes desafios, ainda mais fortalecidas, as Instituições, a República e a Democracia.

Brasília, 31 de março de 2016

Dom Leonardo Ulrich Steiner – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Dr. Eugênio Aragão – Ministério da Justiça

Dr. Aurélio Veiga dos Rios – Ministério Público Federal

Dr. Técio Lins e Silva – Instituto dos Advogados Brasileiros

Fonte: POM

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