“Logo que descobri que existe Deus entendi que não podia mais fazer outra coisa a não ser viver por ele: minha vocação religiosa começa no exato momento em que despertou a minha fé”. Assim escreveu Charles de Foucauld, monge sem convento, peregrino na Argélia em contato direto com as populações tuaregs, até ser assassinado, em 1º de dezembro de 1916.

Charles nasceu em 1858. Tinha sido oficial do exército francês e comandou expedições militares na África. Aos 28 anos, converteu-se ao Evangelho de Jesus. Ingressou num mosteiro trapista das irmãs clarissas em Nazaré. Não satisfeito, retirou-se para uma vida simples e oculta, a exemplo de Jesus. Charles se esvazia de tudo o que não é o Evangelho, “porque há uma grande diferença entre Deus e aquilo que não é Ele”. No silêncio e no abandono, mergulha no essencial. “O nosso aniquilamento é o meio mais poderoso que temos para nos unir a Jesus e fazer o bem”. Quando ainda estava no mosteiro trapista e decidiu de deixá-lo, escreveu:

“No mosteiro passei seis anos e meio, depois, desejando querer me assemelhar a Jesus, fui autorizado a viver como alguém desconhecido, vivendo do meu trabalho cotidiano”. O coração de Charles se alarga numa dimensão universal, exatamente porque se torna pequeno, escondido, partícipe da humildade do Senhor.

Foi chamado o “irmão universal” porque abrangeu o mundo todo e todos os povos, a partir da intensidade da presença entre os tuaregs. A universalidade tem, portanto, duas vertentes: uma é representada pela potencialidade e a intensidade da presença e a outra pela extensão e abertura até os confins da terra.

A presença e o aniquilamento não são dimensões que alimentam a tristeza da vida cristã, mas representam o caminho mais simples do seguimento de Jesus que se fez pobre e para todos ofereceu sua vida. O esvaziamento é o processo de diminuição para que, como João Batista, o missionário deixa que Deus possa intervir e agir na história dos povos e das pessoas.

Na vida de Charles de Foucauld, o protagonista que deve sempre mais aparecer e agir, através do discípulo, é o próprio Deus. Charles emprestou sua própria vida a Deus, uma vida não retida, mas doada. Quem guarda a própria vida para si, este a perde, mas quem a entrega, este a ganha.

A decisão que levou Charles de Foucauld a viver junto com os tuaregs, os pobres do deserto, é a condição de um caminho místico. O amor radical nasce dessa entrega.

Neste caminho está o processo de evangelização: antes de evangelizar, é necessário amar. Antes de proclamar as palavras e anunciar a mensagem, ocorre vivê-la, sem arrogância e orgulho, na própria vida.

Assim os tuaregs começarão a chamá-lo de “marabuto branco”, isto é, o homem da oração e o homem de Deus. A missão de Charles de Foucauld foi o inverso do proselitismo. Enquanto este quer conquistar o outro para fazê-lo entrar no mundo do conquistador, Charles, através de sua vida, revela Deus presente e completamente comprometido com os pobres.

O que representa Charles de Foucauld para a vida missionária? É o homem que antecipou a primavera da Igreja, aquela espiritualidade do caminho que nos possibilita ver, de novo, o futuro da Igreja e de sonhar, de novo, com a presença do Reino no meio de nós.

Enzo Bianchi escreve que, depois de Francisco de Assis e, agora, depois de Charles de Foucauld, toda vida religiosa e cada forma de testemunho na Igreja não podem mais ser vividos como antes: Charles mudou as formas até às raízes.

Fonte: www.mariamater.com.br

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