Programa de Rádio 318 – para 4 de março de 2019

Cada vez que vou ao bioma Caatinga, no nordeste brasileiro, volta a pergunta: por que avança a desertificação dessa região? Sim, vale lembrar que a área considerada desertificada é maior que o estado do Ceará. Faz parte do grande semiárido brasileiro, mas o solo já não consegue manter-se vivo e fonte de vida. Por isso, é fundamental saber se a desertificação é um processo natural, inevitável, ou se é fruto da presença e das práticas humanas.

Os estudos em relação à região deixam claro que que a Caatinga não foi sempre como atualmente. Chovia mais, havia mais rios permanentes, áreas de vegetação mais alta e fechada, e a biodiversidade era imensa. As pesquisas realizadas na região de São Raimundo Nonato, no Piauí, e que resultaram no Museu do Homem Americano, comprovam que a realidade atual é fruto das práticas agressivas dos seres humanos que se apropriaram da região a partir da chegada dos colonos europeus. Na verdade, ainda hoje há empresas e grandes proprietários que continuam com esse tipo de práticas, desmatando a Caatinga para ampliar áreas de criação de gado, para implantar produção agrícola em monoculturas extensas, e pior ainda, para plantar grandes extensões de eucaliptos. Em outras palavras, continuam agredindo a natureza do bioma, acelerando a desertificação.

É nesse contexto que as práticas humanas de convivência com o Semiárido tomam sentido. Elas estão relacionadas justamente à recuperação da vida do bioma, e tiveram seu início na descoberta da água de chuva como segredo da convivência com o Semiárido. O caminho é esse: se chove, mas de forma irregular, podemos ser amigos da natureza ao guardar parte da água das chuvas para ter água quando não chove; se há quem ainda destrói a Caatinga, nosso amor à natureza se dá com práticas de recaatingamento, com criação de áreas com vegetação e biodiversidade da Caatinga; se os rios continuam explorados para produzir energia e alimentos envenenados, nosso amor vai da direção de usar o sol como fonte de vida e energia e avançar em práticas agroflorestais. Trata-se de uma profunda mudança nas relações das pessoas com os seres da biodiversidade e com a vida do solo da Terra como fonte de vida.

Por isso tudo, vale desejar que o Projeto Cuidado com a Casa Comum, que será implementado nos próximos três anos na região de Patos, Paraíba, ajude a assumir a energia solar como parte da Convivência com o bioma Caatinga.

            Ivo Poletto, do Fórum MCJS

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